Renato,Pra mim a constatação mais expressiva da semana do GP São Paulo foi algo que está se tornando uma constante no turfe mundial: Reprodutor descendente de Northern Dancer em égua descendente de Mr. Prospector é o arroz com feijão dos pedigrees clássicos.Quanto aos reprodutores descendentes de Mr. Prospector, existem os que vem pela linha de Gone West, que se defendem bem, e o resto.Foram disputadas 6 provas de Grupo na semana Internacional e 4, ou 2/3 - 66,66%, das provas foram ganhas por esta estrutura de pedigree – foram 75% entre as de Grupo 1:- GP São Paulo: Invictus (Sulamani em mãe Fast Gold).
- GP Presidente da República: Olympic Thunder (Durban Thunder em mãe Roy).
Adolpho smith de vasconcellos crippaSe isso não é significativo o que seria?Abs.
Adolpho,
Você está certo. Se isto não é significativo o que seria? As aberrações pronunciadas pelo seu LuiZ? Os impropérios urrados por outros detratores do óbvio? Aliás, as asneiras que sou obrigado a ouvir se propalam de uma forma assustadora: os perdedores querendo se rebelar com uma realidade, que não fui eu ou você que a impomos. Esta tônica, a que venho me debatendo não é de hoje, é algo que não depende de nós. Trata-se de um formato que vem se amoldando nestas últimas décadas, devido as necessidades que o turfe moderno vem exigindo. Não sei se as tribos Northern Dancer e Raise a Native hoje imperam pela superioridade de transmissão de caracteres, ou simplesmente por terem uma maior capacidade de amoldação ao que as carreiras hoje exigem. Não interessa o por que e sim o resultado apresentado. E quando cruzadas da forma por você exposta, suplantam as demais estruturas de pedigree, em proporções arrebatadoras. Os resultados estão ai, aflorados do solo.
Quem quiser "basofiar" da necessidade de pedigrees abertos, com a infusão de Blandfords, Hyperions e Tourbillons, principalmente via linha alta, que o faça, a seu próprio risco. Li, uma vez estarrecido um estudioso do assunto, defender a inusitada idéia que deveríamos abrir mais os pedigrees brasileiros. Como, se eles já estão escancarados? O que diria agora este senhor, a sombra dos resultados em Cidade Jardim? Sei existe gosto para tudo. Inclusive não podemos nos esquecer da existência do mal gosto. Eu como profissional do ramo, tenho - sempre que possível - que demonstrar por números o que anda acontecendo. Não impo-los, mas demonstra-los, dentro de universos fidedignos. E o que aconteceu no mais importante fim de semana do turfe paulista é um resuldado cuja importância não deve ser colocada em dúvida. Ele é o reflexo da tônica mundial. Mesmo estando o Brasil ainda trabalhando na maioria das vezes, apenas, com o neto razoável do grande chefe de raça. Mas que está provando ser mais producente do que se utilizar um melhor de uma linha já em extinção.
Aumentando a linha de raciocínio, diria que as duplicações de Northern Dancer ou de seu filho Danzig, somadas as de Raise a Native ou seu filho Mr. Prospector, em um só pedigree, hoje são símbolo não só de brilhantismo, como também de classicismo. Isto de há muito deixou de ser uma opinião e se transformou em um fato. Consumado e não mais discutido entre as pessoas que têm os resultados. Afinal estas estruturas imperam, tanto quantitativamente, quanto qualitativamente nos resultados clássicos. Você quer outro exemplo?
Nas lista de reprodutores melhor sucedidos da temporada norte-americana, que apresentamos a seguir, até o presente momento, entre os cinco primeiros - no importante mercado norte-americano - não existe um reprodutor sequer que não pertença as tribos de Mr. Prospector e Northern Dancer. Se ampliarmos esta amostragem para os 10 melhores colocados, notaremos a aparição de um Man O'War e um Nasrullah. Isto por que estamos nos atendo aos Estados Unidos, onde estas duas tribos foram um dia dominantes. Na Europa é Northern Dancer de ponta a cabeça. Apenas, com a moderna dominância do sprinter. Eles e os milheiros, hoje dominam. Foi-se o cavalo extremamente clássico. Montjeu é a exceção. Mas está duro, mesmo para ele, se tornar um Sire of Sires.
Gostaria apenas de frisar, que não é de hoje que estas proporções vem sendo mantidas. Elas só aumentam. As séries históricas assim o provam. Quem pensar de forma distinta, que consulte uma cartomante.
Não sou eu, você, nem ninguém que faz a cabeça de quem quer que seja. Os números assim o dizem. Seguem-nos quem assim o quiser. A prudência determina o caminho de seguir o rio em seu curso normal. A ousadia, de fazê-lo de uma forma mais rápida. Evidentemente que fica a cargo de qualquer um, quão mais cedo no mar chegar. Afinal, pelo menos na natureza, este é o caminho mais seguro para se chegar ao oceano. Eu diria até ser o único. Mas deixo a cargo dos investidores, decidirem.
Por favor analisem os pedigrees dos três invictos de maior importância dentro do contexto atual e tentem derrubar esta tese:
Acho que fica difícil, né?
E por que? Por quê, da mesma forma que esta estrutura, por você citada, vem se consolidando em qualquer ponto do planeta, a necessidade dos imbreeds tornou-se outra realidade. Em qualquer dos centros mais desenvolvidos do mundo alcança o indiscutível percentual de mais de 80%. Eu diria ser mais do categórico. É crucial. Os chamados Rasmussen Factors, igualmente se proliferam. Imagine que, passa ano, entra ano, já estão na casa de 40% com uma constância, que embora para alguns possa parecer assustadora, para mim e acredito que para você e qualquer pessoas que tenha bom senso e um mínimo senso de observação, soa normal.
A consolidação de um pequeno grupo de segmentos maternos é outro fato que não gera mais, nenhuma surpresa. Afinal, é da normalidade que sobrevivem os mercados, Não das exceções. Não sou eu assim que o digo. É a vida que nos prova.
Uma boa semana para você e para todo aquele que acompanha este blog.
