Quando resolvi colocar no papel minha ideias, sabia que era um caminho sem volta. E os inimigos passaram a ser colecionados, com a publicação das mesmas, pois, querendo ou não, eram por assim dizer "diferentes", para o turfe que estamos acostumados a acompanhar. Falo dos anos 70. E já que comento o fato, queria escrever que outro dia devo ter colecionado mais um inimigo, por uma resposta que dei. Mas desculpem, era muito para minha pequena inteligência, ouvir a justificativa que estava ouvindo.
Vou passar a história como ela se passou. Um outro cliente resolveu a colocar uma de suas éguas em treinamento em um leilão. Tratava-se de uma quatro anos, ganhadora de três carreiras e com colocações na esfera das provas de grupo. O que para muitos, era o bastante para mante-la em treinamento, e futuramente aproveita-la para fins reprodutivos. Mas não para mim, e muito menos para aquele que a possuía. Cada cabeça uma sentença e esta era a nossa.
Recebi telefonemas de três distintas pessoas, perguntando do por que aquela égua estava na venda, já que parecia estar no auge de sua vida atlética e que seu dono era criadore reconhecido por reservar a todos os elementos que criava para correr. Respondi que ela estava inteira, segundo seu treinador, mas não havia interesse de mante-la, segundo seu proprietário. Ponto parágrafo!
Um destes que me ligaram, não conformado com a minha exposição me veio com esta: creio que vocês estão exagerando. Tenho uma égua que tem o mesmo perfil dela e meu treinador foi seguro, que foi uma das melhores que treinou em sua vida. Vou mante-la em treinamento e depois levar para a reprodução. Como eu sabia quem era seu treinador, e dos resultados alcançados pelo mesmo, até aqui em pista, respondi: acredito que com os cavalos que treinou, "fulano" não tem muito crédito, para a gente tomar como um fato biblico.
Aceito que esta pode ser considerada uma resposta pouco simpática, mas ninguém pode em sã consciência, conhecendo o citado treinador, que não tenha sido uma resposta profissional e honesta. Você, como profissional, não pode falar de um grande cavalo, se nunca tiver sido associado a outro que tenha tido extrema qualidade. Ai você cria seu parâmetro, seja um Much Better para o fundo, um Hard Buck para a meia distância ou um Da Hoss para a milha, E sua faina passa a ser a procura de outro que os suplante, ou que pelo menos os iguale. É fácil? Evidentemente que não. Mas é exatamente esta procura, que faz a roda da sua vida girar.
Se contentar por baixo, não me apetece. A verdade é que tento emitir opiniões que creio que a experiência me ensinou a fazê-lo. Não tive filhos, logo, como vou poder falar de como criar um filho se nenhuma experiência tive no setor? Nunca estive em Tokyo. Como posso então escrever um tratado sobre a mesma? Pelo o que ouvi falar? Ouvir onde o galo canta é importante. Conhecer o local, ainda mais. Desculpe, mas não mereço.
Um bom fim de semana para todos.