
Senhor Renato,
Posso assim dizer que comecei ontem no turfe, mas meu pai tem cavalos de carreira na Argentina, embora ainda residamos aqui no Brasil. Tenho assiduamente lido seu blog, pois, pretendemos comprar num futuro a médio prazo igualmente no Brasil. Basta que as coisas melhorem em termos de premiação. Mas, sem ter nenhum cunho de critica, embora aprenda bastante em seu blog, o vejo um pouco afastado do Brasil e mesmo da América do Sul.
Porque o senhor não usa as mesmas estatísticas que usa para o resto do mundo para o Brasil, ou para a América do Sul? Por exemplo, um artigo sobre Southern Halo, que acredito que tenha sido o maior reprodutor da história Argentina.
Acredito que não só eu, como outros compradores deste mercado leiam seu blog e delem tirem importantes insumos. O senhor outro dia escreveu que dá a vara de pescar e deixa que seus leitores planejem sua pesca. Discordo. Como o senhor uruguaio que lhe respondeu logo a seguir, eu acho que o senhor dá a vara, o anzol, a minhoca, o barco e ainda mostra onde se encontram os peixes. Fica aqui a sugestão e espero que a tenha como uma critica.
Atenciosamente,
Linda Maria Munhoz
Linda,
Mesmo que levasse seu e-mail como uma critica, a aceitaria, pois, qualquer uma, que esteja embargada em bom senso tem que ser levada em consideração.
Primeiramente agradeço suas palavras, embora ache que minha contribuição é apenas da vara, talvez o anzol. Muito teria que dizer se o tempo tivesse, e ainda assim, sem ferir as informações que guardo apenas para os clientes. Mas agradeço sua gentileza
Com certeza você está plenamente coberta de razão em relação ao escrevo para o resto do mundo em relação ao que publico para o Brasil. Existem duas razões. Primeiramente que no Brasil ninguém aceita critica. O turfe é um fator de sentimentalismos. No Brasil ainda se corre pela glória, já que dinheiro não há. Acho louvável, pois, esta é a única forma de manter este mercado vivo. E segundo que cada um no Brasil pode tirar suas próprias conclusões sobre algo que passa por baixo de seus narizes.
Mas de vez em quando falo de linhas maternas e comento as grandes carreiras. Mas tomarei em conta seu pedido. Você poderá me cobrar no futuro se não estiver satisfazendo suas necessidades.
Quanto a Southern Halo, creio que você está apenas parcialmente certa. Considero Cipayo e Congreve, os dois mais importantes sementais do século XX, na Argentina. Respeito Diamond Jubilee, Cyllene e mesmo Botafogo, do inicio do século, mas os dois anteriormente citados são para mim os que melhor se saíram.
Southern Halo é um baita de um reprodutor, o melhor certamente destas duas últimas décadas. Mas falta-lhe stamina, consistência e aquela tendência que muito de sua progênie tem em sangrar, me preocupa.
Outro dia falei de tabela a respeito do tríplice coroado britânico Rock Sand. Seu principal filho Tracery, foi o seu mais importante continuador na Argentina, por intermédio de um filho seu chamado Copyright. Este último era um não muito reconhecido ganhador de duas carreiras, sendo a mais importante a de 3,200m chamada Gold Vase.
Mas Tracery tinha seus fãs e com certeza HH. Aga Khan e Federico Tesio eram dois deles, confirmado em livros escritos sobre os mesmos. Tracery era norte-americano, mas só correu na Inglaterra, já que no período em que estava apto para as pistas, o estado de New York fechou os hipódromos graças a um decreto levado ao congresso por um puritano senhor Hughes, que achava que esta era a melhor forma de se coibir o vicio do jogo. Como no caso da lei seca, jogou-se mais de 1910 a 1913 que no resto da década, pois, era mais excitante. Era proibido.
Mas na Argentina ele produziu a Congreve, e este foi um assombro na pista e no breeding-shed. Da linha de Blandford, que agora ressurge na Alemanha por intermédio de Monsun, descende Cipayo. Seu pai Lacydon venceu a milha e meia do Prince of Wale’s stakes em Royal Ascot e advinha do stayer Alycidon. Cipayo, juntamente com Forli e Interprete são para mim os três maiores milheiros que a Argentina produziu, e coincidentemente ou não, os três foram reprodutores de primeira categoria.
Outro fato curioso sobre Tracery, é que ele depois de servir sete anos para August Belmont, seu criador, ele foi vendido para o senhor Unzue na Argentina por 53,000 libras em 1920. Permaneceu três anos na Argentina, e depois de demonstrar baixa fertilidade, teve 2/3 de seus interesses vendidos de volta paracriadores norte-americanos por 36,000 libras, morrendo depois de sua primeira fornada onde veio a receber 40 éguas. Gozado é que de sua produção própria argentina nada sobreviveu, mesmo a curto prazo.