Caro Renato,
Você acha que um bom Rasmussen Factor pode garantir sucesso reprodutivo?
Meu caro Marcelo,
Não estou bem certo que crer é poder no turfe, mas penso que crendo em coisas provadas estatísticamente como geneticamente corretas, existe uma grande chance de se ter sucesso. Afinal atirar mirando no pássaro quase sempre é melhor do que fazê-lo de olhos fechados. E por isto, penso bastante nas linhas que se mostram em extinção, pois, o que foi um dia monumental, de uma hora para outra, praticamente se extinguir é para mim, no mínimo entristecedor. A exceção do muro de Berlim, torço que para que o monumental pelo menos continue monumental e assim demonstre as razões de sua monumentalidade.
Veja o caso de Tourbillon. Um monstro sagrado nos pedigrees dos grandes elementos clássicos franceses, até a metade do século passado. Ai, com o passar dos tempos, foi diminuíndo sua importância nas linhas superiores e hoje esta é praticamente nenhuma. Na verdade não adaptou-se as necessidades modernas. Sobrevive praticamente de Lorenzaccio, via seu mais fidedigno mensageiro, seu filho Ahonoora, cujas características aptitudinais fugiam as da grande maioria dos descendentes de Tourbillon.
LORENZACCIO
Lorenzaccio bateu a Nijinsky naquele fatídico Champion Stakes de 1970 que decretou o retiramento do campeão canadense das pistas, e por isto mesmo foi execrado por muitos, pelo simples fato de ter derrubado um mito. Quando Nijinsky perdeu a carreira anterior, o Arco, para Sassafras por diferença mínima, muita das razões de sua inesperada derrota foram imputadas a Lester Piggott. Mas agora não havia como repetir a dose. A verdade era apenas uma. Nijinsky não era mais o mesmo.
Mas não seria mesmo? Ou Lorenzaccio era um grande cavalo que poucos conseguiam enxergar? Para mim Lorenzaccio era um cavalo de grande ecleticidade. Ganhou dos 1,200 aos 2,200 metros, dos 2 aos 4 anos e em sua época foi obrigado a enfrentar cavalos de grande quilate como o já citado Nijinsky e mais o especialista Zeddaan e importantes éguas como Madina, Park Top e Flossy.
O que sempre me cativou neste cavalo e creio eu ser esta a razão principal da perpetuação de sua extirpe, foi sua mãe Phoenissa (uma filha do honesto The Phoenix) ser imbreed na razão 4x4 na grande matriarca Friar's Daughter e linebred na não menos importante Canterbury Pilgrim, dentro de uma estrutura 7x7x6x6x6. Phoenissa era também imbreed no grande chefe de raça Phalaris na razão 5x5 e sua mãe Erica Fragrans em Blandford 3x3 e na já descrita Canterbury Pilgrim 5x5x5.
Creio licito se afirmar, que antes do explendor da Coolmore e da invasão de criadores de outros recantos do mundo na Irlanda, que o Capitão Tim Rogers foi o seu mais importante criador. Ele cobriu Phoenissa com o reprodutor francês Klairon - visto já por muitos, como em inicio de decadência - e com isto gerou a uma alazão, com apenas uma duplicação em seu pedigree na razão 6x6. Mas esta duplicação era na matriarca Chelandry, a criadora do ramo 1-n, que hoje brota no mundo como um dos de maior ascenção da era moderna clássica.
Chelandry foi uma égua extraordinária, dentro e fora das pistas. Ganhou os 1,000 Guineas e foi segunda tanto no Oaks quanto no St. Leger, o que em outras palavras quer dizer, que esteve perto de ser triplice coroada na Inglaterra. Ganhou cinco carreiras que foram dos 1,200m aos 1,600m, o que sugere que talvez fosse limitada em stamina, embora classe não lhe faltasse. Reprodutivamente produziu 16 produtos, nunca ficando uma temporada sequer vazia e dentre seus filhos há de se destacar o ganhador dos Guineos, do Champagne, do Craven, do National, do Imperial Produce e do Eclipse Stakes - este empatado com Derby winner Lemberg -, Neil Gow.
Uma produção Earl of Rosebery, Chelandry tinha um pedigree calcado em imbreeds em éguas superiores, tais como Ellen Horne 5x4 e Banter 6x6x6x6, razões estas, a quem atribuo sua alta capacidade de transmissão que sobrevive até os dias de hoje.
Quem acompanha o que escrevo já deve ter notado a devoção que tenho por Chelandry e sua extirpe 1-n, que não é de hoje. Uma das grandes alegrias que tive, foi poder ter comprado com a ajuda do Jose Carlos Fragoso Pires junior em Fasig Tipton, ainda desmamada, a potranca Lady Six, que mesmo filha de um cavalo por quem nunca tive respeito, o eventual ganhador do Kentucky derby Sunny's Halo, decendia de Chelandry e tinha como avó, a sensacional filha de Habitat, Bitty Girl, british champion 2yo a seu tempo onde igualmente demonstrou ser uma sprinter de primeiríssima qualidade, mesmo em confronto com os machos.
Lady Six, se não estou enganado, ganhou 8 carreiras, sendo uma delas de graduação 3, o que acredito tratar-se de um must, sendo ela filha de Sunnys Halo. Outrossim, mesmo para os detratores do óbvio é claro que a fonte de sua classe, estava em sua linha materna, provada anos depois, ai mesmo no Brasil, quando sua mãe Size Six, veio a tornar-se a avó do ganhador do GP. Latino Americano, Hot Six.
Se Lorenzaccio não foi um monstro em pista, diria que é, pelo menos, o sustentador da tribo Tourbillon, hoje no universo turfístico. Uma linha que em 2011 produziu a apenas 4 ganhadores de grupo no mundo, mas três via seu filho Ahonoora, como pode ser notado no diagrama que se segue.
AHONOORA
.....Djebel
..........Clarion
...............Klairon
....................Lorenzaccio
.........................Ahonoora
..............................Indian Ridge
...................................Compton Place
........................................DEACON BLUES (Gr.3/Gr.3/Gr.2 - GB; Gr.3 - IRE)
...................................Nicobar
........................................DUNADEN (Gr.1/Gr.3 - AUS; Gr.3 - FR)
..............................Topanoora
...................................Even Top
........................................CIRRUS DES AIGLES (Gr.2/Gr.3/Gr.3/Gr.3 - FR)
..........My Babu
...............Better Boy
....................Century
.........................Rubiton
..............................OCEAN CHALLENGER (Gr. 3 - AUS)
Esta é a forma como me sinto seguro de lhe responder Marcelo, esperando que esta possa, pelo menos, lhe demonstrar o respeito que tenho para com as duplicações em éguas superiores, como perpetuadoras de linhas de transmissão.
O resto é história para inglês ver.
Abraços
Renato Gameiro


