Conheci o Chico Anisio, como todo mundo conheceu: via os meios de comunicação. E como todos os demais, dele me tornei um fã incondicional. Seu talento era invulgar. Seu carisma arrebatador. Seus personagens irresistíveis. Criticou a ditadura com tal requinte, em forma de critica de costumes, que nunca chegou a ser censurado ou mesmo deportado. Era nordestino e resgatou o respeito daqueles de que de lá vêm e aportam no sul. Não poderia se dizer que fosse um Adonis, mas basta ver pelo número de mulheres bonitas e inteligentes, com quem ele se casou e saiu, para se notar a grande capacidade de convencimento que dispunha. Conversar com ele era um prazer. Não era apenas a inteligência e o bom humor que caracterizavam sua prosa. O ritmo e o conteúdo eram seus pontos altos. Tinha requinte e espiritualidade.
Era um criador em todas as áreas. Vi suas pinturas, tomei conhecimento de seus livros, dei uma olhada em um dos roteiros que escreveu para o cinema, compunha músicas era um ator de mil e uma faces. Completo em tudo o que fazia.
Um dia ele entrou no turfe. A primeira vez de forma desastrosa. A segunda melhor. Não sei se gostava dos cavalos, mas lhe agradava a ação. Quando resolvi me aventurar e partir para uma vereda literária, foi ele que fez questão de escrever a introdução, do Submarino da Lagoa Rodrigo de Freitas. Até hoje me sinto envaidecido com o que escreveu.
Poucas pessoas são reconhecidas por seu nome de batismo. Lester foi um deles. Chico outro. Pois é ele se foi. Dias após ao Ernani de Freitas e da queda mental apresentada pelo Antônio Alvani. São perdas irreparáveis. Minha vó Adelina sempre me lembrava que ninguém é insubstituível. Pois bem, pela primeira vez sou obrigado a discordar. Tenho consciência que a suave criatura estava errada. O Chico era.
