Nunca foi fácil se analisar uma prova como o Arco do Triunfo. A própria dificuldade da carreira, diante dos campos formados, por si só determinam um ponto "dificultante", outrossim, como tudo na França, existe um "complicador" a mais. E nas terras de Asterix, como não poderia deixar de ser, eles são dois: Primeiramente o paddock, que além de ser enorme, funciona na verdade como uma arena. Já vi alguns cavalos nele enlouquecerem. Nijinsky foi um deles e Much Better outro. Não que um tenha haver com outro, mas foram os dois que imediatamente vieram a minha mente. O segundo "complicador" é a pista, que varia muito e o pior, em pontos distintos. E aqui não entra aquela basófia que o grande cavalo se supera, pois, muitos são os grandes cavalos todos os anos inscritos, logo, qualquer vantagem dada a um, é um handicap difícil de ser vencido pelo outro.
Este ano o campo me parece equilibrado. Não existe um Ribot, um Alleged, um Peintre Celebre, um Monjeu, um Sea the Stars ou mesmo uma Zarkava. O próprio favoritismo de Serafina é relativo. Ela que deveria ter ganho ano passado, tem que provar estar no mesmo patamar de poderio locomotor, este ano. Por sua vez, o grande nome da temporada, Frankel, parece que até o presente momento, não reúne as necessidades mínimas de poder staminico, pelo menos o suficiente, para ultrapassar a milha e aqueles que têm e provaram isto, nas duas mais importantes provas inglêsas da milha e meia, como Nathaniel e Pour Moi, para mim, os dos melhores elementos desta temporada, na distância exigida pela prova, não estão entre os inscritos.
Serão possivelmente 16 a comparecer ao starting-gate, este domingo em Longchamp, digo possivelmente, pois, não vejo da parte de Alain Royer-Dupre, muita inclinação de trazer o companheiro de Sarafina, o ganhador do Niel, Reliable Man se as condições do terreno não estiverem propicias.
Após conhecido e decretado o forfait de Nathaniel - para mim até então um dos grandes nomes da prova - John Gosden teve que valer mão de seu ganhador do St. Leger, Masked Marvel (Montjeu-Waldmark por Mark of Esteem). Válido, porém não acho que realista. Vamos e venhamos, se exigir de seu proprietário 100,000 Euros para poder nominar para a prova um elemento que ganhou na esfera de grupos, duas carreiras este ano em 2,600 e 2,800 metros, me parece sem propósito. Está certo que o nome de Montjeu, a linha 5-h e um linebred em Lalun ajudam. Todavia, não vejo neste cavalo a velocidade necessária para arrancar uma vitória neste nível, na distância de 2,400m. Montjeu tende a dar stamina, e embora Mark of Esteem tenha sido um brilhante milheiro, a segunda mãe de Masked Marvel, foi um Champion Stayer, em seu pais de origem - a Alemanha - aos três anos de idade, quando venceu o St. Leger, local. Só se a pista estiver tirando muito da velocidade dos animais, vejo Masked Marvel com reais chances ao titulo.
Outro que foi suplementado, foi o três anos Meandre (Sickle-Penne por Sevres Rose). Não tenho nada contra um cavalo que tenha levado 7 corridas para quebrar seu status de perdedor. Entre os que estive, ou estou profissionalmente ligado, lembro que Much Better necessitou de três, recentemente Belo Acteon de cinco e se não me engano Cara Rafaela de quatro ou cinco. E no caso deste neto de Limamix, o fato de ter ganho o Grand Prix de Paris e ser segundo colocado para Reliable Man no Niel, ambas carreiras disputadas em Longchamp e na distância exigida para o Arco, por si só o credenciariam a um risco de desenbolso. Porém, se a isto somarmos o fato de seu treinador - André Fabre - ter vencido esta carreira em 7 oportunidades, que a linha materna 13-c, a quem pertence por sua vez já o fez em 3 (Akiyda, Sinndar e Rail Link), não vejo neste pedigree, e nem pelo que apresentou até aqui, a força necessária para se ganhar uma prova desta envergadura. Outrossim, há de igualmente se ressaltar, que outros 3 elementos treinados por este gênio, com pedigrees de igual ou menor valia, o fizeram. Logo, todo cuidado é pouco.
O ponto de grande força, do pedigree de Meandre é indubitavelmente sua quarta mãe, Apollonia. Tratava-se de mais uma das obras de arte de Marcel Boussac, já que tratava-se de mais uma das inovadoras estruturas genéticas por ele implatadas, na época. Filha do ganhador do Arco, Djebel, na ganhadora do Irish Oaks Corejada, ela era ainda Rasmussen Factor em Banshee na razão 4x5x5 e imbreed em Toubillon - para muitos na quase incestuosa razão de 2x3 - e em Teddy 4x5. Não tenho dúvidas que Fabré, gostaria de contar mesmo é com Pour Moi, o ganhador do Epson Derby, e que para mim seria um dos principais nomes desta prova. Este tinha tudo.: Pedigree, fisico e campanha. Montjeu em mãe Darshaan. Sonho meu... Mas quem não tem cão, tem que caçar com gato. E no caso, eu diria que Meandre é mais do que um gato...
O terceiro elemento a ser suplementado foi a alemã Danedream (Lomitas e Danetrop por Danehill). O fato de nenhum outro elemento treinado na Alemanha ter ganho o Arco desde 1975, quando Star Appeal surpreendeu a todos, não me apavora. Star Appeal era um britânico de nascimento, mas com seu pedigree germanizado. Diria que Acatenango, em um outro ano, poderia ter tranquilamente ganho o Arco. Todavia, no ano de Dancing Brave, Bering, Shahrastani e companhia, confesso que era dose... e até sua filha Borgia, o teria feito, se não houvessem as indigestas presenças de Peintre Celebre e Pilsudski. Ela foi terceira. Logo, não é bem por ai, ainda mais que esta descendente de Nijinsky, de nomes alemães, tem apenas a partir da mãe de seu pai Lomitas, La Colorada. Mas em contrapartida, uma forte dose de velocidade em sua mãe, a irlandesa Danedrop, produto do cruzamento do sprinter Danehill, no miler High Top. E é disto que a descendência de Nijinsky gosta, principalmente em seu veio difundido pelo stayer Niniski, ajuda. E ajuda muito!
Mas Danedream, não é apenas um belo pedigree. Terceira na milha e meia do Derby Italiano, e ganhadora a seguir dos 2,200m do Oaks daquele pais, ela somou duas vitórias importantes, em suas duas últimas aparições, nas milhas e meia do Grosser Preis von Berlin e a seguir no von Baden. Não é a toa, que o austero timeform, lhe conferiu a marca de 129, a maior entre os três anos em treinamento na Europa. Ou melhor, a segunda melhor, já que Frankel obteve até aqui 142. Mas há de se convir que este, pertence a uma outra estratosfera...Contra ela, vejo apenas um fato: nas duas vezes que veio a França, fracassou. A primeira pode se considerar até justificável, pois foi aos dois anos no Prix Marcel Boussac onde foi sexta. Mas a outra não. A milha e meia do Prix de Malleret em Saint-Cloud, não me parecia um bicho de sete cabeças. E ela não passou de uma quinta colocação, se bem que a menos de 1 corpo.
Continuaremos esta análise, amanhã, com aqueles que devem ser considerados, os grandes nomes da prova.
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