domingo, 29 de outubro de 2023

SERÁ QUE ?

Ontem um navegante, mais abusado, tomou coragem e desferiu aquilo que possa ser a duvida de muitos: me perguntou se vó Adelina existiu, ou era apenas produto de minha imaginação. Veja a que ponto chegamos...

Vó Adelina morreu quando eu ainda tinha 11 anos de idade, porém durante fins de semana a fio, tive o prazer de prazer de passar em sua companhia. Fins de semana memoráveis com ela, ali na rua Bolivar, em Copacabana. 

Era uma pessoa direta e objetiva, e que só acreditava naquilo que seus olhos viam e seus ouvidos, ouviam. São Tomé era seu santo padroeiro e ela era capaz de notar o defeito que cada um tinha. E os descrevias em seus mínimos detalhes, com rara perfeição. Tinha um faro apurado. Até o Papa não escapou de suas críticas. Como vocês já devem ter notado, "não tinha papas na língua", como ela mesmo era capaz de frisar. Para tudo tinha uma opinião e a exata solução.

Sentia-se incapaz de errar, mas sabia ouvir e cortar na hora certa tudo aquilo que soava a ela como ilógico. 

Defeitos? Evidente que como todo ser que respira, os tinha. E a granel! Os piores? Ser Vasco, UDN e Portela. 

Qualidades? Muitas. A principal? Não levava desaforo na cara e "de modo algum, deixava para amanha, o que já deveria ter sido resolvido ontem", segundo ela mesmo apregoava aos sete ventos.

Prazer maior? Cinema. Clark Gable e Casablanca, não necessariamente nestas ordem.


Formação? Prendas domésticas, como se dia em sua época.

Seu maior maior amor, Lindolpho Gameiro Alvares, aliás o único e seu orgulho maior, acredito que eu ! 

 Pena que foi cedo.