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sábado, 22 de abril de 2017

IDOLOS DO PASSADO: STEVE DONAGHUE - SEGUNDA PARTE

CONTINUAÇÃO


Steve Donoghue montou Spion Kop quando da disputa do Grand Prix de Paris, prova em que entrou descolocado e cuja dotação superior em 100% a do Derby estava atraindo, ano a ano, os corredores ingleses. Galloper Light havia a ganho em 1919 e Lemonora o viria a fazer em 1922. Após seu triunfo no Derby, Spion Kop fracassou no St. Leger ganho por Caligula, no Grand Prix de Paris ganho por seu companheiro de barn Comrade e na verdade não veio a ganhar sequer outra carreira. Segundo o jornalista Quintin Gilbey ele e Grand Parade foram provavelmente os mais fracos ganhadores do Derby, mas pelo menos Spion Kop foi capaz de produzir a outro ganhador do Derby, o de 1928 Felstead.

Sem um ganhador dos chamados grandes clássicos em 1919 e 1920, Steve estava com sede, pois, ele sabia melhor do que ninguém que são destas carreiras que vem o dinheiro, o prestígio e o ressurgimento de novos heróis. Logo assinar com o mais poderoso barn do planeta um contrato de exclusividade lhe pareceu a mais acertada iniciativa, ademais que em seu intimo ele acreditava que as regras eram feitas para serem cumpridas apenas pelos outros, os mortais. Não por um virtuoso com mãos mágicas como as suas.

Em seu primeiro ano de contrato Steve não viu em nenhum dos cavalos em treinamento com George Lambton, aquilo que diferenciava um contendor do Derby de um real competidor no mesmo. E como ele montara no ano anterior Humorist de propriedade de Jack Joel e por ele se enamorara e em sua maneira de ver não haveria problemas de ser dispensado para montar algo com real chance de sucesso. Porém, George Lambton tinha uma opinião distinta, pois embora Glorioso não fosse aquilo que pudesse vir a ser chamado de um real contender, ele pertencia a Lord Derby, estava inscrito e como nos casamentos Steve tinha que estar preparado para os bons e maus momentos. Steve era solteiro, nunca acreditou em fidelidade passageira, que dirá eterna, e no fundo de sua mente a um artista teria que ser dada as melhores condições para que o mesmo pudesse exercer a sua arte em toda a sua plenitude. Era o dever do esportista defender aquilo que havia de mais importante: o esporte, ou melhor ele. Tudo para o deleite do grande público, que via nele o apix do esporte.

Após implorar, Steve conseguiu que Lord Derby o dispensasse muito mais em função do extremo respeito que este senhor tinha para como Jack Joel do que propriamente na crensa que Steve viesse a ser um artista e assim ele veio a montar Humorist no Derby de 1921. E George Lambton confirmou o fato em carta para Lord Derby; "Existe uma completa mudança no tempo a partir das 4:30hrs desta manha. Fortunadamente eu já estava de pé, e assim tive o tempo de arranjar um transporte especial para Glorioso, que deixou o barn as 6:30hrs... Ontem  a noite eu liberei Donohue, eu não sei ao certo se ele fez os seus arranjamentos, mas se o fez eu vi que Carslake não tem ainda uma monta no Derby. Em minha opinião ele e o homem para Glorioso". 

No Two Thousand Guineas, prova em que Lord Derby não tivera nenhum competidor Steve montou Humorist. Algo de muito estranho passou no desenrolar desta carreira. O pupilo de Steve liderava a prova com extrema facilidade, era mantido no bridão e de repente parou de estalo a poucos metros do disco, chegando na quarta colocação. Alguns atribuíram ao fato de Steve possivelmente tê-lo usado muito no inicio da carreira e outros de Humorist talvez não ter a stamina necessária para uma prova de real rigor. Haviam ainda outros, mais cítricos, que acreditavam que Humorist era aquele típico cavalo, onde a habilidade excedia, outrossim o coração inexistia. Steve Donoghue em suas memórias afirma que nenhuma destas razões lhe pareceu plausível após a carreira. Ele conhecia como ninguém Humorist e coragem e stamina não pareciam ser seus pontos fracos. Mas ele também não tinha uma explicação para o estranho fato sucedido na primeira prova da tríplice coroa. A única coisa que pode dizer depois da carreira em favor de seu pupilo e que ele, com toda a sua experiência preferia se manter no mesmo para a disputa do Derby.

