Prezado Renato,
Tenho visto sua luta para ajudar nosso Turfe a tomar um rumo positivo, após anos da inércia, que resultou no que se vê hoje: hipódromos abandonados pelo publico, suas áreas vendidas para beneficio de poucos, proprietários de cavalos injuriados com o que vêem estar acontecendo e não vendo perspectivas de ter retorno do dinheiro investido, mesmo com uns ainda sonhando que possam tirar um craque que pague o total da conta e como de fato isso é um em mil o mais provável é o prejuízo, o que resulta em cada vez menos proprietários e menos compradores para os potros das novas gerações e essa equação de fato fica difícil de ser resolvida e vejo vc ainda lutando o que me faz, tentar fazer a minha parte e assim dentro das minhas possibilidades eu comprei dois potros, hoje um com 3 anos a outro com 2 ainda inédito e tentei seguir o máximo o que aprendi lendo seus ensinamentos, e fui atrás para comprar o mais próximo dentro do que seja razoável para um amante do Turfe que vai correr cavalos no Brasil e não tem dinheiro para jogar fora...
... escrevi para te dizer que estou curioso, para saber o resultado dessas duas compras de dois produtos completamente diferente, em sua genética, sendo um seguindo a inteligência e o estudo de quem conhece e outro seguindo o meu coração, o 1º já mostrou que é corredor, vamos ver o outro... e lógico que eu acho que vc pelo seu conhecimento sabe que tem muito mais chance de dar certo o que segue a modernidade e onde seu pai tem excelentes percentuais, como tem o Christines Outlaw, do que o outro que tem baixos percentuais, mas que por outro lado quando dá..., dá craque de Grupo 1.
Abraços e antecipadamente agradeço sua atenção...
Abraços...
Paulo Bonilauri
Paulo,
Obrigado por mais estas palavras gentis que você sempre pronuncia em relação a meu trabalho. E eu acho que você tocou num ponto que creio ser importante: embora eu use de toda a tecnologia que está a meu alcance para fazer um cruzamento ou mesmo uma seleção, nunca me afastei daquele instinto que me trouxe onde me encontro atualmente.
Se alguns pensam que não estou em lugar nenhum,é um direito que lhes assiste, paciência, eu achei o meu lugar e lhe afirmo que é bastante difícil se chegar nele e mais ainda se manter no mesmo, pois, resultados são necessários a cada ano. Pois, embora o turfe em sí seja embasado em tradição, logo depende bastante do passado. vive-se o presente para se ter um futuro. Mas aqueles profissionais que nele militam, não podem se dar ao luxo de viver deste passado. Pelo menos a médio prazo. Todos nós somos obrigados a apresentar resultados e para tal se torna mais do que necessário a repaginação constante. E esta apenas se dá, se você estiver update, a cada carreira, seja ela disputada em qualquer que seja o hipódromo e condições. para você ter uma ideia, hoje correu em Dubai a prova de grupo de número 189. Assim sendo, foram 86 disputadas no hemisfério sul e 103 no hemisfério norte. Na América do Sul 38 e apenas 7 no Brasil. Isto lhe demonstra os distintos universos de pesquisa que a cada um tem, conforme o nível de intensidade de informações, absorvido. Mas porque penso não só globalmente como regionalmente?
Quando era guri tive uma sorte muito grande, que só vim a entender muitos anos depois. Fui matriculado na primeira serie primária do Colégio Santo Ignácio do Rio de Janeiro, que era reconhecido, como o melhor do Rio de Janeiro e um dos melhores em termos de ensino e disciplina do Brasil. Eram oito turmas, que passavam a ser sete na segunda série, seis na terceira e chegava-se ao que eles chamavam de admissão com cinco. Um funil, onde os 30 piores alunos, eram convidados a deixar o recinto. Creio que esta era a maneira que os jusuítas entendiam como a melhor forma de acirrar a competitividade e minimizar a chance de cola. Afinal na ótica deles, o simples fato de ajudar um colega poderia lhe tirar uma vaga, no final daquele funil.
Nunca tive aptidões cléricas, logo, não sei se a formula deles funcionava ou não, neste sentido. Eu colava e ajudava aos amigos que precisavam, da mesma forma. Pois bem, do admissão à quarta série ginasial a coisa apertava. Quatro turmas na primeira e segunda série, três na terceira e quarta, para chegar a duas naquilo que era reconhecido como o científico.
