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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: SERIA TAMANHO, DOCUMENTO?

Sempre tive respeito pelo cavalos pequenos, onde eles viessem a correr. Northern Dancer foi um fenômeno nos Estados Unidos, Exbury na França e Hyperion e Mill Reef na Inglaterra. Com exceção do segundo, os três outros estão se eternizando nos pedigrees modernos clássicos. O que prova aquele ditado, que no turfe, tamanho nem sempre é documento. Coração, sim.

Mill Reef era um cavalo de não muita estatura mas de conformação forte, como Northern Dancer. Era compacto, equilibrado e com um tonus muscular excepcional. Para mim foi brilhante na milha e meia, excepcional nos 2,000m e para ganhar dele, mesmo na milha, tinha que ser um Brigadier Gerard.

Os dois nasceram na mesma geração e só se encontraram em uma única oportunidade. naquele célebre Two Thousand Guineas (Gr.1), que em mais de uma oportunidade me reportei aqui neste blog. Mas Mill Reef tinha aquele pedigree que faz realmente a diferença. Criado e corrido na propriedade de Paul Melon (Rokeby Stables - Virginia)

Aos dois anos Mill Reef - que descobri anos mais tarde, teve seu nome em função do Mill Reef Club em Antigua - demonstrou brilhantismo, mas nem de perto o cavalo que viria a ser aos três.  Estreou em Salisbury em Maio no Salisbury Stakes, e tendo que para tal bater a um franco favorito montado por nada mais, nada menos, que Lester Piggott. Sua segunda aparição se deu em Royal Ascot, onde venceu por oito corpos, o importante Coventry Stakes. O fez no bridão sem mexer um músculo sequer. Sua apresentação trouxe tanta confiança para seu treinador, o jovem Ian Balding, que foi decidido que ele iria atravessar o canal e enfrentar os melhores potros franceses nos 1,100m do Prix Robert Papin, na época uma carreira que fazia parte de um quádupla coroa para os 2 anos. A outras carreiras eram os 1,200m do Prix Morny de Deauville, os 1,400m do Prix de la Salamandre e a milha do Grand Criterium, ambas disputadas em Longchamp. No Robert Papin, ele conheceu sua primeira derrota, para um potro chamado My Swallow que acabou levantando a coroa e se transformando juntamente com Blushing Groom, num dos dois únicos potros a conseguir este feito.

De volta ao solo de origem, ele apresentou a mais impressionante performance de um dois anos naquela temporada, ao vencer os 1,200m do Gimcrack Stakes de York sobre o excelente Green God. Guardado para um burst of speed nos últimos 200 metros, quando dali partiu demonstrou uma superioridade inconteste, ganhando ainda por 10 corpos. Uma vez, em sua fazenda na Virginia, Paul Mellon me contou que como chovera copiosamente na véspera, chegou-se a aventar a possibilitar sua retirada da carreira. Mas ele, achou melhor correr e ver no que dava. E deu.

Optando por não correr o Middle Park Stakes, ele correu o Imperial Stakes de Kempton onde por um corpo bateu a Hecla, a quem deu na oportunidade, muita vantagem de peso e a seguir foi ao Dewhurst Stakes, que veio a vencer por 4 corpos. Há de se ressaltar que no Middle Park Stakes, um invicto potro chamado Brigadier Gerard colocou seus casquinhos de fora. Ele bateu com folgas a dois outros potros que se estabilizaram como excelentes sprinters nas temporadas seguintes, Mummy's Pet e Swing Easy.

Era uma geração de juvenis, extraordinária, já que My Swallow manteve-se invicto em 7 saídas as pistas e por isto a ele foi dado no European Free Handicap uma libra a mais que Mill Reef e duas em relação ao também invicto, em quatro carreiras, Brigadier Gerard. Assim sendo um embate entre estes três potros na milha do Two Thousand Guineas era o must sonhado por todos.

Para tornar uma história longa curta, Mill Reef voltou as pistas nos 1,400m do Greenham Stakes de Newbury e My Swallow, o 2,000 Guineas Trial Stakes de Kempton na mesma distância. Por isto dividiram o favoritismo da carreira. Porém foi Brigadier Gerard que levou a melhor, batendo por três corpos a Mill Reef e My Swallow. Foi a última vez que estes dois campeões vieram a se enfrentar.

Daí para frente Mill Reef nunca mais perdeu. Brigadier Gerard veio a perder sua invencibilidade para o Derby Winner Roberto, nos 2,200m do Benson & Hedges Gold Cup e My Swallow desceu a ladeira.

Mill Reef  venceu todas as carreiras que deveria ganhar aos 3 anos, as três mais importantes do universo europeu para  a milha e meia, o Derby, o King George e o Arco,  e uma das duas mais importantes nos 2,000m, o Eclipse Stakes. Aos 4 anos, quando parecia plenamente amadurecido, ganhou em Epson a milha e meia da Coronation Cup e em Longchamp, os 2,100m do Prix Ganay, quando então macou e não pode correr o seu segundo Arco.

European Champion Horse of the Year de 197a com um timeforme invejável de 143, ele ainda angariou para sí o Championship de 3 anos, sagrando-se novamente Champion Horse the Year, no ano seguinte, 1972. Um de seus feitos foi o de ter ganho seis provas de graduação máxima de forma sequencial. Para quem possa pensar que isto é um fato normal, seu recorde ficou de pé, por exatamente 30 anos.

Reprodutivamente excedeu até as maiores expectativas, produzindo elementos de extrema classe, principalmente em sua distância preferida, a milha e meia. Outrossim, o que mais me impressiona em sua descendência é ter ela contradito aquela eterna crensa de Federico Tesio, que uma extirpe não podia se manter em grande evidência, depois de 4 gerações.

Seu filho Shirley Heights ganhou os Derbies da Inglaterra e da Irlanda e produz a Darshaan, que ganhou o French Derby. Darshaan produziu a Dalakhani, um ganhador do derby Francês e do Arco, e que pelo tem demonstrado até o presente momento, a coisa não parece que vai ficar por ai. Principalmente se seu filho, Reliable Man ganhar, este Domingo o Arco.

Mill Reef, que por mim foi visitado em diversos anos no National Stud de Newmarket, morreu em 1986 e provou que tamanho não era documento, pelo menos para ele.