Fala-se bastante e agi-se pouco. Esta é uma das facetas do turfe. Talvez por isto esta atividade, esporte, enfim, a forma que você leitor queira chamar, seja tão eletrizante e nos traga tão boas e más sensações. E igualmente por esta razão, os mais conceituados treinadores com que convivi profissionalmente, fossem praticamente mudos.
E não é pelo fato de em boca calada não entra mosquito, como minha vó Adelina sempre me prevenia que isto acontece. É porque o grande treinador tem mais dúvidas que o médio e tem que dosar sua coragem numa muito maior escala do que o ruim, cuja ignorância o faz dormir bem e pensar que sua vida é uma beleza.
O turfe engana. As vezes um terceira colocação a 12 corpos lhe trás felicidade, pelo simples fato de agora você poder dizer que seu elegido tem colocação em prova graduada. Desculpem, mas 12 corpos são dois segundos. E dois segundos, me desculpem, é outra prova. Exprimentem chegar 2 segundos depois que o avião partiu...
Moral da ópera, não é fácil se treinar um cavalo de corrida. Engana-se quem pense de forma distinta. Pois, é básicamente nos extremos que as coisas qusse se igualam. E vocês sabem por que? Porque nesta atividade se trabalha com segundos, não com minutos e muito menos horas, dias ou qualquer parâmelho a se escolher. E muitas vezes este limites que tem que serem alcançados e mantidos, são decididos pelas frações destes segundos. E limites e segundos, não são o que são, por obra e acaso do espirito santo.
Quanto melhor o cavalo, maior tem que ser a atenção do profissional. Por que falei em extremos? Porque se o craque é dificil de se treinar, o matungo é por sua vez impossivel. O médio, pelo menos dá para se ir levando, já que em pouco tempo o bom treinador descobre seu limite e passa a conviver e explorar os mesmos.
Limite é o x do problema. Quanto melhor o cavalo, mais dificil de se aquilatar o seu limite. E quanto mais alto for este limite, mais complicado será conseguir mantê-lo e consequentemente explora-lo de forma conveniente. Imagine uma máquina que possa funcionar sempre em todo o seu potencial, toda vez que for exigida. Como um fórmula 1. Vida curta. E cavalos não podem ser reconstruídos como os carros de corrida, de uma prova para outra. Penso que o treinador ideal é aquele que pode pedir por 100% de seu pupilo, sem que nada seja tirado. Aquele que pede por 110%, tira. O que o faz na faixa dos 80% não o explora da forma como poderia.
Dos treinadores europeus que acompanho, de fora e sem conhecer a fundo o seus respectivos dia a dia, acho que André Fabree Alan Royer-Depré na França e Henry Cecil e Michael Stoute na Inglaterra - estes últimos ambos sir -, são para mim, os dois mais significativos exemplos de profissionais que sabem explorar os 100% que um cavalo pode lhes dar, sem tirar do mesmo aquilo que o fará sucumbir com o tempo. Nos Estados Unidos Richard Mandella, Christopher Clement, Michael Matz, Graham Motion, Barclay Tagg e Bob Baffert.
Evidentemente que isto é uma opinião estritamente pessoal e que pode mudar conforme o andamento das coisas. e entre estes “andamentos”, a qualidade do cavalo acaba por determinar o sucesso do profissional. Não há quem faça um cadeira correr. Qualquer que seja a medicação a ela dada e o treinamento ministrado, ela sempre será uma cadeira. da mesma forma que nem sempre os treinadores são o que são. Cecil para chegar onde chegou quebrou muitos pelo caminho. Hoje com Frankel, dá aulas de preservação. Vocês já imaginaram quão dificil é se treinar um cavalo com a volupia de Frankel? Como fazer qualquer animal chegar gradativamente as 138 libras, que agora lhe conferem, sem se perder pelo excesso pelo caminho? Um cavalo não atinge este potencial com a idade ou porque melhoraram sua aveia. Ele sempre o teve. Latente, a espera que seja explorado. Como uma pedra preciosa, ela é preciosa desde o moemnto que foi garimpada. O grande profissional a faz chegar a vitrine da Tyffany’s. O mal a perde pelo caminho e faz valer como uma peça de vidro.
Baffert é um grande profissional. Como Cecil, já teve época de transformar muito diamante em bijouteria. Todavia, não mais. Muito cedo chega a explorar todo o potencial que um cavalo pode provar em pista. E não os quebra como muita gente pensa. Os mais importantes cavalos deste treinador correram igualmente aos quatro anos e em momento algum, demonstraram queda de capacidade locomotora. Real Queit, Silver Charm e Midnight Lute são três exemplos disto. E nenhum deles com pedigrees que pudessem sugerir um dia que fossem reconhecidos como craques. O problema deste grande treinador é que como a grande maioria dos sediados nos Estados Unidos, têm datas em suas cabeças. As Breeders Cup e o Kentucky Derby são evidentemente para eles tão importantes quanto suas vidas. Bodemeister pagou o preço de não ser aquele cavalo que aflorou na hora certa. Não sei por que cargas dágua, atrasou-se em seu desenvolvimento e teve pouco tempo para estar tinindo para a disputa da tríplice coroa. E por distâncias pequenas deixou de ser o cavalo hoje, a poder ser triplice coroado. Outrossim, Baffert provou outro ponto para muitos, não tanto para mim, que já havia notado na campanha de Midnight Lute: mesmo dentro da adversidade ele soube explorar os 100% de seu pupilo. O problema é que os 100% que Bodemeister pode dar hoje, me parece ainda um pouco menor do que os 100% que um dia ele irá dar.
Mas este esporte se complica, quando existem outros adversários em condições identicas. I’ll have Another é outro exemplo. este alazão me dá a impressão que ainda não usou seus 100%. está ainda na faixa dos 80%, 90%. Tem a medida de Bodemeister, como um dia a tinha de Creative Cause. E usa o necessário, para apenas suplantá-los. Hoje para mim o parâmetro entre os dois primeiros colocados no Kentucky derby e no Preakness Stakes, é Creative Cause, que cada dia chega mais afastado. Pelo menos três adversários descansados e que de alguma forma já provaram qualidade, estarão de volta a pugna. Um deles o possível substituto de Bodemeister, Paynter, que um dia nos referimos aqui como um cavalo a se notar. E entre eles não estou contando com Dixie Union, que foi quem atingiu sua plenitude mais cedo do que todos, mas mesmo em que peze a seriedade e a capacidade profissional de Michael Matz, e contar agora com John Velasquez, este ano, ainda não provou sequer, de te-la mantido.

