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sábado, 26 de maio de 2012

RESPOSTA A UM LEITOR: O ODIOSO NANICO CANADENSE


Caro Renato,
Lendo seu blog, como faço todos os dias, li a opinião de um leitor seu e lhe escrevo para discordar do que ele dá a entender, não para criar polemica pessoal, mas para que quem leu não fique em momento nenhum achando que ele pode estar certo, pois ele está totalmente errado e deve ter escrito, baseado apenas na opinião pessoal dele e no romantismo do passado, pois acredito que ele deva ser gente do bem e não o fez por maldade, ao dar a entender que nós temos stamina no Brasil, como falou o Gringo da Darley, por não termos tanto sangue Northern Dancer. Fiquei estarrecido por ter vindo de alguém que é da mídia e por isso eu pensava que ele entendia do assunto, mas ao ler o que ele escreveu, percebo que ele esta por fora e deve ter dado a opinião sem bases estatísticas, pois tanto os números, como a melhora nos tempos das corridas atuais, mesmo nos páreos comuns, prova a melhora do desempenho de nossos cavalos atuais e prova a melhora da nossa raça, e principalmente os vindos da linhagem Nearco/Neartic/Northern Dancer/Icecapade. Com essa melhora, acredito que possamos enfrentar as corridas Internacionais, com um numero maior de corredores e não apenas com as exceções da nossa produção e com um percentual maior de chance de obter êxito, sem dar vexame. Quanto a linhagem Northern Dancer ter Stamina, é só ler as estatísticas que o Blog do Renato Gameiro mostra para afirmar que elas provam exatamente o contrário do que diz o digníssimo Sr. que enviou carta ao seu Blog, pois vejamos, que dos 42 individuais ganhadores dos Clássicos, Listeds e Grandes Prêmios desse ano no Brasil, que eu consegui contar, 96% dos ganhadores tem uma, duas, três ou mais linhas de descendentes do veio Nearco/Neartic/Northern Dancer/Icecapade e para surpresa minha e não sei se sua também, Renato, a que tem mais dentro é Nijinsky com 40%, que são 16 deles, dos outros 10 Lyphard, 05 Storm Cat, 05 Icecapade e 02 Sadlers Wells e apenas 02 não tem ninguém dessa linhagem. Portanto amplo domínio e mais ainda por Nijinsky, que eu não havia percebido ainda. O Gambler, que baixou o Recorde de 60 anos dos três mil metros do Monstro Gualicho, que é Public Purse, tem Lyphard na linhagem, assim como todos os que chegaram até a 5º colocação e também bateram o Recorde e também tem essa linhagem nos seus pedigrees. Portanto não há o que dizer a não ser quem queira ser um detrator do óbvio.
Abraços
Paulo Bonilauri

Caro Paulo,

Primeiramente obrigado por sua opinião e mais do que isto pela pesquisa que nos fez conhecer. Ela certamente alimenta o ponto.

Quero reforçar mais uma vez, que qualquer um tem direito a ter sua opinião pessoal. Até um senhor estrangeiro, que tomou conhecimento de nossa criação nos últimos 16 minutos. O problema é assumir suas palavras como verdadeiras e tentar ver nelas verdades que não existem. Pior do que isto é perder seu precioso tempo para ouvi-lo...

Mas isto é pouco, acredite, dentro do que chegou a meus ouvidos. Este mesmo senhor, afirmou que nossos cavalos tinham ossos mais "grossos" e que na Europa eles perderam esta capacidade óssea devido as consanguinidades, o que para mim é o absurdo dos absurdos. Mas como este senhor pertence ao grupo que de longe é o que mais investe e que entre as grandes potências do turfe é a que notoriamente menos resultados importantes tem, imediatamente entendi porque as coisas não acontecem, da forma que deveriam acontecer, para o grupo que presta serviços. Conceitos como estes fazem Tesio, Lord Derby, Boussac e o velho Khan, darem voltas em suas tumbas e certamente facilitam hoje, o trabalho em pista de pessoas como John Magnier, H.H. Karim Aga Khan e o príncipe Khaled Abdullah.

