O NINHO DO ALBATROZ
SE VOCÊ NÃO GOSTA DE TURFE, PROCURE OUTRO BLOG. A IDÉIA AQUI NÃO É A DE SE LAVAR A ROUPA SUJA E FAZER POLITICA TURFISTICA. A IDÉIA AQUI É DE SE DISCUTIR TEORIAS QUE POSSAM MELHORAR A CRIAÇÃO E O DESEMPENHO DO CAVALO DE CORRIDA. ESTAMOS ABERTOS AS CRITICAS E AS TEORIAS QUE QUALQUER UM POSSA TER. ENTRE EM NOSSA AERONAVE, APERTEM OS CINTOS E VISITEM CONOSCO, O INCRIVEL MUNDO DO CAVALO DE CORRIDA, ONDE QUERENDO OU NÃO, TUDO É PRETO NO BRANCO!
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terça-feira, 22 de setembro de 2026
PAPO DE BOTEQUIM: NEM TODO CAVALO DE CORRIDA É UMA FERRARI
Nem todo cavalo de corrida é um Ferrari.
Deve-se estar bastante atento a qualquer tipo de mudança, no mercado em que você atue. No turfe o fechamento de três hipódromos na California levadas a efeito nestas últimas décadas é um sinal evidente de queda no mercado das corridas de cavalos naquele estado. Já o fechamento recente de Aqueduct no estado de New York, um fortalecimento de seu hipódromo principal, Belmont Park. Fato este facilmente entendido, com a aceitabilidade do publico apostador quando da abertura do último nesta semana. Muitas vezes, o menos é mais.
Quando ainda muito jovem, nunca imaginei poder estar falando com alguém, que não estivesse em meu campo visual, a não ser por aquela peça de porcelana - geralmente negra - presa a parede, a quem fui introduzido como sendo telefone. Imaginem minha surpresa, ao tomar posse de meu primeiro celular ! Um tijolo pesado, cuja única finalidade era fazer e receber mensagens
O mesmo aconteceu na evolução da régua de calculo, a máquina de calcular e esta ao computador. Logo meus queridos jovens, não se assustem com o nível de resistência, mantido pelos mais idosos como eu, a certas mudanças no mercado. Só que há nelas, também algo que prenuncio como importante neste processo de absorção: prudência.
Prudência quando derivada de conhecimento e experiência, passa a ter um maior valor, em seu crivo critico e sua tendência natural em pesar com mais paciência, os prós e os contras, que aquela mudança poderá causar. E por isto, procuro dar minha opinião depois de deglutir sem pressa, o âmago de cada questão. E posso lhes adiantar que poucas vezes tive dor de barriga...
Imaginem, o que foi para mim, ver o Derby e consequentemente a distância por ele exigida, os 2,400 metros, achocalhada em detrimento de provas da milha à milha e um quarto, como um melhor melhoramento em um aproveitamento reprodutivo. Como deve ter sido um choque para as gerações anteriores a minha, a abolição da Ascot Gold Cup, disputada em 4,000 metros aos quatro anos, como símbolo de um selo de qualidade, para efeitos reprodutivos, pelos os de minha idade. Logo, como simplificariam os norte-americanos, things change.
Vocês acham que foi simples para os europeus aceitar o dirt em pistas norte-americanas, quase em sua totalidade flats e ovais ? Era para muitos a irrealidade, até o aparecimento de Habitat, Sir Ivor e Nijinsky.
Hoje o sprinter tem finalmente seu valor reprodutivo reconhecido e explorado por todo e qualquer criador lúcido. E o stayer é tremendamente relegado ao ostracismo para aqueles que cria e participam do steeplechase. Dai a comoção quase que nacional, com vitória no flat do primeiro filho de Stradivarius.
Stradivarius, não era apenas um stayer. Alguns assim o viam, por ter ganho três Ascot Gold Cups, mas que aos seis anos foi capaz de ser segundo no Prix Foy (G1) e terceiro na Coronation Cup (G1), ambas disputadas em 2,4000m metros. Vocês já se deram ao trabalho de pensar o que é pegar um cavalo treinado, a vida toda, para o alto fundo e de repente tentar correr o Arco aos seis anos de idade ?
