O NINHO DO ALBATROZ
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segunda-feira, 17 de agosto de 2026
BOM DIA
Sou curioso, mas ao mesmo tempo controlo ao extremo, a minha tendência de tornar-me um chato de galocha com perguntas para saciar a minha curiosidade. No caso presente, me custava crer que Torres Garcia, abrisse mão de ir para os Estados Unidos dar continuidade a sua campanha e optar pela insossa Alemanha, para fazê-lo.
Está certo que metade de seus interesses fora vendido, mas mesmo quem o assim o adquiriu deve ter plena consciência do absurdo que é sequer imaginar esta mudança de rumo.
Foi-me então repassado que Torres Garcia é portador da piroplasmose, o que impossibilita sua ida para as terras de Tio Sam. Logo, a Europa apareceu como a melhor alternativa para a evolução de sua campanha e a Alemanha como um fator de ajuste de adaptação.
Seu destino inicial, na verdade, é o Oriente Médio, no inicio do ano que vem, como me foi devidamente repassado. O que me agrada bastante em ouvir. Pois, trata-se de um filho do nacional e bem sucedido Il Doge, numa mãe pelo transmissor de estamina, Nedawi, com imbreeds em Seattle Slew e Mr. Prospector. Brilhar em Dubai, ou mesmo na Arábia Saudita, não deixa de ser, um bom inicio na esfera internacional.
Já não seria hora do criador brasileiro dar crédito a Il Doge ? Ou quem sabe pensar adiante e ir direto a seu melhor filho, o Planetário ? Os resultados estão ai e a cada ano parecem ser mais promissores.
Um grande dia para todos, na esperança que cavalos como Torres Garcia tenham chances no exterior e nos representem bem.
Ontem fomos 2025.
NA LUPA DO BARONIUS
Uma tarde de verão em Deauville
Bom dia. Mais um fim de semana de carreiras em Deauville, movimentado balneário francês que fica na região da Normandia. Muitas carreiras clássicas importantes no sábado e domingo, sendo o Prix Jacques le Marois (G1) a atração principal. Muito sol, muito calor, hipódromo tomado nos dois dias e muita gente jovem participando do evento. Realmente dá gosto de acompanhar uma jornada como esta. Este fim de semana serviu na França como início da caminhada dos grandes cavalos e coudelarias para o ápice da temporada, o festival do Prix de l’Arc de Triomphe, a ser realizado no primeiro fim de semana de outubro.
Divulgada pelos franceses como a maior e melhor milha da Europa, a prova no retão gramado contou com excelentes corredores e nobres ausências. Preciso registrar que Bow Echo (o "Frankel do momento") se acidentou em treinamento e foi retirado para a reprodução. Fará muita falta nas pistas. Seu fiel perseguidor Gstaad ficou descansando na cocheira, assim como Notable Speech e a líder entre as fêmeas da milha, Blue Bolt. Aqui espero ter selecionado a primeira prateleira da Europa.
Em pista vimos uma disputa muito bonita e tática entre os 3 primeiros colocados, sendo que a favorita Precise (físico um tanto frágil) parece ter sentido os repetitivos esforços que Aidan O’Brien a tem submetido e chegou em um apagado terceiro lugar. Descanso, recarga de energias e volta às disputas, isso é o que ela precisa. O alazão calçado Zeus Olympios veio da Inglaterra, brigou com todo mundo e somente se rendeu a força e vigor da atropelada de RAYIF (Sea The Moon) nos momentos finais. Condução principesca de Mikael Barzalona e aquele preparo em 100% do pequeno gigante, Francis-Henri Graffard. O homem não para de vencer com a farda de S.A. Aga Khan. Sobre a prova, era isso que podia registrar, mas antes de irmos para o cruzamento do vencedor, tenho de falar sobre mais uma corrida ridícula de 2 representantes japoneses na prova. Há pouco, os bravos nipônicos passaram vergonha em Ascot com seus parelheiros e novamente fecharam a raia atrás da ambulância. Aqui, particularmente, não acreditava em nenhum dos dois animais. A pergunta que fica é: Por que se expor ao vexame com animais que de fato não tem o poderio locomotor para brigar fora de sua casa? Que os japoneses aprendam as lições dos fracassos no verão europeu e voltem mais fortes nas próximas tentativas.
RAYIF é um irlandês, filho de Sea The Moon (Sea The Stars) em uma irlandesa, colocada clássica chamada Rayisa (Holy Roman Emperor). Ele, que havia vencido o Poule d’Essai des Poulains em maio, vinha de pular a prova de Royal Ascot e de fracassar em seu reaparecimento em Deauville no mês de julho. Sea The Moon é uma fonte de resistência (stamina) na reprodução que tem 964 produtos e 4% de aproveitamento clássico. A matriz é dupla produtora clássica, através da irmã do ganhador, Rayevka e pertence a família 9-e. Este ramo entrou no haras com a potranca Rilasa, nascida em 1975 e foi criada por Marcel Boussac. O avô materno Holy Roman Emperor tem 2.042 netos em idade de corrida e resultado clássico de 2,5%. O cruzamento de RAYIF foi poucas vezes tentado e deu certo com este indivíduo específico. Nada para acrescentar em termos de nick ou afinidades sólidas. Este foi o páreo que passou na minha lente. Aguardo vocês logo mais na Live de segunda-feira. Até breve.
Abs, Baronius
PAPO DE BOTEQUIM: UM CHINELO VELHO PARA UM PÉ CANSADO
Até o mais parvo observador, tem conhecimento que a milha e meia e principalmente em se tratando de pista de grama, é terreno inóspito para a grande maioria dos cavalos norte-americanos. E não estou aqui caracterizando como cavalo norte-americano aquele que tenha nascido nos Estados Unidos. Refiro-me ao treinado, aqui.
A cinco anos Survie, recente ganhadora do Christophe Clement Turf stakes (G1) de Saratoga, é um exemplo digno de nota. Ela que foi adquirida pelo grupo Coolmore em Tattersalls, já tendo sido segunda colocada no Prix Diane, Saint-Alary e Jean Romanet, além de vitoriosa no Malleret (G2), neste sábado, finalmente atingiu seu objetivo maior: o ganhar uma prova de gradução máxima.
A prova foi escolhida a dedo, mas colocará os filhos de Survie, futuramente nas páginas iniciais das vendas mais importantes do planeta, se assim for o desejo, daqueles que ora detém os direitos de propriedade da mesma. Ela custou cara, a Magnier e Tabor, mas com esta vitória justificou o projeto traçado para a mesma.
Ganhadora na mesma distância e pista, igualmente em Saratoga, do Glens Fall Stakes (G2), esta filha do utilíssimo Churchill (Galileo) na especialista na distância Sotteville, pelo French Derby winner Le Havre (Noverre), não me parece ser algo a ser levada em alta consideração para as provas da Breeders Cup. Nem para a Filly and Mare, quanto mais para a Turf. Mas como diria vó Adelina, " com a devida paciência somada a uma grande dose de perseverança, sempre haverá a oportunidade de um pé cansado alcançar um chinelo velho."



