Examinando a documentação da época, tomei conhecimento que entrevistado após esta carreira, Charles Morton ouviu de um repórter a seguinte afirmativa; "Humorist não tem stamina". Ao que o experiente treinador respondeu; "Da mesma forma que acredito que ele irá ganhar o Derby". Humorist não o decepcionou.


Em três diferentes descrições deste Derby encontrasse apenas uma coisa em comum. Esta foi a maior obra de arte desenvolvida por Steve Donoghue encima de uma cavalo de corrida. Em suas memórias Steve afirma ter sido esta a melhor direção o que havia dado a um cavalo e de longe a carreira que mais prazer lhe havia dado ganhar profissionalmente. Em todas as descrições é atribuída a derrota do pupilo de Lord Astor, Craig an Eran, não pelaa classe de Humorist mas sim ao desempenho exemplar e Steve Donoghue em seu dorso. E creio que de todas as versões que tive a oportunidade de examinar, nenhuma pode ser levada mais em consideração do que a própria dada por Steve após a carreira; "Leighton o líder estava já batido no the dip, mas eu não pedi por meu pupilo, porque a meu ver seria muito pedir isto a meu pequeno amigo, e assim eu o mantive na cerca atrás de Alan Breck. Quando este começou a cansar, eu escorreguei entre o mesmo e a cerca, ao mesmo tempo que vi que Craig an Eran estava ganhando terreno em relação a mimE dando um final melodramático, como sempre foi o seu feitio, complementou: “Cada yard passou a contar agora, e eu sentia que meu pequeno companheiro estava dando tudo de si e eu preferiria cortar o meu braço direito do que me utilizar do chicote nele. Assim, com Craig an Eran bufando a meu lado, eu me mantive em posição e procurei lhe dar toda a ajuda que minhas mãos pudessem e foi assim, que cruzamos o disco, pescoço à frente".
         
Humorist na correu em Royal Ascot pois, um filete de sangue foi notado por seu treinador Charles Morton e no dia em que Sir Alfred Munnings foi convidado a pintá-lo em Wantage, este pequenino gigante foi encontrado a tarde morto em seu box. Uma autopsia revelou que Humorist tinha tuberculose e praticamente apenas um pulmão e isto serviu aparentemente de explicação a todos do porque de sua súbita parada no Two Thousand Guineas. E o flamboyant Steve Donoghue, cujas emoções eram quase sempre contidas e muitas vezes encenadas, pela primeira vez se mostrou honesta. Ele chorou, ao tomar conhecimento do fato.

Humorist era talvez uma das últimas esperanças de continuação do élèvage de Jack B. Joel no mesmo nível de competitividade que ele tinha para com Lord Derby, Lord Astor e futuramente The Aga Khan. Durante os anos de seus dois sprinters Polymelus e Sundridge a fortuna sorriu para o Childwick Bury Stud. Para os estudiosos da época Humorist poderia vir a ser o seu St. Simon.

A reputação de Steve Donoghue após este Derby pareceu ser intocável, mas não para Lord Derby que acreditava que aquilo que estava escrito no papel era aquilo que devia ser pago pelo dispêndio de seu dinheiro. E Steve Donoghue não parecia ser a pessoa exata em se ater a estes meros detalhes contratuais. Em carta inscrita por Lord derby para George Lambton, o destino do grande Steve Donoghue na Stanley House veio a ser selado; " ... eu escrevi para você para ler para Donoghue se você se sentir a vontade. Donoghue recebe um salário de mim. Ninguém mais no barn contribui para isto, e daqui para frente mesmo que meu cavalo não pareça ter a chance de bater a outro cavalo que pertença a outro proprietário qualquer, deverá ser o meu cavalo que ele terá que dirigir, e eu insisto que ele deva estar bastante consciênte deste fato no futuro. Eu falei com Donaghue em Deauville, e disse que tinha o desejo que ele viesse a montar para nós na próxima temporada. Ele disse que estaria pronto para tal, mas que gostaria de fazer algumas mudanças no contrato ... não existem outras condições".



