
Quero deixar uma coisa clara. Para mim só existem duas coisas inevitáveis: o pagamento dos impostos e a morte.
O resto é subjetivo e pode ser resolvido de outra forma. Por isto escrevi uma vez que sempre prefiro falar de fatos acontecidos do que aqueles a acontecer. Uns são fatos outros suposições. E vocês entenderão o que quero dizer com a decrição das provas de Royal Ascot.
Ver o mundo alarga os horizontes. Logo, isto se aplica na vida real, como também na turfística. Não creio que possa se ver tudo. Não temos a capacidade de sermos onipresentes. Logo, existem certos meetings que você deverá assistir, pois eles tendem a englobar o que de melhor existe no mundo dos cavalos de corrida: a classe. Nos Estados Unidos, Saratoga e Keeneland lhe dão uma muito boa idéia do que está acontecendo na costa Este norte-americana.
A Breeders Cup, o fim de semana em Longchamp do Arc e o King George, são para mim as visões globais e muitas vezes de comparações entre diferentes centros. Contudo nada fixa em minha mente uma maior noção de classicismo que Royal Ascot. É o meeting dos meetings.
São 17 provas graduadas, iniciadas pelo Queen Anne, a senhora que praticamente inventou Ascot, escolhendo o rincão onde hoje o novo hipódromo reside.
Novo hipódromo mas antigas tradições. Ver a procissão real descer do topo da reta com suas cinco carruagens, pelos portões que o ligam ao castelo de Windsor é uma delas. Talvez a mais significativa de todas Há três anos não compareço pessoalmente, mas pelo menos, não deixo de acompanhar pela televisão ao vivo este meeting.
Gladiatorus e Paco Boy eram indubitavelmente os elementos mais credenciados a ganhar a milha do Queen Anne stakes (Gr.1). Embora o último nunca tenha provado para mim ser mais do que um excepcional flyer que chega a milha com o coração à boca e o primeiro nunca tenha participado de um meeting tão seletivo como Royal Ascot. O primordial problema de Paco Boy é que quando alguém quer se provar numa milha, a flat de Ascot em eterna subida, me parece uma das mais difíceis. Outrossim, seus responsáveis aceitaram o desafio e não acredito que tenham se arrependido. Ele superou-se. O que prova que falar sobre fatos acontecidos é sempre melhor do que elocubrações do que possa vir a acontecer. Ontem Paco Boy era visto apenas como um flyer. Hoje como um milheiro.
Gladiatorus, agora de propriedade da Godolphin foi mantido com o jóquei que o levou a fama, Ahmed Ajtebi. Assumiu a ponta e livrou quatro corpos, mas a 300 metros do disco já estava frito e pronto para ser servido com bolinhos de batata. Paco Boy corrido em último, foi se aproximando sempre contido, tomou a ponta sem ser sequer acionado e a 100 metros do disco partiu pata a vitória agora exigido por Richard Hughes. Vitória de luxo.
Impressionante como os cavalos adquiridos pela Godolphin tem a tendência de perder a classe - classe esta que os fez serem vendidos – e fracassam quase sempre em sua primeira apresentação. Do cavalo de maior rateio no mundo, ele chegou apagadamente Longe na sexta colocação – isto mesmo com L maiúsculo - batendo a apenas dois adversários.
1 Paco Boy (IRE) R Hannon Richard Hughes
b c Desert Style (IRE) - Tappen Zee (Sandhurst Prince)
2 1½ Cesare J R Fanshawe J. Murtagh
b g Machiavellian (USA) - Tromond (Lomond)
3 ½ Aqlaam W J Haggas R Hills
b c Oasis Dream - Bourbonella (Rainbow Quest)
4 ½ Main Aim Sir Michael Stoute Ryan Moore
b c Oasis Dream - Orford Ness (Selkirk)
5 4 Dream Eater (IRE) A M Balding Francis Norton
gr c Night Shift (USA) - Kapria (FR) (Simon Du Desert)
6 13 Gladiatorus (USA) Saeed Bin Suroor Ahmed Ajtebi
b c Silic (FR) - Gmaasha (IRE) (Kris)
7 3¼ Arabian Gleam J Noseda Seb Sanders
b h Kyllachy - Gleam Of Light (IRE) (Danehill)
8 19 Alexandros Saeed Bin Suroor L Dettori
ch c Kingmambo (USA) - Arlette (IRE) (King Of Kings)
9 3¾ Mac Love Stef Liddiard Micky Fenton
b g Cape Cross (IRE) - My Lass (Elmaamul)