Nosso turfe mantem uma constante anomalia de manter-se em círculos, como aquele cachorro que inutilmente tenta morder seu rabo, mas nunca consegue atingir seu objetivo. Ou melhor, aquilo que concebe como sendo o seu objetivo. Contudo, na verdade, não passa de um vicio.
Na exata expressão, apenas sobrevivemos. Cultivamos vícios. Parece-me uma atividade sem metas e muito menos com uma direção determinada. A luta para esta suposta sobrevivência passou a ser a meta. O sonho colorido. A cereja do bolo. E nos acostumamos com ela, imaginando não podermos alcançar algo melhor. Algo realmente substancial, que nos coloque em outro patamar.
Não anseio ser um Europa, um Estados Unidos, nem mesmo uma Australia. Outrossim, não podemos estar tão inferiores ao Chile e a Argentina e muito cerca de ser ultrapassado pelo Uruguai. Desculpem mas não exagero. Apenas noto e comento.
38% de taxas para importação de matéria prima, é sem propósito e no mínimo deve ser tratado como abusivo. Não teríamos ninguém a ir ao Paulo Guedes e expor a situação? Quantos empregos estão em jogo e perdas de divisas? Tenho absoluta certeza que safo como ele é, imediatamente se acercaria da situação e faria algo em relação a esta anomalia. Mas alguém deve tomar a iniciativa.
Dizia vó Adelina, que quem não chora não mama. E acredito que estejamos vivendo, já num estágio de uivar de fome. Somos um turfe deficitário que surpreendentemente ainda consegue bons resultados em pista, no hemisfério norte. Há uma razão. Temos talento. Sim, por incrível que possa parecer, somos dotados de talento. Não somos uma industria de toda, amorfa. Damos prejuízos por outras razões, mas sei porque damos alegrias. E tranquilamente poderíamos dar mais, com um mínimo de ajuda governamental.
Vó Adelina sempre quando rezava, pedia a Deus, que se não desse para ajudar, pelo menos não atrapalhasse. E é exatamente isto que estas taxas governamentais da receita federal, estão nos fazendo: atrapalhar. O que querem? Aniquilar de vez com a atividade? Desqualificar ainda mais uma mão de obra, que sem emprego nas ruas, tenderá a penetrar na marginalidade? E que lucro isto trás para a União?
Olhe o agro-negócio. Em parte somos uma parte muito singela de algo como o agro-negócio. Com a vantagem que temos um produto testado e aprovado, que pode se transformar em entrada de divisas e geração de mais empregos. Ou pelo menos a manutenção dos mesmos. Se voltarmos a produzir 5,000 cavalos ano e ter capacidade de dar corridas todos os dias, com quatro hipódromos producentes, a situação mudará de água para vinho. Porém, não apenas um vinho barato. Mas sim um vinho de boa qualidade. Pois, repito, temos talento.
Sou do tempo que o cavalo brasileiro se mantinha por sua genética, das boas importações advindas do pós guerra. Mas criávamos cavalos disformes, com cabeças monumentais e com vícios, pois, nós eram dado apenas acesso ao que a India e a Turquia não queriam. Hoje produzimos um tipo, que não faz nenhuma vergonha se em Keeneland fosse apresentado. Porque deixarmos-nos regredir?
Argentina e Chile, torcem para que não coloquemos nossas cabeças para fora. Sabem de nosso potencial. E de certa forma ainda o temem. Não podemos desistir e simplesmente achar que isto é parte da vida. Não o é. Ganhamos a Dubai Cup e fomos segundo no King george VI. Qual o cavalo chileno que consegui algo similar?