O mal ou bem em 1969 me formei no Santo Ignácio e de alguma forma posso dizer que venci o desafio. Entrei bem colocado na faculdade e um dia me formei arquiteto. Mas durante a minha vida Inaciana, descobri que a memória embora fosse um grande aliado do estudante, principalmente no tocante a matérias, como história e geografia - que eu particularmente amava - não me ajudava tanto no raciocínio matemático. Foi quando com a ajuda de um senhor chamado Jacques Chambriard, descobri que a matemática era uma ciência exata e que as formulas que a conduziam não deveriam ser decoradas e sim deduzidas. Aprendi a tomar conhecimento como uma formula era composta e partir dai passei a ter um raciocínio distinto. O que, igualmente, me ajudou na matéria chamada descritiva, que é a base da formação de um arquiteto e mesmo de um pesquisador.
Esta imagem descritiva e a capacidade de sair do zero para montar uma formula ou mesmo consubstanciar uma teoria, foi se solidificando em meu raciocínio sem eu ao menos tomar conta. O que eu quero dizer é que ter noção dos resultados é importante. Aliás, basta apenas se ler as estatísticas. Outrossim, mais importante que isto é, em meu parecer, saber como se chegou a aquele resultado e porque. Pois, por mais fidedigno que seja um universo, ele é tendencioso. Época, tipo de pista, calendário, adversários, montam um modus vivendi próprio para aquele determinado momento e para aquele lugar. Ele pode ou não ser aplicado para uma outra época e lugar. Mas nem sempre funciona. Se você soltar o Guignone de para-quedas em Newmarket, ele vai levar um tempo para ser o Guignone do Rio de Janeiro. E talvez, nunca o consiga o ser. Na ordem inversa o mesmo aconteceria com o Henry Cecil se aportasse no Rio de Janeiro. Com qualquer tipo de estatística a coisa funciona da mesma forma. O que funciona aqui, nem sempre servirá para acolá!
Por isto embora apresente estatísticas mundiais, particularmente as subdivido em hemisférios, para então separá-los em continentes, até chegar aos países. Analiso e tiro minhas conclusões, que apresento para os patrocinadores de meu blog e para os clientes que compram comigo. Mas acho que seria por demais egoísta limitar todo este cabedal de informações a apenas um dúzia de pessoas. Assim no blog, disserto sobre a base que embasa minhas teorias e apresento 70% dos resultados - que na realidade são os de maior vulto. Trocando em miúdos, dou a vara de pescar e um mapa que bem decifrado pode fazê-lo localizar onde existe a maior probabilidade de se achar peixes. O que pesco, o faço apenas para os patrocinadores e clientes.
Alguns como você, acreditam e tiram suas próprias conclusões e este é objetivo deste blog. Para os que não acreditam, desejo uma boa sorte. creiam, pois, irão precisar. Formar uma consciência é o objetivo, pois, se todos remarem em uma mesma direção, torna o barco mais veloz, seguro e competitivo. Em meu trabalho uma criação brasileira forte e competitiva me ajuda a pagar as contas por aqui. Terei assim, mais uma vez a oportunidade de trabalhar os Hard Bucks, Gloria de Campeão, Einstein, e outros que para fora das fronteiras do Brasil induzi, e elevaram o nome do turfe brasileiro. O que é impossível é se transformar uma sardinha em tubarão, principalmente em um oceano tão turbulento, como o do hemisfério norte. Até na hora de selecionar o que em minha opinião vai funcionar ou não aqui, tenho que considerar diferentes referenciais.
Quanto ao turfe brasileiro, sou um leigo a dar algumas opiniões pessoais. o que escrevo são tão somente, produto de observações. Admiro verdadeiramente a abnegação de todo e qualquer diretor de clube turfístico, embora nem sempre coadune com a forma de alguns pensar e agir.
Quanto ao turfe brasileiro, sou um leigo a dar algumas opiniões pessoais. o que escrevo são tão somente, produto de observações. Admiro verdadeiramente a abnegação de todo e qualquer diretor de clube turfístico, embora nem sempre coadune com a forma de alguns pensar e agir.
Renato Gameiro
