quinta-feira, 22 de maio de 2014

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: RIO, LÁ VOU EU!

O brasileiro é um otimista. Mas o otimismo brasileiro, embora em muitas vezes extrapole as raias da serenidade, de vez em quando tem seu fundo de razão, principalmente entre os cariocas, ou melhor aqueles que habitam o Rio de Janeiro, tendo ou não lá nascido. Pois, o Rio de Janeiro, como penso e repito, não é apenas um Estado da união. Trata-se de um estado de espírito. E não é para menos.Você acorda, 95% das vezes, com um céu de brigadeiro e vê uma paisagem, que 99% é estarrecera. Evidentemente que isto ajuda em seu estado de espirito.


SEMPRE DIGO ISTO
SE DEUS FOSSE JUSTO
TODOS MORARIAM
NO LEBLON

Hoje voltei a morar em uma praia, e como Copacabana, Hallandale Beach tem muitos idosos. Mas eu diria que nenhuma outra praia do universo, tem idosos tão em forma como o Rio de Janeiro. Os nossos são bronzeados, de barrigas não tão acentuadas, animados e prontos para andar, todo o santo dia no calçadão, ou jogar a sua partidista de vôlei  Em Hallandale, eles são reumáticos, extremamente pesados, ficam sentados a maior parte do tempo e apenas seus olhos fazem algum exercício. São velhos, não idosos e longe de ter aquela gana de viver que se tem quando se mora no Rio de Janeiro.

Não é atoa que Tom Jobim, ao ser perguntado por que voltou ao Rio de Janeiro, depois de longa temporada em New York, respondeu: eu nunca sai do Rio. E complementou, não moro no Rio, eu namoro o Rio. Resumindo você pode até sair do Rio de Janeiro, outrossim, o Rio de Janeiro nunca sai de você.

A Rede Globo, fez o Brasil todo, ter um pouco do carioca. Principalmente aquele jeito art deco de tratar as coisas. Com cinismo, mas sem desrespeito. Diria que o Rio é o único lugar do mundo que aquele que se julga celebridade é reduzido a si mesmo. Passa despercebido na multidão. O João Saldanha, um gaucho com alma de carioca, uma vez me disse, que em São Paulo ou Porto Alegre era cumprimentado e parado nas ruas. No Rio de Janeiro, as pessoas passavam por ele, fingindo não o notar. Ai quando já afastadas, a passos dele, de vez em quando ouvia. O teu Botafogo heim? Que vexame! 

Andar na orla marítima e mesmo no centro da cidade é um luxo. Embora no Rio de Janeiro de hoje, você não anda mais apenas olhando para o chão - de forma a não cair em um buraco - ou mesmo olhando para os lados - pois tem muito ladrão na parada. Você hoje tem que olhar para cima também , pois, um helicóptero da policia pode tranquilamente ser atingindo por um míssel disparado de uma comunidade pacificada e cair em cima de você. Porém, ainda é mais honroso, do que levar com um vaso sanitário na cabeça, como nas cercanias de um estádio de Recife.

Deixando de lado estas realidades assustadoras, pergunto, se o brasileiro realmente tem noção do que aqui aportou, em termos de reprodutores e sobre quantos deles, poderíamos afirmar que realmente valeram a pena. Seus legados. Por exemplos, quantos descendentes de Hyperion, aqui aportaram? Quantos deles foram acima da média? Quantos conseguiram fazer um garanhão? Teríamos respostas para todas estas perguntas? E mais do que isto, valeriam a pena estas perguntas serem respondidas?

A partir desta semana, vamos fazer um raios X, do turfe brasileiro, tendo como base as tribos aqui aportadas. No mais, fico feliz de voltar ao Rio de Janeiro, para assistir a mais um Grande Prêmio Brasil. Não bem dotado financeiramente, e nem portador de um campo que faça alguém ficar ansioso. Outrossim, é uma prova que tem o seu charme e que eu aprendi a respeitar.