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HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

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STUD MY HERO DAD - SUMMERSET - foto de Porfirio Menezes

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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ENTREVISTA COM ANGEL CORDERO: ÚLTIMA PARTE PARTE

RG - Existe uma grande controversia a respeito da utilização do chicote. Uns chegam ao extremismo, achando até que deve ser abolido. Você que sabia usar deste artefato como ninguém, o que acha de tudo isto?
AC - Pode funcionar de ambas as maneiras. Para as pessoas que amam os animais, lhe parece lógico que ele seja abolido. Para os amantes do esporte ele é necessário. Eu acho como jóquei, que certas regras podem ser introduzidas. O peso do chicote, diminuído. Não creio que o cavalo sinta dor, ao receber o chicote. Ele sente uma espécie de quentura. Coisa momentânea. Nunca se esquecendo que o chicote é um elemento disciplinador. Quando você está com um dois anos, o chicote é a única forma de criar respeito e exigir concentração por parte de seu comandado. É como uma criança. Você não precisa espancá-lo para lhe ensinar algo. Mas você não pode muitas vezes se valer apenas das palavras. No caso das corridas, existem muito cavalos que não se concentram se não forem acionados com o chicote. E como manter, em muitas vezes um cavalo em linha reta sem o uso do chicote? Como alertá-lo que é hora de mudar de mão, para chegar a nova marcha? Sem o chicote, não vejo como fazê-lo. O importante é que nunca vi um cavalo quebrar, por causa de um chicote. Se ele for utilizado como elemento de alerta e disciplinador, o acho necessário.
RG - A limitação do número de vezes que possam ser usados, como é feito na Europa, seria a solução.
AC - Talvez. Mas como toda regra existirão exceções. E quando estas surgirem, como serão resolvidas? Uma coisa o publico tem que ter consciência. O cavalo que está no hipódromo tem um grande tratamento. Eu gostaria de ser tratado como muitos deles. E o são porque eles nos trazem prazer. Ninguém gosta de ver animal nenhum ser espancado. Seja ele gato, cachorro ou cavalo. Nós jóqueis, muito menos. Mas sempre é bom lembrar que estes (cavalos), que aqui estão, têm melhores condições de vida, do que aqueles abandonados em paddocks de pequenas fazendas, ou sendo obrigados a um trabalho de força.
RG - E o que você acha dos cavalos não serem pesados nos hipódromos?
AC - Acho estranho, por que nós somos pesados para controlhe do peso, antes de subirmos em um cavalo. Os cavalos igualmente deveriam ser, para melhor se aquilatar em que estado se encontram. O que perderam ou ganharam de uma corrida para outra. Acho isto muito importante.  Se estão ou não em perfeitas condições. Hoje isto é feito por olhos. Não é uma coisa exata. A balança ajudaria mais. Mas sempre foi assim aqui neste pais e acho que aqui nunca há de mudar.
RG - Sei que você é uma pessoa muito emotiva...
AC - Quem lhe contou isto?
RG - John...



Ele franziu o senho e então complementei;
-  Velasquez. John Velazquez...
Angel soltou uma tremenda gargalhada. 

AC - Nós latinos somos cheios de emoções. Talvez seja esta a razão que nós fazem a chegar a lugares, que pareciam anos atrás difícies de serem alcançados. Tem coisas que só nós latinos nos fazem se sentir arrepiados. Sentimos a coisa na pele, e acho que isto quando controlado funciona em nosso favor.

RG - ... em sendo assim, me conte uma das vitórias que mais lhe arrepiou.
AC - Foi certamente com Dr. Patches, quando este bateu a Seattle Slew, na Meadowlands Cup de 1978. Passamos a milha em 1’36”20. Eu entrei na reta na ponta, por fora dele. Ele a um corpo atrás. Mantinha-se junto aos paus. Não o via, mas sabia que ele ali estava. Sua presença era dificil de passar a desapercebido. Não queria arriscar um centézimo de segundo sequer contra ele. Permaneci, concentrado. Sem me preocupar em sequer olhar para ele.  E ganhamos. 2’01”30 - ele deu uma parada, como para se lembrar com mais exatidão do momento que descrevia e complementou - Tinha plena consciência que se um dia Seattle Slew poderia ser batido, aquele era o dia. Ele vinha de parado, nos dava 14 pounds e Dr. Patches estava correndo o fino. Mas depois de cruzado o disco e já descansado pensei quanta sorte tivemos, pois, o Slew era uma cavalo como poucos. ganhar dele, apenas no momento certo.
RG - Seattle Slew foi o melhor cavalo que teve o ensejo de montar?
AC - Não há dúvidas que foi e quando perdeu aquela Jockey Club Gold Cup, foi como alguma parte de meu corpo eu igualmente tivesse perdido.
RG - Velazquez está certo, você é um cara emotivo. Eu estava presente em Belmont, e aquela derrota me trouxe as lágrimas.
AC - A mim também. John é um bom menino. Um grande jóckey e acima de tudo um excelente ser humano. Profissionalmente ele está preenchendo as lacunas que não preenchi.


RG - Isto quer dizer que ele vai cometer menos erros que você?


AC - Qualquer um com uma dose de juízo na cabeça irá cometer menos erros do que eu. Mas ele é especial. Nasceu para o que faz e não se descuida nem fisicamente, nem psicologicamente do que quer. Seu grande sucesso não veio por acaso.
RG - Angel, não quero tomar mais o seu tempo. Durante quatro decadas você dominou o cenário novayorkino. Trouxe fans para este esporte e encantou a todos com aquelas suas demontadas, que hoje são em parte imitadas por um colega seu, Dettori. Três últimas perguntas. Quem foi depois de Seattle Slew o melhor cavalo a quem esteve associado? Qual o seu maior momento? E o seu pior?
AC - Quando o assunto é turfe e de alguma forma fazer algo em prol dele, para mim não existe limite de tempo. Sou o que sou e cheguei onde cheguei graças a esta atividade. Logo, qualquer que seja o tempo dedicado a ela, é pequeno. Mas respondendo a sua pergunta, no turfe, os dois piores momentos foram, sem dúvida alguma: o desta derrota de Slew e de minha barração em Iron Ruler. O melhor, foram muitos. Não saberia como dimensioná-los. Quando a outro que não Seattle Slew, eu penso que seu filho Slew O’Gold, era espetacular. Tinha aquele compromisso com a vitória que difere os cavalos bons dos excepcionais.
Não tive coragem de lhe perguntar, mas quando ele disse no turfe, creio que fora do mesmo. O seu pior momento deve ter sido, quando da perda de sua esposa em 2001.
RG - Você não têm como dimensionar seu, melhor momento. Mas eu tenho como dimensionar os meus. E este sem dúvida alguma, este foi um deles. Obrigado Angel.
AC - O prazer foi todo meu. Nunca pensei que pudesse responder a perguntas que normalmente fogem a minha área de trabalho. Espero apenas que tenha o feito bem.