Camelot me parece um cavalo fadado ao sucesso. Isto para mim é indiscutivel, como o fato de nosso presidente Lula ter quatro dedos em uma de suas mãos e que Gisele Buchen é bonita, famosa e rica. O elegi meu cavalo para o Derby, e não me arrependo até aqui. Afinal, pelo que demonstrou este sábado na milha do Two Thousand Guineas, acredito que não ficarei surpreso em Junho. Quando, fiz minha escolha, ele tinha dois anos. Na oportunidade tinha ganho o Racing Trophy (Gr.1) como um autêntico cavalo de exceção, em sua segunda saída as pistas. Levantei seu pedigree e foi ai que um resquício de dúvida passou por minha mente. Tratava-se de um Monjeu em mãe Kingmambo, o que animava, mas em uma linha materna que não me deixava ver constante classicismo. A 4-o.
O que chamo de constante classicismo é a capacidade de uma determinada linha, vem ano, passa ano estar sempre lá na crista da onda no mais alto patamar de provas de grupo. Eu atualmente tenho um grupo de 18 segmentos de linhas - que está perto a aumentar para 20 - que considero linhas superiores, pelo simples fato de constantemente produzirem ganhadores de grupo. Não é o caso da 4-o. Outrossim é uma linha que de vez em quando - mais de vez do que em quando diga-se de passagem - vem com um ganhador do Derby, do Oaks, ou do Vermeille.
Sua décima sétima mãe foi a invicta, em 54 apresentações, a húngara Kincsem. Sei que a décima sétima mãe não garante qualidade genética a cavalo algum, que tenha 3 anos hoje. Todavia, há de se convir que dona Adelina igualmente exortava, quando queria me dar ânimo em causas que eu já considerava perdidas: "quem espera sempre alcança"! HH. Karin Aga Khan, provou este fato anos atrás com Zarkava. Sua quinta mãe - a de Zarkava, não a da excelência - foi uma das maiores éguas de todos os tempos, Petite Etoile. A melhor que montou entre as femeas, segundo relato de seu jóquei Lester Piggott. De Petite Etoile até Zarkava, absolutamente nada. Zero! Logo, a paciência de HH Karim Aga Khan, provou o ponto de vista de dona Adelina. Mas ai eu me pergunto: a que preço? Quantos podem se dar ao luxo de esperar tanto?
A linha formada por Kincsem é distinta. De quando em quando ela vem com um elemento soberbo. Sua filha, - a décima sexta mãe de Camelot -, Budagyongye, ganhou o Derby alemão de 1885. Esta por sua vez, formou sua própria árvore e o galho que demonstrou mais longevilidade foi o formado por sua filha Furcsa - a décima quinta mãe de Camelot. Ai foram necessárias 10 gerações, sem um grande clássico, até se chegar a Seventh Bride - a quinta mãe de Camelot. Esta ganhadora de 4 carreiras, sendo sua única participação efetiva em provas graduadas, uma segunda colocação no Nassau stakes (Gr.2), provou pelo menos ser distinta, já que como reprodutora ela produziu a Oaks winner Polygamy, e sua irmã inteira a ganhadora de dois Oaks secundários, One Over Parr. Mas por estas coisas que muitos não conseguem explicar, e eu me considero um deles, foi One Over Parr - a quarta mãe de Camelot que deu continuidade a linha em termos clássicos. One Over Parr, produziu a um muito bom cavalo, Tom Seymour, e sua filha Fade - a terceira mãe de Camelot - é quem está trazendo hoje esta rama ao podium dos grandes clássicos.
Se analisarmos, a linha 4-o, pelo que produziu de 2007 para cá no hemisfério norte, veremos que foram apenas dois ganhadores de grupo e apenas um via Kincsem. Desta forma, eu como analista, vejo Camelot como uma junção de indivíduo fisicamente diferenciado e uma destacável estrutura de pedigree. Afinal como indivíduo, quando yearling, arrumou 525,000 Guineas em 2010 Tattersalls, o que garante a sua qualidade física, pois, se há algo que aprendi nesta atividade, é que o último otário que passou perto da Coolmore, o fez rapidinho e na calada da madrugada em dia de tempestade e muita neve. E assim mesmo não durou mais do que 12 segundos... E foi a Coolmore que o adquiriu. Como estrutura, o fato de ser filho do extraordinário reprodutor Montjeu, em mãe pelo não menos extraordinário reprodutor e avô materno, Kingmambo, numa égua pelo supremo Danehill, não atrapalha. O fato de ser imbreed nos dois mais importantes chefes de raça dos últimos anos Northern Dancer 3x5x5 e Native Dancer 5x5 e em duas matriarcas do quilate de Natalma 4x4x5x5 e Special 4x5, igualmente ajuda. E é aí, que eu acho que reside a qualidade deste cavalo que poderia ser tríplice coroado, se alguém ainda estivesse preocupado na Europa a conquistar este galhardão, que um dia representava, quase tudo.
