domingo, 29 de outubro de 2023

PAPO DE BOTEQUIM: UM DOMINGO A SE REFLETIR, PORQUE DE NOSSOS CONSTANTES MURROS EM PONTOS DE FACA

Vamos dar um tempinho, sobre nossas análises sobre aquelas que considero as mais importantes provas do festival da Breederes Cup. Mas, usando o ensejo para ressaltar um assunto que corre em paralelo e que penso ser de suma importância nas análises a serem feitas. Principalmente aos domingos, onde tempo não nos falta para raciocinar.

Meus queridos navegantes, confesso ter uma queda maior, por provas disputadas na grama no intervalo da milha a milha e meia. Talvez, pelo simples fato que fui criado no turfe, observando a triplice coroa.  Elementos como Nijinsky, Secretariat, Slew, Affirmed me empolgaram e evidentemente que isto norteou bastante a minha linha de pensamento, desde o seu inicio.

Hoje, como já me reportei em mais de uma oportunidade, a tríplice coroa é muito valorizada, apenas nos Estados Unidos e no Japão. No resto do mundo, ela praticamente desapareceu, pois, tando na Inglaterra como na Irlanda, os St. Legers perderam todo o seu sentido, e hoje chegam a ser disputados, pelos 3 anos e de mais idade. A própria milha e meia, perdeu muito de sua importância, no turfe moderno. Outrossim, neste caso me mantenho resoluto e penso que o Arco e o King George, ainda são as provas de maior importância dentro do cenário mundial.

Galileo, renovou a importância da milha e meia e principalmente no tocante a ganhadores do Derby. Lembro a aqueles que não tem analisado o quadro de garanhões internacionais, que neste século, apenas Galileo, e seu irmão Sea the Stars, entre os vencedores desta prova, podem seguramente vir a ser considerados, reprodutores de primeiro quilate. Camelot, New Approach e High Chaparral são os outros três que estariam num patamar seguinte. Sobre os demais, narrativas tem que ser construídas para defender suas posições.

Considero um número por demais reduzido, principalmente se levarmos em consideração o que foram os ganhadores do Derby do século passado no breeding-shed.

Seria um problema da prova ou da distância? 

Eu acredito que distância, pois se levarmos em consideração que para o mesmo período entre os vencedores do King George apenas Galileo usufrui uma posição no patamar mais alto, e Nathaniel e Montjeu no patamar seguinte, chegar-se-á a objetiva conclusão que se trata da distância, não da prova em si.

Seria diferente no Arco? Indiferente, pois apenas Sea the Stars estaria no topo e Montjeu e Dalakhani no patamar seguinte.

E o quer dizer de um festival como a Breeders Cup, onde mais de uma dúzia de provas são disputadas em diversas distância e em hipódromos os mais variados? Contudo, uma inscrição cara, me faz pensar duas vezes antes de alguém queira participar meramente no intuito de querer mostrar a sua camisa. Hoje certos garanhões dominam as inscrições, o que não deixa dose ser um fator a ser levado em consideração. Este asno por exemplo teremos sete filhos de Into Mischief,  e seis de Gun Runner, Frankel e No Nay Never. Estariam eles lá apenas por seus pais? Não acredito. Estes pais estarão lá, pela capacidade demonstrada em produzir elementos que se excedem em pista.

Logo, é natural se conceber porque sempre fomos fascinados por ganhadores destas provas, principalmente oa do Arco? Trempolino, Sinndar, Sagamix e Peinte Celebre, vieram e pouco ou nada deixaram que nos faça sentir saudade dos mesmos. A culpa seria da prova? Claro que não. A culpa é de quem acredita na regeneração de ilustres fracassados com a simples mudança de hemisfério.

E OLHA QUE NOSSO CALENDÁRIO 
FAVORECE BASTANTE 
A AQUELES COM CAPACIDADE STAMINICA 
DE ABORDAR COM SUCESSO A MILHA E MEIA 
NO TERRENO GRAMÁTICO.

Evidente que dos quatro ganhadores do Arco que prestaram serviço no Brasil na era moderna, a exceção de Trempolino, já eram considerados tremendos fracassos em estabelecimentos de cria, com éguas de altíssima qualidade genética. Logo, dar murros em pontas de facas, foi uma decisão nossa.

Acredito que Agnes Gold, Put it Back, Wild Event e mais recentemente Can the Man, devam ter acendido uma luz, no fundo do celebro de cada um. Com exceção de Wild Event, nenhum dos outros chegou a milha e meia. Espero que as experiências fracassadas que nos levaram a perder dinheiro e tempo, não devam ser repetidas. 

Estaria eu tão errado em acreditar no turfe brasileiro e principalmente no cavalo nacional? Pois é, foi um deles que me trouxe uma Dubai Cup, outro a um Santa Anita Handicap, um terceiro me brindou com uma segunda colocação no King George e até um me levou a disputar um  Arco. 

O que pode se concluir? Que o problema não é a nacionalidade do cavalo ou o turfe em que ele se projeta, e sim o conhecimento de quem o seleciona e tem a coragem suficiente de ir adiante. Uma lição foi dada, e deveria ser absorvida por quem tiver mais de dois neurônios.

Mas será mesmo que aprendemos a lição? Por nossas últimas aquisições mercado de reprodutores, ainda acredito que não...