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sábado, 19 de maio de 2012

IF I CANT MAKE THERE, I WILL MAKE ANYWHERE!


Nelson Rodriguez teria assim dito, se houvesse mais tempo de vida: Quando qualquer brasileiro atinge uma posição, acima da altura de um paralelepipido, ele imediatamente deve ser apedrejado qual um cachorro tomado pela raiva. Por que Nelson Rodrigues assim diria? Primeiro por ser uma verdade bíblica e segundo que ele assim devia pensar. Afinal, só há uma chance de um brasileiro ser reconhecido. E ela só é atingida quando de sua morte. Quanto mais trágica, mais sentida. Quanto mais rápida, melhor absorvida. Ai ele vira insubstituível. Seu funeral se transforma numa ode de melancólicas perdas pelo ente amado. Seus apedrejadores transformam-se em carpideiras sicilianas. Não estou exagerando, mas Infelizmente é como as coisas funcionam por aqui.
A irresponsabilidade disseminada é a mais jovem sobrinha da ignorância. E muitas vezes no Brasil, em se tratando de turfe, uma avalanche de irresponsabilidades aviltam até as mais doces mentes humanas. Numa disseminação que nem Madre Tereza seria capaz de suportar calada. E quem paga o preço? Aquele que por ventura num arroubo de ousadia, tem a petulância de ganhar. Uma gama enorme de brasileiros ama o perdedor e odeia aquele que ganha. É como aquele cara que está acompanhado de uma mulher lindíssima. Ele nunca é visto como um elemento bem dotado. Ele simplesmente é um merda que deve ter muito dinheiro, ou uma baita sorte. Ele é o babaca. Não aquele que está sozinho, o criticando, roendo as unhas e que inevitavelmente irá dormir desacompanhado.


Vejam este comentário que recebi:


"... E os filhos do Ultra Man ? Algum já inscrito no Arco 2012, 2013 e 2014?
E aquele vencedor do Brasil, que perdeu de um desconhecido do Anderson? Ganhar na grama de cavalo americano, é como jogar bola contra japônes (não conta). 
Será que o filho do Ultra man, tá com encosto também?"




Wednesday, May 16, 2012 8:23  - Luiz Dantas

O simples ato de se torcer contra, sem uma razão plausível, como por exemplo, a de se torcer pelo menos por uma possível adversário, já me parece doentia. Quando o objeto de sua ira é um cavalo brasileiro competindo contra adversários de outras nacionalidades,  é mais do que doentia. Para mim é mórbida. Digna de um vampiro de Dusseldorf, como todo aquele que não possue vida própria, teme a simples existência da luz e na verdade só sobrevive do sangue alheio, ou melhor do fracasso alheio, já que o sucesso de quem quer que seja, o faz sentir quão pequeno ele o é. Assim sendo não seria sequer digna de atenção, uma pergunta como esta. Afinal, nem um demente mental, o faria melhor? Pois é, este e-mail a mim chegou no dia 16, na quarta feira. Como o senhor LuiZ não acerta uma sequer, me senti ainda mais fortalecido na crença que Belo Acteon poderia ganhar e em pegar um avião na quinta feira em Fort Lauderdale e vir assistir em New York. 


Seria a segunda corrida do brasileiro. Mas estaria o senhor LuiZ tendo um acesso de curiosidade sobre a campanha de Belo Acteon? Sim, pois, acredito eu, que aquele que ganhou o GP. Brasil - já que não são muitos, pois, há necessidade de muita competência para se ganhar esta prova -, e que tenha perdido para um desconhecido do Anderson - recentemente segundo colocado em um grupo 2 em Keeneland, o que sugere que não seja tão desconhecido assim - seja Belo Acteon.

Pois é Belo Acteon foi terceiro ontem em Belmont Park em um allowance com dotação de US$79,000, na condição de favorito. Um de seus algozes,  o que ganhou,  conseguiu sua quarta vitória consecutiva. Logo, de bobo, nem o lóbulo esquerdo de sua orelha, o tem. Para quem não tenha conhecimento, Belmont Park é um hipódromo nas cercanias de Manhattan onde, para se correr, tem que se ter pernas. Não apenas língua... E pasmem, Belo Acteon o fez em distância que não lhe é de toda favorável, os 1,800 metros, mas dentro de seu estilo, wire to wire. Distância esta, que nunca havia ganho anteriormente e que acredito que dificilmente poderá vir a ganhar.  Mas como todo o trabalho deve ser remunerado, era necessário fazê-lo e partindo-se do principio que cada corrida vale por dez trabalhos, por que não o fazê-lo oficialmente por um cheque? Logo, a inócua pergunta do senhor LuiZ foi mais uma vez respondida, da forma que todas as perguntas no turfe deveriam ser respondidas; isto é, na pista. 

Foi apenas um allowance, outrossim, com dotação superior a muita prova de grupo no Brasil. talvez divesse que dizer América do Sul... Para mim, esta carreira, serviu para provar, que não apenas adaptação é importante. Provou igualmente que a aclimatação é necessária, e o mais importante de tudo, que ele - o Belo Acteon, não o senhor LuiZ -, a aqui pertence. Esta nos trilhos, com a direção certa e as grandes provas de grama na distância ainda estão por vir.


Estará Belo Acteon pronto para agora enfrentar  as provas de grupo? Não sei. Espero que sim, pois, apenas alguns assim o estão. Ademais, depois de mais de 20 anos morando por aqui, uma coisa aprendi a respeito de New York com Fred Ebb e Jon Kender: If  I can make there, I will make anywhere. 

Um grande fim de semana para todos.