Steve Donoghue, com a legitima e defensável tomada de posição exigida por parte de seu contratante, simplesmente provara no episódio do Derby de Humorist, que mesmo para com homens da altura e do prestigio de Lord Derby e George Lambton, ser totalmente destituído do mínimo de lealdade profissional. E a partir deste momento passou a ter seus atos seguidos mais de perto, mesmo por aqueles que a principio acreditavam ser a ele dado o direito de tudo fazer. E aqueles que o endeusavam começaram a tomar nota destes passos tendo em conta ser Steve Donoghue apenas um ser humano. Do tipo que não tinha a menor estima por seu similar, em qualquer situação que se apresentasse. Na carreira da vida, para Steve Donoghue ele seria o primeiro, o segundo e o terceiro. Não haveria chance alguma de outro estar na fotografia de chegada. Se houvesse alguém, este chegaria em quarto, longe.
         
Livre de oficialmente de qualquer contrato, Steve saiu a caça de seu novo Derby prospect aonde o mesmo pudesse estar. Desta feita na Inglaterra a vitima foi Vic Smyth e o cavalo Captain Cuttle. De propriedade de Lord Woolavington, como todo filho de Hurry On, The Captain era extremamente grande, pesado e volumoso. Não era um cavalo fácil de se treinar, mas quando o treinador em questão se chamava Fred Darling, este problema tornava-se facilmente contornado.

No paddockCaptain Cuttle começou a agir de forma estranha e foi descoberto que ele perdera uma de suas ferraduras. Sanado o problema foi levado por Steve Donoghue para seu atrasado galope e muitos foram aqueles que acharam estar ele lesionado. Claudicava. Imediatamente os bookmakers aumentaram a sua cotação para 10/1, mas na altura do Tattenham Corner, o que se viu foi uma procissão, com Captain Cuttle a frente e o resto simplesmente o seguindo. Ele bateu por quatro corpos a Tamar, um irmão materno de Buchan igualmente de propriedade de Lord Astor que assim completou a augura de três segundos lugares nas quatro últimas disputas desta importante prova.

Lord Woolavington ficou tão eufórico que premiou Steve Donoghue com 5,000 pounds, o maior prêmio até ali dado a um jóquei por ter vindo ganhar esta carreira. Intitulando-se "o mais feliz homem no mundo" completou o presente ofertando a Steve um contrato considerado acima de qualquer comparação, para a temporada de 1923.

Na França, Steve Donoghue veio a montar Kefalin, no Prix du Jockey Club. Perdeu por cabeça para Ramus montado por George Stern que defendia a jaqueta laranja e boné cinza de um senhor chamado Marcel Boussac. No Grand Prix de Paris, Steve virou a mesa, batendo a Ramus e atraindo a atenção de Marcel Boussac. Após estas duas carreiras, Ramus se tornou completamente selvagem. A forma com que George Stern o dirigiu aos 3 anos, fez com que se tornasse irascível. Tanto que era impossível aproximá-lo de uma fita de largada. Boussac inscreveu-o na Goodwood Cup, cuja largada era dada na forma de uma bandeira e contratou Steve para seu serviço. Na carreira apenas dois adversários Triumph e Bucks Hussar, montados por outros dois experientes jóqueis, Joe Childs e Brownie Carslake. Steve convenceu ao treinador de Ramus e galopá-lo no dia anterior a carreira, de forma a confundi-lo, porém, Ramus sabia muito bem a diferença entre um galope e uma corrida. No dia da carreira um dos grooms de Boussac ofereceu a Steve uma espora com bateria elétrica. Mas Steve devolveu a mesma aconselhando-o aonde ele deveria enfiar a mesma. Ramus tratou de transformar Goodwood num rodeio. Empinou, pulou e por duas vezes chegou a ajoelhar-se. Steve impassível em seu dorso, sabia que se Ramus pudesse se livrar dele, teria um final pior do que alfafa à frente de um faminto cavalo. Após exatamente 25 minutos Steve pensou ter vencido a guerra. Alinhou Ramus e partiu com o mesmo. Childs e Carslake sabiam de antemão que se Ramus fosse para a ponta os problemas iriam voltar a acontecer e assim contiveram seus pupilos. Ramus correu alguns metros e simplesmente estancou e dali não passou.


