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sexta-feira, 25 de maio de 2012

25 MINUTOS CRAVADOS


Fala-se bastante e agi-se pouco. Esta é uma das facetas do turfe. Talvez por isto esta atividade, esporte, enfim, a forma que você leitor queira chamar, seja tão eletrizante e nos traga tão boas e más sensações. E igualmente por esta razão, os mais conceituados treinadores com que convivi profissionalmente, fossem praticamente mudos.

E não é pelo fato de em boca calada não entra mosquito, como minha vó Adelina sempre me prevenia que isto acontece. É porque o grande treinador tem mais dúvidas que o médio e tem que dosar sua coragem numa muito maior escala do que o ruim, cuja ignorância o faz dormir bem e pensar que sua vida é uma beleza.

O turfe engana. As vezes um terceira colocação a 12 corpos lhe trás felicidade, pelo simples fato de agora você poder dizer que seu elegido tem colocação em prova graduada. Desculpem, mas 12 corpos são dois segundos. E dois segundos, me desculpem, é outra prova. Exprimentem chegar 2 segundos depois que o avião partiu...

Moral da ópera, não é fácil se treinar um cavalo de corrida. Engana-se quem pense de forma distinta. Pois, é básicamente nos extremos que as coisas qusse se igualam. E vocês sabem por que? Porque nesta atividade se trabalha com segundos, não com minutos e muito menos horas, dias ou qualquer parâmelho a se escolher.  E muitas vezes este limites que tem que serem alcançados e mantidos, são decididos pelas frações destes segundos. E limites e segundos, não são o que são, por obra e acaso do espirito santo.

Quanto melhor o cavalo, maior tem que ser a atenção do profissional. Por que falei em extremos? Porque se o craque é dificil de se treinar, o matungo é por sua vez impossivel. O médio, pelo menos dá para se ir levando, já que em pouco tempo o bom treinador descobre seu limite e passa a conviver e explorar os mesmos.

Limite é o x do problema. Quanto melhor o cavalo, mais dificil de se aquilatar o seu limite. E quanto mais alto for este limite, mais complicado será conseguir mantê-lo e consequentemente explora-lo de forma conveniente. Imagine uma máquina que possa funcionar sempre em todo o seu potencial, toda vez que for exigida. Como um fórmula 1. Vida curta. E cavalos não podem ser reconstruídos como os carros de corrida, de uma prova para outra. Penso que o treinador ideal é aquele que pode pedir por 100% de seu pupilo, sem que nada seja tirado. Aquele que pede por 110%, tira. O que o faz na faixa dos 80% não o explora da forma como poderia.

Dos treinadores europeus que acompanho, de fora e sem conhecer a fundo o seus respectivos dia a dia, acho que André Fabree Alan Royer-Depré na França e Henry Cecil e Michael Stoute na Inglaterra - estes últimos ambos sir -, são para mim, os dois mais significativos exemplos de profissionais que sabem explorar os 100% que um cavalo pode lhes dar, sem tirar do mesmo aquilo que o fará sucumbir com o tempo. Nos Estados Unidos Richard Mandella, Christopher Clement, Michael Matz, Graham Motion, Barclay Tagg e Bob Baffert.

Evidentemente que isto é uma opinião estritamente pessoal e que pode mudar conforme o andamento das coisas. e entre estes “andamentos”, a qualidade do cavalo acaba por determinar o sucesso do profissional. Não há quem faça um cadeira correr. Qualquer que seja a medicação a ela dada e o treinamento ministrado, ela sempre será uma cadeira. da mesma forma que nem sempre os treinadores são o que são. Cecil para chegar onde chegou quebrou muitos pelo caminho. Hoje com Frankel, dá aulas de preservação. Vocês já imaginaram quão dificil é se treinar um cavalo com a volupia de Frankel? Como fazer qualquer animal chegar gradativamente as 138 libras, que agora lhe conferem, sem se perder pelo excesso pelo caminho? Um cavalo não atinge este potencial com a idade ou porque melhoraram sua aveia. Ele sempre o teve. Latente, a espera que seja explorado. Como uma pedra preciosa, ela é preciosa desde o moemnto que foi garimpada. O grande profissional a faz chegar a vitrine da Tyffany’s. O mal a perde pelo caminho e faz valer como uma peça de vidro.



Baffert é um grande profissional. Como Cecil, já teve época de transformar muito diamante em bijouteria. Todavia, não mais. Muito cedo chega a explorar todo o potencial que um cavalo pode provar em pista. E não os quebra como muita gente pensa. Os mais importantes cavalos deste treinador correram igualmente aos quatro anos e em momento algum, demonstraram queda de capacidade locomotora. Real Queit, Silver Charm e Midnight Lute são três exemplos disto. E nenhum deles com pedigrees que pudessem sugerir um dia que fossem reconhecidos como craques. O problema deste grande treinador é que como a grande maioria dos sediados nos Estados Unidos, têm datas em suas cabeças. As Breeders Cup e o Kentucky Derby são evidentemente para eles tão importantes quanto suas vidas. Bodemeister pagou o preço de não ser aquele cavalo que aflorou na hora certa. Não sei por que cargas dágua, atrasou-se em seu desenvolvimento e teve pouco tempo para estar tinindo para a disputa da tríplice coroa. E por distâncias pequenas deixou de ser o cavalo hoje, a poder ser triplice coroado. Outrossim, Baffert provou outro ponto para muitos, não tanto para mim, que já havia notado na campanha de Midnight Lute: mesmo dentro da adversidade ele soube explorar os 100% de seu pupilo. O problema é que os 100% que Bodemeister pode dar hoje, me parece ainda um pouco menor do que os 100% que um dia ele irá dar.

Mas este esporte se complica, quando existem outros adversários em condições identicas. I’ll have Another é outro exemplo. este alazão me dá a impressão que ainda não usou seus 100%. está ainda na faixa dos 80%, 90%. Tem a medida de Bodemeister, como um dia a tinha de Creative Cause. E usa o necessário, para apenas suplantá-los. Hoje para mim o parâmetro entre os dois primeiros colocados no Kentucky derby e no Preakness Stakes, é Creative Cause, que cada dia chega mais afastado.  Pelo menos três adversários descansados e que de alguma forma já provaram qualidade, estarão de volta a pugna. Um deles o possível substituto de Bodemeister, Paynter, que um dia nos referimos aqui como um cavalo a se notar. E entre eles não estou contando com Dixie Union, que foi quem atingiu sua plenitude mais cedo do que todos, mas mesmo em que peze a seriedade e a capacidade profissional de Michael Matz, e contar agora com John Velasquez, este ano, ainda não provou sequer, de te-la mantido.


Na lista dos possíveis a correr, não é de se estranhar a presença de um elemento que vem de vitória em um Optional Claiming em Churchill Downs. Outro que vem de uma quarta colocação em um allowance. Parece alguns treinadores, querem ser vistos na televisão.  E vou lhes contar um segredo: depois de cinco Belmonts lamentáveis, ganhos por galopadores, que chegaram ao disco, pois, seus adversários pararam, e muito depois de outros cujos favoritos perderam a oportunidade de serem tríplices coroados, por pura falta de stamina, vejo uma carreira com um grupo de pretendentes que pelo menos no papel, possuem a stamina necessária para correr a milha e meia. Eu disse correr, Não apenas chegar. pois, até eu posso chegar. Só que com 25 minutos cravados. E a fama se expira em 15...