Se Camelot é o cavalo, Larry Jones é o treinador. Ele age da forma que não acho estarem nos padrões normais, escala jóqueis que nada tem a ver, usa pedigrees que não primam pela grande qualidade, mas na hora H, são os seus comandados que dominam a situação na pista. Principalmente as fêmeas. Believe you Can, ganhou o Kentucky Oaks. E não há muito o que se falar. Ou Jones é um gênio, ou de bem estar com a sorte. De há muito convenci-me que a primeira situação é a mais provável. Em sua mãos as coisas acontecem. Imaginem se ele tivesse a sua disposição o que é mandado para Assmussem, Baffert e Zito e Pletcher...
E o Zayat Stables? Três segundos lugares no Kentucky derby (Pioneer of the Nile em 2009, Nehro em 2011 e agora com Bodemeister) e a quebra inexperada de do grande favorito de 2010, Eskendereya, justamente na véspera da disputa, evidenciam, que seus responsáveis necessitam de no mínimo, um despacho para tirar este encosto. Bodemeister, que este sábado provou ser na atualidade, o provável líder de sua geração deve ter sido mais um golpe duro de resistir. Uma lava vulcânica pela goela. Correr o que correu no Arkansas derby. Trabalhar da forma como foi trabalhado em Churchill Downs, e em sua quarta carreira de sua vida, liderar uma carreira como o Kentucky derby, nos parciais que estabeleceu e ainda chegar em segundo, tem que ser máquina. Uma máquina de pouca sorte. Eu penso que Baffert o acelerou um pouco demais, tentando recuperar o tempo perdido e seu pessoal estado de saude, igualmente deve ter pesado. Enfim, mesmo assim ele foi o grande nome da carreira. Perdeu, mas creio que cresceu aos olhos de todos e veniazila o pecado que Baffert cometeu com ele.
Fora ele, eu diria que fiquei por demais impressionado com duas coisas: uma a forma como corria no final Went the Day Well. Este filho de Proud Citizen pode ser um fator futuro. Chegou em quarto e vinte metros após o disco, já havia ultrapassado o vencedor. Sua mãe é Tiznow, numa mãe Roberto em uma mãe Majestic Light. Portanto, tem muita stamina e classe ainda para queimar. Principalmente nas mãos de Graham Motion. Um pouco melhor corrido poderia ter ganho. E segundo Leparoux. um jóquei que me causa calafrios. Não é de hoje que digo que ele não é o jóquei de meus sonhos. O endeusam demais. Talvez pelo acento... E o que ele fez com Union Rags, foi novamente criminoso. Indiscritivel. Largou mal e correu 2/3 da carreira a frente de apenas dois adversários. Na entrada da curva final, era último, pasmem, a 25 corpos de seu mais temível rival e ainda assim chegou em sétimo, e a meio de raia. Sempre duvidei que Union Rags viesse a ganhar o derby. Mas correr da forma como foi corrido, simplesmente eliminou sua chance de pelo menos tentar.
Hansen já estava corrido, mesmo antes da prova. E ainda assim foi morto na boca por grande parte do percurso. Está em visível declínio. Fora destes, dá para falar apenas do ganhador.
I’ll have Another, não pode ser um cavalo qualquer. Afinal ganhou o Santa Anita derby e agora o Kentucky derby. Custou apenas US$11,000 e foi montado por um mexicano que fazia igualmente sua estréia no derby. E suplantou as expectativas. Ele é filho de Flower Alley. Quem lê o que escrevo, sabe que um dia me reportei sobre este reprodutor, como sendo o único filho de Distorted Humor, entre os que estão em idade reprodutiva, que usaria reprodutivamente. Parece que não estava muito errado. Como o fato de ser imbreed em Danzig na razão 4x4, não deve ter atrapalhado. Existe muita stamina em sua linha materna, já que o avô paterno de sua mãe é Pleasant Colony (um neto direto de Ribot), Sua segunda mãe é filha do St. Leger winner, Caucasus (Nijinsky) e sua terceira mãe é Sea-Bird. Não o vejo ganhando em Pimlico, mas pode tranquilamente voltar a ganhar o Belmont stakes.