Não há, a menor dúvida que o nome deste jogo é ganhar. Querer ganhar é a meta de todo aquele jóquei que clama por sucesso e prestigio. Mas mesmos entre os Deuses existem regras que devem ser cumpridas. Entre os Deuses sim, mas para Steve Donoghue, nunca. Todavia, pela primeira vez a situação parecia diferente, já que ao ser contratado por Lord Woolavington ele teria que prestar contas a Fred Darling, o master de Beckhampton. Você não precisava de uma pós-graduação em psicanálise para prever que Steve e Fred eram exatamente os opostos, porém, Fred Darling além de ser o preparador supremo de um cavalo de corrida, possuía a rara capacidade de mandar nos mesmos, em seus empregados, em seus jóqueis e até em seus proprietários. Estes últimos não eram bem vindos ao barn e se não satisfeitos tinham todo o direito de levar os seus cavalos para aonde assim o quisessem. Em termos de jóqueis, por mais virtuoso que aquele pudesse vir a ser, se não obedecesse ao pé da letra suas instruções, a porta estaria igualmente aberta para procurar seu próprio destino. Quanto aos cavalos era tratados com extremo rigor, mas se obedecessem ao comando eram igualmente tratados com respeito. Uma coisa era certa. Um cavalo de Fred Darling sempre estava no pico máximo de seu treinamento no dia da prova escolhida como alvo. O estado físico dos mesmos era tão exuberante e a forma que se apresentavam tão distinta dos demais, que muito se falava ter ele um "elixir" que os faziam andar mais do que os demais.

"Steve não será capaz de fazer os seus truques com Fred Darling" era a opinião geral do mercado. Ledo engano. Em seu primeiro ano de contrato ele veio a descobrir que não havia nenhum três anos em Beckhamptom capaz de lhe trazer o tão almejado terceiro Derby seguido, assim sendo ele começou a fazer a sua pesquisa de mercado. Lord Woolavington, tinha igualmente cavalos em treinamento com Gilpin em Newmarket e assim Town Guard Knockando foram inscritos para correr o Derby. Steve havia ganho o Criterion Stakes com Papyrus no ano anterior, derrotando nesta oportunidade ao favorito Town Guard e o pupilo de Basil Jarvis mostrara a ele no Chester Vase, disputado na distância do Derby, aquilo tudo que Steve queria ver em um verdadeiro derby prospect. Steve Donoghue imediatamente colocou em sua cabeça que ele teria que montar Papyrus, ja que seria por demais difícil convencer a Lord Derby de lhe deixar montar Pharos. Assim ele simplesmente avisou a Lord Woolavington que não viria a montar a nenhum de seus cavalos, já que em seu entendimento o contrato era para tão somente aqueles treinados por Fred Darling. Foi evidentemente a desculpa mais esfarrapada do planeta, mas a necessária a ele para ganhar por um corpo, o seu terceiro Derby em sequência numa magistral direção impetrada ao filho de Tracery.

         Acredito que Lord Derby tenha igualmente sentido profundamente esta derrota, já que na descriçao da corrida, Pharos veio a igualar a linha de Papyrus à 400 metros do disco e parecia estar sobrando, todavia a forma como que Steve Donoghue conduziu a seu pupilo no final, objetivou que o mesmo viesse a ganhar, embora, o pupilo de Tom Gardner parecesse ser o virtual ganhador no meio da reta. Gardner foi acusado de ter vindo cedo demais e quando três dias depois perdeu o Oaks, numa péssima direção dada a Tranquil. Como era esperado, teve o seu contrato rescindido e foi substituído pelo jovem Tommy Weston, que logo a seguir viria a ganhar a Gold Cup com Siluriam e o St. Leger com esta mesma Tranquil

A conclusão deste trabalho fica para sabado que vem.