quarta-feira, 21 de maio de 2014

PAPO DE BOTEQUIM: O NIVELADOR DE NEUROSES

Alguém curioso, me perguntou por que intitulava a grande maioria de minhas colunas neste blog, de Papo de Botequim? Se eu era um habitué nos mesmos? Sinto decepcionar, mas não. Não sou boêmio nem muito chegado a bancos de madeira e mesas altas. Uso o termo, apenas como uma força de expressão que tenta explicar que escrevo o que escrevo sem compromisso algum literário. O que vem a cabeça, simplesmente coloco no papel. Muitas das vezes, sem reler, e por isto muitos erros passam.

Nada tenho contra os botequins. Aliás nascido e criado no Rio de Janeiro, como todo carioca, tenho simpatias exageradas belos botequins, embora não beba, gota alguma de álcool. Nem vinho, ou cerveja sequer. Não sou chegado a um ôvo colorido, muito menos as moscas de estimação que povoam as empadas e os pasteis. E sei que ao contrário do restaurante, no boteco o que vale mais é a clientela, pois, as pessoas para ali vão com o intuito de ver, ser visto e se possível interagir com conhecidos e desconhecidos. E se houver uma roda de samba, e petiscos "engulháveis", a coisa anima ainda mais.


QUERO DEIXAR ALGO CLARO, 
SOBRE O BOTEQUIM 
NA VIDA DE UM CARIOCA.
É INCISIVA E INEFÁVEL
A LIÇÃO DE VIDA QUE ELE NOS DÁ.
UM GRANDE E EFICAZ
NIVELADOR DE NEUROSES.

O Nelson Rodrigues, em suas colunas, era uma espécie de dono do terreno baldio que tinha apenas um habitante, cabra. Eu sou do botequim, onde não bebo. Pois bem, uma vez o saudoso colunista escreveu, com grande propriedade que em um jogo de futebol, a arbitragem normal e honesta confere as partidas um tédio profundo, um mediocridade irremediável e que só o juiz gatuno, o larápio, o vigarista, dá ao futebol sua verdadeira dimensão, a shakespereano. Se não foi exatamente assim que escreveu, foi parecido, pois, se tenho um pouco de memória, ela está quase tomada, por pedigrees e frases de meus ídolos literários. E certamente o Nelson, foi um dos maiores, deles. Pau a pau com o Paulo Francis.

No turfe, que lhe dá o perfil shakespereano é a zebra. Aquele que não deveria ganhar, mas ganha. Uma vez li, em algum lugar, que o técnico Gentil Cardoso, foi que inventou a zebra como explicação para um resultado que teoricamente não deveria acontecer. Mas mesmo as zebras futebolísticas as vezes têm explicações. Por exemplo, Freud explicaria a derrota do Brasil para o Uruguai no Maracanã. Mas apenas a FIFA o faria em relação a derrota do Brasil para a França, em Paris. 

No turfe, as zebras são mais usuais que no futebol, talvez pelas mesmas origens de formação. Outrossim, existem dois tipos de zebra. As zebras que surpreendem pela apagada performance anterior e aquela que é mais grave. A do indivíduo, que não deveria ser, mas quiz o destino que seja. Nunca acreditei muito naquela história bíblica do David com o Golias. E era apenas uma questão de tamanho. Mas quando entra falta pedigree, pobre conformação física e criação, como agente intervenientes, juro que apavoro-me.

Lembro que estética é uma coisa e proporção outra completamente distinta. Uma coisa pode agradar esteticamente e nem por isto ser proporcional à função para qual foi desenhada. E voltando ao caso mal explicado de David e Golias, se a função é uma luta corporal, o Golias teria que ser visto como favorito. O que não necessáriamente funciona em relação a velocidade. Afinal, no reino animal, o elefante, o gorila e a girafa, são menos velozes que os grandes felinos, pois, as proporções exigidades por velocidade e elasticidade estão mais para os felinos que para os grandalhões. O mesmo acontece em relação ao greyhound em comparação ao dinamarques, quando falamos em cachorros. O chamado thoroughbred é melhor desenhado para a velocidade que o de raça árabe, o andaluz e mesmo o quarto de milha, quando esta velocidade tem que se propagar na distância.

O turfe e a criação de cavalos de corrida, não são ciências exatas. Mas o futebol também não é. Assim, é mais fácil de se compreender que o São Paulo, com o passar dos anos irá ganhar mais campeonatos paulistas que o Ituano. No turfe, a gente também acredita que as grandes linhas maternas, as mais importantes tribos, quando juntadas de forma correta, lhe conferem a maior chance de acerto. Logo, trata-se de um jogo de percentuais.