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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

MANY ARE CALLED AND FEW ARE CHOSEN!

Obrigado pelo esclarecimento, Renato. 
Acho mesmo que essa égua vai longe. Zenyatta, até se por a prova, havia ganho de pouquissimas maquinas. Quando vejo ela correr, tenho a impressão que tu disse que tem as vezes: mesmo que a parceria nao corra nada, dá para saber que ela corre. abs. 


Marcello Giullian


Marcello,


"Many are called and few are chosen!"


Muitos são chamados, mas apenas alguns escolhidos. Isto acontece em todos os setores do universo. Dos humanos, aos animais e no caso dos cavalos de corrida, esta máxima bem norte-americana, é o exemplo real da validade da mesma. Escrevo isto me lembrando do que você, Marcello, escreveu anteriormente.


Naquela oportunidade, quando defendia a qualidade de Awesome Feather, escreveste: "... sei que você costuma enxergar mais do que os outros um poderio locomotor incomum..." Agradeço, mais não mereço. Eu apenas sinto quando um cavalo tem aquela vontade de vencer. Aquele elemento que gosta do que faz. Corre por prazer pois, aquela é a sua sina. A sua convicção. O seu destino. Resumindo, entre os muitos chamados, eles são os poucos escolhidos. Possuem algo dentro de si, que os torna especiais. Aquela vontade de vencer, de batalhar de alcançar o seu objetivo. E eu, em algumas oportunidades capto.


Deus me deu a oportunidade de estar associado a cavalos como Much Better, Da Hoss, Hard Buck, Cara Rafaela, Little Baby Bear, Sea-Girl, Indian Hope e tantos outros grandes cavalos que me ensinaram a "sentir" esta diferença. Deus igualmente me brindou com a sorte de poder trabalhar com profissionais como o João Maciel, o Guignone, o Mário Campos, Byrne, Lukas, Mandella, Clement e tantos outros aqui não citados mas igualmente importantes. E você aprende que eles chegaram onde chegaram, pois são os escolhidos, não apenas os chamados. O mesmo em relação a veterinários, criadores, enfim, a todo aquele que participa desta atividade. De cada um você aprende uma coisa, de todos se tem a mesma impressão: são elementos diferenciados.


Logo, o tempo e a capacidade de observação para a qual fui treinado em minha formação de arquiteto, me fizeram aprender a separar o joio do trigo, e mesmo assim em várias oportunidades sou pego de surpresa, tanto no erro quanto no acerto. Não foi dificil divisar uma Zarkava, um Sea the Stars, um Frankel. A forma como atuam, parece os colocar em um outro tipo de raça. Mas como você e muitos, custei a sacar Zenyatta e quando o fiz, senti que ela era especial. Mas por incrível que possa parecer grande parte da imprensa especializada daqui não era da mesma opinião. Fizeram Rachel Alexandra o cavalo do ano. Enfureci-me na oportunidade. Outrossim, nada melhor que um dia depois do outro, e no final do ano seguinte era Zenyatta que estava lá, enquanto Rachel se perdeu pelo caminho. Custei a aceitar o poder de um Derek, mas já na estreia pude escrever que não haveria elemento equino vivo no Brasil, capaz de bater a Itajara. E acredito até, que você esteja certo em relação a Awesome Feather. Ninguém se mantém invicta em 9 saídas as pistas por obra e acaso do espirito santo. Logo, posso estar comendo mosca.


A falta de atenção que tive inicialmente para com Zenyatta, me fez ser mais condescendente em relação a Havre de Grace, e já em Março afirmava que ela seria o cavalo do ano, como o foi. Não tenho a mesma impressão wm relação a Awesome Feather e espero que esteja errado, pois, não seria nada mal que ela viesse a se tornar pelo menos uma Blind Luck. Para se citar algo de bastante moderno. Logo, são os próprios cavalos que o ensinam, onde você deve direcionar o seu nariz. Quanto ao faro, isto é a experiência de cada um que determina.


Mas quanto ao elogio, obrigado.


Renato Gameiro