terça-feira, 20 de maio de 2014

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: AO DINHEIRO NÃO SE FAZ DESAFORO


Hoje pela manhã, andando, como o faço cedo, todas as manhãs, algo que considero especial, me veio à cabeça, tendo ela ainda resquícios do Preakness povoando-a.

Uma das grandes frases de vó Adelina que nasceu e morreu dura, - ida-se de passagem - foi aquela que ela enfatizava: O prazer de poder ter dinheiro para se fazer qualquer coisa, é o de apenas fazer as coisas certas e que valem a pena, pois, ao dinheiro não se faz desaforo. Nem quando ele está sobrando.

Uma frase longa, mas de sentido extremamente amplo. E no turfe, onde, até que me provem ao contrário, a grande maioria dos investidores é formada por pessoas que tem dinheiro para fazer dele, o que bem entender, vejo excessivo desperdício. Principalmente em uma atividade em que já está mais do que provado que embora o saldo bancário ajude e a vontade de gasta-lo, mais ainda, absolutamente não lhe garantirá supremacia. Sheikh Mohammed que o diga.

Da mesma forma que um grande restaurante não se garante apenas por sua clientela e sim pela qualidade da comida que serve, penso que quanto você mais se enfronha em pedigrees e afia sua capacidade de não simplesmente olhar, mas igualmente ver, maiores são as suas chances de chegar lá. E o mais importante ainda: lá permanecer.

Confesso que reconhecer qualidades em um pedigree, não é simples. Requer experiência e muita rodagem. Mas vic~e tem começar de algum ponto.

Comentei aqui que não é fácil se ganhar o Kentucky Derby, mesmo levando-se em consideração que não são muitos os grandes três anos ultimamente produzidos nos Estados Unidos. Muita gente graúda tenta e não consegue. Porém, mais difícil ainda, é ganhar a tríplice coroa norte-americana, pois, além das dificuldade de se ter que ganhar três provas num exíguo espaço de tempo, provei que até aqui, apenas um tríplice coroado, pode ser adquirido. Os demais foram reservados por seus criadores. E se este ano formos brindados com outro, o será da mesma forma.

E complementando este quadro de desgraças, há de se convir que poucos são os cavalos nascidos nos Estados Unidos que tem um pedigree direcionado para a distância, e mais ainda os treinadores que possuem discernimento de como preparar um elemento para o Belmont stakes. A única prova que um três anos disputa na distância da milha e meia, e que a maioria deles irá disputar pelo resto de suas existências.

Woody Stevens com 5 vitórias - consecutivas - e Wayne Lukas com quatro, são os únicos treinadores que conseguiram ganhar mais de três Belmonts, no após guerra. Eu disse após guerra, isto é de 1945 para cá. E lá se vão quase 70 anos.

Não é a toa que a euforia, novamente tomou conta do mercado norte-americano, que quer um tríplice coroado, não importa quem ele possa ser. Até o capeta seria bem vindo! Afinal a festa está armada desde o final dos anos 70, e nunca mais pode-se festeja-la. E fortunas são despendidas anualmente. Não só pelos investidores, como também pelos empresários da festa.  E nem assim a coisa se concretiza.

Hoje a tríplice coroa britânica é algo inexequível. Perdeu a sua finalidade, pois, ninguém está afim de levar para a reprodução um cavalo que se provou em 2,800 metros, mesmo ele tendo ganho na milha e na milha e meia. Pega até mal, dizer que seu cavalo ganhou um St. Leger ou um Belmont Stakes. A Ascot Gold Cup,  que um dia foi um parâmetro de qualidade para se avaliar um reprodutor, nem se fala. É uma pá de cal.  Ganhou, vai direito para as lides de steeplechase

Guardadas as devidas comparações, diria que nos dia de hoje, ganhar o Belmont Stakes nos Estados Unidos hoje, tem o mesmo efeito do que ganhar a Ascot Gold Cup. O parâmetro de qualidade não é medido por mais por ai. E isto é tão verdade que desde A. P. Indy - ganhador da versão de 1992 - que o Belmont não fez um grande reprodutor. A bem da verdade, houveram para os menos existentes, ganhadores do Belmont, três reprodutores que podem e devem ser considerados acima da média, como Thunder Gulch, Empire Maker e Afleet Alex, mas não é bem isto que aquele que investe e tem dinheiro para o fazer no que bem entender, realmente sonha. E como diria vó Adelina: O prazer de poder ter dinheiro para se fazer qualquer coisa, é o de apenas fazer as coisas certas e que valem a pena, pois, ao dinheiro não se faz desaforoNem quando ele está sobrando.