Muito educadamente, me indagou se havia validade em anexar em minhas pesquisas resultados de centros turfísticos que não tinham uma expressão, reconhecida mundialmente. Porque o fez? Porque havia notado que ando colocando resultados de lugares como India, Macau, Singapura, Porto Rico e centros, teóricamente correlatos. Explico-me.
Para mim o bom cavalo pode vir de qualquer lugar. A Austrália quando ainda não tinha reconhecido o potencial que hoje é reverenciado por todo e qualquer conhecedor da matéria, apareceu com um cavalo chamado Phar Lap e infernizou a vida dos norte-americanos, tanto assim, que existem sólidas suspeitas que foi envenenado por interessados na manipulação de apostas, que vinham nele, um desmancha prazer . Aquele que batia a tudo e a todos. O russo Anilim, a húngara Kincsem, o italiano Nearco, o argentino Invasor, igualmente surpreenderam o mundo em suas respectivas épocas, o que sugere a pessoas como eu, que procuram manter sua mente aberta a qualquer possibilidade do mercado, que o bom cavalo pode vir de qualquer lugar. Seja este lugar onde for. O que difere os centros criatórios, é tão somente, o percentual anual destas aparições.
Venho notando uma melhoria qualitativa nos pedigrees de ganhadores de grupo na India. Se a vaca é sagrada naquele pais, nomes como Danehill, Sadlers Wells e Gone West certamente também o são. E os investidores locais têm seguidamente importado pedigrees que nós sul-americanos temos até aqui, alguma dificuldade em fazê-lo. Não tenho procuração de criadores indianos, interesse nenhum em por lá aparecer e nem Yoga faço. Mas a Cezar o que é de Cezar.
Este fim de semana por exemplo, houveram três provas de grupo na India, inclusive o seu Oaks que lá é corrido entre as quatro anos. A ganhadora da prova máxima para as fêmeas de uma mesma geração, foi uma filha de Holy Roman Emperor em mãe Galileo, imbreed em Northern Dancer na razão 4x4x4 e com uma quádupla duplicação na mãe deste, Natalma, no formato 5x5x5x5. Diria que a ganhadora dos 2,400m do Indian Oaks (Gr.1), de nascimento local Smashing, possui um pedigree reconhecidamente updated. Quem não concordar, apresente ai no Brasil, um melhor.
No mesmo fim de semana, não em Mumbai e sim no hipódromo de Kolkata, em uma outra prova de graduação máxima, os 2,000m da Indian Champion Cup, teve como ganhador, o igualmente 4 anos, Dandified, que apresenta um pedigree, que a primeira vista não chama a atenção de ninguém: Rebuttal em mãe Zafonic. Outrossim, ao dissecar este pedigree, veremos que ele é de uma estrutura genética hoje considerada altamente operante, já que é imbreed em Mr, Prospector 4x5x4, Gone West 3x3, Bold Ruler 5x5, além de ter uma duplicação em Flaming Page - mãe de Nijinsky e avó de The Minstrel - na razão 6x6. E ademais é um descendente da linha 22-d, justamente por um de seus dois atuantes ramos, o de Infra Red. E se isto por si só não bastasse, sua terceira mãe é uma irmã do consagrado Mill Reef. Logo, o que a primeira vista parecia comum, na verdade nunca o foi.
Mas houve ainda uma terceira carreira, um grupo 3, para sprinters. O Poonawalla Million na distância de 1,200m era um aperitivo do Oaks, mas teve como vencedor um três anos chamado Hachico. De procedência britânica ele é filho do Two Thousand Guineas winner Kings Best numa mãe Sadlers Wells, esta descendente da linha 7, que das linhas consideradas antigas, é a que modernamente mais resultados têm conseguido. Que tal este pedigree? Para mim serve...
E atentem, dos 10 já ganhadores esta temporada de provas de grupo na India, 9 (90%) tem pelo menos uma duplicação de um nome em seus pedigrees e 5 (50%) pelo menos uma duplicação de nome feminino. O que sugere que quanto mais frágil for o poderio genético de um centro criatório, menores percentualmente serão suas chances de ganhar provas de grupos. Isto não é uma opinião. Isto é um fato.
A India não tem ainda penetração internacional. Seus cavalos correm e ficam por lá. Mas até uma década atrás o mesmo acontecia com o Japão e olha como a coisa funciona agora. Por sua vez, poucos eram os corredores que abandonavam a Oceânia para aventurar-se em outros continentes e agora todos estão ansioso por ver a volta de So You Think, onde quer que esta seja e quem sabe, em Newmarket ou Dubai, a primeira investida internacional da invicta Black Caviar.
Mudando de um polo a outro, uma pergunta: valeria a pena o Horse of the Year Black Caviar arriscar sua invencibilidade de 16 corridas em uma aventura em outro hemisfério? Talvez, afinal vejam o que está acontecendo na Austrália em relação a ela. Sexta feira será corrido o Australia Stakes (Aus-G2) e ela a princípio saíu com 13 nominações. Mas esta carreira de 1,200m deve ser corrida com a metade dos pretendentes, já que um dos nominados é Black Caviar. E quando ela entre, muita gente sai.
Ganhadora de 7 provas de graduação máxima ela tentará estender seu número de suas vitórias para 17 em Moone Valley. Mesmo estando fora das pistas desde o dia 5 de novembro quando laureou-se no Patinack Farm Victoria Racing Club Classic (Aus-G1) de Flemington, ela é produto de temor e já "afungentou" inclusive a ganhadora do VRC Oaks (AUS-Gr.1) Mosheen, cujas conexões ao sentirem a presença da invicta, imediatamente indicaram o forfait de sua pupila, alegando a necessidade de mais uma semana de treinamento para ter ela pronta.
Digo e repito, o grande cavalo pode vir de qualquer lugar. Quem não acredita é porque nunca esteve associado a um deles.