Penso até que este último deva estar preocupado como chegou a fórmula de produzir Frankel. Fez o cruzamento errado e deu sorte. Imagine ter nele imputado imbreeds em Northern Dancer 3x4 e Buckpasser 5x5, e um triplo Rasmussen Factor na hedionda reprodutora que produziu a este "odioso nanico canadense", respectivamente nas razões 4x5x5. Não tinha que dar o que deu. Dez corridas e dez vitórias! Igualmente deve se encontrar preocupado agora o senhor Jameson, que criou uma tal de Black Caviar, do outro lado do planeta, que terminantemente se recusa a perder depois de 21 saídas as pistas, é pasmem, está consubstânciada em consaguinidades do tipo Vain 3x4, Northern Dancer 4x5 e Silly Season 5x5. Só falta o famoso Derby de Epson ser ganho por outro descendente direto de Northern Dancer - como os dois, invictos como ele e anteriormente citados. Ainda mais que ele além de ser imbreed no "odioso nanico canadense" na razão 3x4x4, o é também em Native Dancer 5x5 e numa tal de Special - filha de um argentino pouco conhecido chamado Forli - na razão 4x5 e na já citada hedionda reprodutora que produziu a este "odioso nanico canadense", 4x6x6x6. O senhor John Magnier haverá de perder os últimos fios de cabelo que lhe restam...

Existe uma verdade que até os contestadores do óbvio irão aceitar. Não se pode apresentar aquilo que não se tem. Só talvez o Mandrake - um mágico de papel - o poderia fazer. Pensemos então que a entrada das linhas Northern Dancer e Raise a Native no Brasil, além de tardias, foram feitas por intermédio de transmissores que em pista não demonstraram serem possuidores de classe. Situação hoje diversa quando passamos a arregimentar elementos do padrão de Royal Academy, Elusive Quality, Holy Roman Emperor, Roderic O'Connor, Refuse to Bend, Peintre Celebre, Benny the Bull, Artax, etc... Elementos que formarão novas consaguinidades através de anos. Por exemplo, Mr. Prospector teve sua primeira geração corrida no inicio dos anos 80. Assim sendo se você não é um aprendiz de Boussac e espera fazer imbreeds em Mr. Prospector a partir da terceira geração, só no inicio deste século isto se tornou possível. E acreditem a resposta foi surpreendente, como está sendo a de Danzig - cujos primeiros filhos estrearam no final dos anos 80. Diria até, que neste caso, de forma prematura, mas por mim esperada, pois depois de seu pai, o "odioso nanico canadense", e de seu bisavô Nearco - criado por um maluco italiano que adorava linebreds pesados - ele parece ser o maior fenômeno reprodutivo já aparecido na modernidade turfística. Mas o que isto nos ajuda?

Ai vale-se a pena criar um universo de pesquisa, com aqueles, que em minha opinião, foram os dez elementos criados no Brasil, que obtiveram vitórias mais expressivas no exterior, até o presente momento, e então tirar, de forma definitiva, a teima se as consanguinidades que porventura poderiam ter em seus pedigrees, o atrapalharam, ou "diminuíram seus ossos". 

O FABULOSO PICO CENTRAL
OSSO FINO? TALVEZ,
MAS CORRIA PARA BURRO!
E COM DIREITO A SER CAPA DE REVISTA

Pico Central - War Admiral 5x5 
Siphon - Maki 4x4 e Dragon Blanc 5x5
Sandpit - Donatello 5x5
Riboleta
Einstein
Hard Buck - Prince John 4x5
Gloria de Campeão - La Farnesina 5x4 e Good Manners 4x4
Fluke - Northern Dancer 4x5
Virginie - Native Dancer 5x4 e Nearco 5x5
Joe Who - Snow Cat 5x4

Como no mundo inteiro, a supremacia do pedigrees considerado "fechados", nesta lista, alcança o patamar de 80%. Isto não é coincidência numérica. Isto é um fato consumado e aceito pelos maiores estudiosos do assunto. Logo, quem quiser ficar com os outros 20% que fique. Afinal, está numericamente provado que não é impossível de se alcançar sucesso com pedigrees "abertos", mas talvez tenhamos que levar em conta que seja um pouco mais difícil consegui-lo. No mais, o bom senso me diz, que com mais importantes importações, de pedigrees mais arejados e modernos, iremos obter a curto e médio prazo, ainda maior sucesso. Mas aqui entre nós, em um pais que ainda se discute a validade do uso ou não de ferraduras e de selas para animais em treinamento, diria que o bom senso não é bem a tônica vigente...

Não sou contra ao reprodutor de pedigree aberto. Muito pelo contrário. Sou sim contra o galopador que só ganha quando os outros param, o disforme, o matungo, o filho do jacaré com a cobra d'água e o eletricista, aquele que corta a corrente de transmissão. Logo, não imputem em mim, aquilo que nunca afirmei. 