Os grandes protetorados do mundo do turfe, que não tem como intuito vender, deveriam separar em seus primeiros três anos de um stayer na reprodução, éguas para direcionar a estes grandes cavalos que provaram ter este tipo de estamina, como forma de preservar esta classe de animal. Pode parecer poético, mas é na verdade prático. Vid no Brasil, Henri le Bafré, Waldmister e Sulamani. O tempo se encarregará de provar esta tese, pois nem todo cavalo de corrida é uma Ferrari, mas quando dirigida por quem a conhece bem, pode se transformar num aprazível Mercedes...
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
NA LUPA DO BARONIUS
Um japonês voador em NY
Bom dia. Bem meus amigos, o assunto da semana foi único, a reabertura do histórico hipódromo de Belmont Park e um passeio do japonês voador FOREVER YOUNG (Real Steel) durante a Jockey Club Gold Cup. Acompanhando de longe, através da cobertura dos canais de transmissão, pude ver um hipódromo ainda em construção, mas com belíssimas áreas para os frequentadores e profissionais, um padoque espetacular e pistas que aparentam perfeitas condições. Que Belmont Park siga vivo por bastante tempo, empurrando as corridas em Nova Iorque para frente. Salve o turfe!
O primeiro passo na jornada de FOREVER YOUNG para tentar o bicampeonato da BC Classic foi dado antes dele entrar na pista. Ele simplesmente afugentou Sovereignty do páreo e ficou com o campo para si. A disputa da carreira foi bem ridícula, diga-se de passagem. Os cavalos que alinharam no partidor não tinham a mínima condição de competir com a fera oriental e durante a milha e meia o que se viu foi um cavalo excepcional, maduro e senhor das suas próprias ações. Segundo as palavras de seu treinador, Yoshito Yahagi, o animal estava com 80% de condicionamento, a carreira foi uma preparação para a BC e há trabalho a ser feito até ele estar no ponto certo para brilhar em Keeneland em 6 semanas. Da prova, a única observação que fica foi que o filho de Real Steel correu a reta final toda apoiado na mão esquerda, um equívoco, percebido pelo seu treinador em entrevista em japonês (obrigado, dona Helena!). Ele disse que vai trabalhar a correta troca de mãos de apoio para que tudo esteja perfeito em sua próxima atuação.
A filiação de FOREVER YOUNG vem do cruzamento de Real Steel (Deep Impact) na matriz americana Forever Darling (Congrats). Ela é ganhadora de prova de Grupo 2. Além do craque, ela produziu mais um ganhador de prova de grupo e tem 7 produtos registrados. A segunda mãe, Darling My Darling é meia-irmã do craque japonês Zenno Rob Roy, sendo segunda mãe também do craque Sierra Leone, um grande rival do japonês voador. Além disso, vale registrar que o ganhador clássico brasileiro, Charles do Bronxs, descende deste ramo, sendo neto de Darling My Darling. O papai, Real Steel, tem índice de prêmios por produto corrido de 50% acima da média japonesa e índice de classicismo baixo com aproximadamente 2,5% de ganhadores clássicos. Seu melhor animal, obviamente, é o querido e mundialmente aclamado FOREVER YOUNG.
Para finalizar, o cruzamento entre Real Steel e a filha de Congrats só foi realizado uma vez, logo não tem amostragem para análise estatística, mas somente por curiosidade registro que o japonês voador, que tem mais de 32 milhões de dólares em prêmios, faz o cruzamento superar a média de ganhos por produto corrido em 100 vezes. Isso mesmo. Seus ganhos são 100 vezes a média de um cavalo de corrida. O vovô Congrats foi destaque há pouco em lupa e não há dúvida que ele está entre os melhores no cenário americano. Ele apresenta 44 ganhadores clássicos através de 1.358 produtos em idade de corrida e se não tem um resultado ponderado espetacular, por outro lado seus filhos ganhadores clássicos embolsam muito dinheiro. Foi isso que minha lupa magnificou nesta semana. Aguardo todos vocês logo mais na Live com o convidado especial, o jornalista Marcelo Mastrobuono. Até breve.
Abraços, Baronius




