Mas vejamos o caso dos shuttle stallions Shirocco e Manduro. Eles aqui aportaram  -  o primeiro pela terceira vez - pela total impossibilidade de serem aproveitados em mercados de maior poder aquisitivo no hemisfério sul, mas que pensam de forma distinta do nosso, como a Austrália e a África do Sul. Pois bem, acho estes dois reprodutores benéficos para o nosso criatório, principalmente para a manutenção de nossa stamina.  Afinal nossas mais importantes carreiras são disputadas acima da milha. Outrossim, ontem mesmo produzi os resultados positivos de ambos na Europa e o que vimos? Manduro com três ganhadores de grupo em sua primeira geração. E Shirocco com dois em suas duas primeiras gerações.

Manduro
1. Bonfire (mãe Night Shift) - 2012 Dante Stakes (Gr.2)
    Northern Dancer 4x3
2. Mandaean (mãe Darshaan) - 2011 Criterium Saint-Cloud (Gr.1)
    Rare Treat 5x4 e Northern Dancer4x4
3. Trois Lunes (mãe Fasliev) - 2012 Prix Vanteaux (Gr.3)
    Northern Dancer 4x4
Shirocco
1. Arrigo (mãe Last Tycoon) - 2011 Oppenhein Union-Rennen (Gr.2)
    Northern Dancer 4x4
2. Grand Vent (mãe Fabulous Dancer) - 2011 Prix Noialles (Gr.2)
    Northern Dancer 4x3

Não ficaria lícito se perguntar, o que seria destes dois bons filhos de Monsun na reprodução se não houvesse o "odioso nanico canadense", em suas vidas?

Outrossim, eu diria, sem medo de estar cometendo um latrocínio verbal, que os reprodutores com imbreeds estão indo muito bem, obrigado, entre os mais importantes da era moderna em termos de total dominância em seus respectivos países. Os exemplos são claros: Sadler's Wells o maior da Inglaterra, Sunday Silence o maior do Japão, Jet Master o maior na África do Sul,  Zabeel, o maior da Nova Zelândia e Roy o maior do Chile, possuem pelo menos um imbreed até a quinta geração. E o que dizer daqueles que além disto, trazem no mínimo um Rasmussen factor até a sexta geração? Como o caso de Monsun o maior da Alemanha, Southern Halo o maior na Argentina, Danehill o maior na Austrália. Estes foram reprodutores, que não tão somente ganharam estatísticas. Eles ganharam várias estatísticas. Eles simplesmente dominaram o pedaço. Todavia, aquele grande cavalo em carreira que tem pelo menos um ponto de grande força em seus pedigrees, quando duplicados, igualmente poderão chegar ao patamar de ganhadores de estatísticas ou mesmo produtores de elementos graduados, como o exemplo apresentado acima em relação aos dois filhos de Monsun. O exemplo em relação a Northern Dancer, é mais do que nítido. Reluz!

Do que você escreveu, discordo apenas do Ricardo Ravagnani poder ser, sequer considerado, um detrator do óbvio. Se eu assim o pensasse estaria o comparando ao senhor LuiZ o outros do gênero. Longe disto, trata-se sim de um apaixonado pelo turfe, que muito contribuiu para a modernização do Stud Book Brasileiro em termos de acesso as informações, que vive o dia a dia do turfe. Ele apenas tentou colocar sobre a mesa de debates, aquilo que ouviu do "gringo da Darley". Pessoa esta que também tem o direito de opinião, embora as por ele emitidas, sejam diametralmente opostas, daqueles que dele ganham, semanalmente...

Conhecendo como conheço o Ravagnani, penso que o que ele quis, como disse anteriormente, foi simplesmente colocar o assunto em pauta, não como discussão e sim como uma troca de ideias. Diferentemente dos verdadeiros detratores do óbvio, que vivem de sugar o sangue alheio, como vampiros, este profissional é responsável pelo que faz e o que escreve. Sem a classe dos coetâneos de Dusserdorf, evidentemente, outros vampiros como um da Araucária, não. Imagine você, que o senhor LuiZ, recentemente me paramenizou pela morte de Hard Buck. Olhe o que ele expeliu:  

Com muita tristeza, venho convidar o secapimenta, para o enterro do HardBuckinho.
O senhor ficou viúvo muito novo dele. Concorda?
Acho que é o comentarista é PÉ-FRIO mesmo.
Pelo menos, deve parar de encher o saco de todos nós, com histórias dele...
Luiz Dantas - 
Tuesday, May 22, 2012 5:20 PM

A morte de qualquer cavalo para mim é motivo de imensa tristeza. Para o senhor LuiZ está provado ser de altíssimo jubilo. E isto em se tratando do cavalo brasileiro que melhor resultado teve, em terras do velho continente. Imagine o que seria a morte para ele, de um ganhador de uma só carreira... Assim sendo, penso que o Ravagnani, como muitos outros que possam discordar de minhas ideias e não são poucos -, são dignos de serem ouvidos. Primeiramente, que posso estar errado. Segundo que suas opiniões são igualmente importantes. Terceiro que dá troca de ideias, quase sempre emerge a luz. E quarto por se tratarem de pessoas cultas e que acima de tudo e ao contrário do senhor LuiZ, que amam não só os cavalos de corrida como a atividade em si. Desta forma devem ser ouvidas e suas opiniões analisadas. Se aceitas ou não, é outro problema. Resumindo, sempre ouvirei o que o Ravagnani tem a dizer, concordando ou não. E o responderei da forma educada, com que sempre ele se dirige a mim. Como também a você, que tem demonstrado se interessar pelo assunto e estuda com afinco uma forma de poder competir contra poderosas coudelarias, usando mais o cérebro do que o saldo bancário.

Mas voltemos aos trilhos. Quanto ao espetacular recorde, nos 3000m, que coincidentemente no pedigree de seu vencedor aparecem imbreeds em Lyphard - filho do" odioso nanico canadense" - e em Native Dancer - este, o avô materno do "odioso nanico canadense" - ontem mesmo discutia sobre o mesmo. Foi surpreendente. Difícil até de se acreditar. Li e reli e tive que perguntar. Afinal dois segundos são 12 corpos. Certo que houveram mudanças cruciais na pista de Cidade Jardim, e mesmo nas condições em que Gualicho e Gambler correram, este diferencial tem que ser considerado no mínimo, inusitado. Como disse anteriormente em uma outra nota, 12 segundos para mim, é outro páreo. Quando li a noticia achei tratar-se de um erro tipográfico. Não o foi. Consultei o Adolpho que teve a pachorra de cronometrar a carreira e verificar que o erro não foi também "cronometral".  Logo durma-se com um barulho destes! Desculpe-me, mas não sei como explicar. Apenas posso lhe garantir que o pedigree de Gambler, não é aberto e conta com a presença do "odioso nanico canadense" tanto no pedigree do pai, quando no da mãe.

Um parentêses. O que dizer de um imbreed em Lyphard, produzir a um cavalo recordista mundial dos 3,000 metros? Erroneamente as pessoas confundem Lyphard com seu filho, o extraordinário reprodutor no Brasil, Ghadeer, este sim limitado em sua distância na transmissão de caracteres, por causa de seu avô materno, o extraordinário milheiro, Habitat. Lyphard era um cavalo de meio fundo. Um cavalo de meio fundo que correu o Derby de Epson. Vocês assistiram a este Derby? Pois é, eu assisti. estava lá. Sabem quem ganhou? Nada menos que Roberto, que teve que levar uma surra de Lester Piggott para bater ao grandalhão Rheingold. Onde chegou Lyphard? Longe. Então ele não tinha stamina? Creio que tinha, apenas que se vocês verem o video abaixo, onde apresento a reta de Epson, notem que o cavalo que abre na curva e completamente perde o contato com os demais, é Lyphard - camisa azul, com frisos e boné brancos, Wertheimer silks. Na dúvida há de se levar em consideração que Lyphard produziu a dois ganhadores do Arco, Dancing Brave e Three Troikas, sendo que o primeiro é igualmente ganhador do King George VI Queen Elizabeth Stakes. Aliás nos últimos 26 anos, 17 (65,38%) dos vencedores do King George eram descendentes diretos - via linha paterna - deste "odioso nanico canadense", assim como 13 (50%) no Arco. Que cavalinho odioso este tal de Northern Dancer, você não acha? Fecha parênteses.



Qualquer que seja a opinião, a favor ou contra,  o certo é que os imbreeds, na descendência e naqueles de quem ele descende - falo do "odioso nanico canadense" - e neste "asqueroso reprodutor de elementos que só correm a base de lasix", chamado Mr. Prospector, percentualmente funcionam melhor nas provas de grupo, tanto na curta, quanto na média e na longa, nos dois hemisférios e em qualquer continente deste planeta chamado terra. Pode ser que em Venus, ou talvez em Marte, as coisas sejam distintas. Não tenham estatísticas destes mercados para consubstanciar um parecer. Outrossim, o mais significativo: quando combinados estes dois "imbrindings", já está mais do que provado, que aumentam ainda em muito suas chances de sucesso em pista. Tirando isto, o resto é conversa para boi dormir, ou para inglês ver...

Abraços
Renato