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quinta-feira, 13 de setembro de 2012
PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: OS GALHOS A SE PODAR
Um leitor que não conheço, ou pelo menos não reconheço, me mandou um e-mail muito interessante, mas que pediu que não fosse publicado. Pena, pois, nele haviam coisas muito interessantes a se discutir, já que suas dúvidas faziam muito sentido. Outrossim, existe um comentário seu que me calou fundo e eu tomo a liberdade de revela-lo. Primeiro por que não revelarei seu nome. e segundo que é uma dúvida universal e que paira nas mais importantes cabeças deste mercado. Assim ele escreveu:
...na verdade não tive sorte nem com a 13-c como com a 14-c e juro que tentei por vários anos e com diferentes reprodutores. XXXX cheguei a cobrir com Clackson e YYYY duas vezes com Ghadeer. Apenas um dos três produtos nascidos, teve a habilidade de ganhar uma corrida...
Compreendo a angustia deste senhor, que procurou seguir aquelas que eram as maiores linhas de seu tempo e ainda hoje, garanto que estão entre as maiores, mas um degrau abaixo de onde um dia estiveram. Vou tentar responder sem o menor fito de consolar, apenas de esclarecer como vejo esta situação.
Uma vez Charles Witthinghan, ao responder minha pergunta do que era mais importante para um treinador consagra-se, disse que era paciência com os cavalos e com os proprietários - e complementou com um sorriso em seus lábios - evidentemente que não nesta ordem. Estavamos em seu barn, em Hollywood Park, vendo um triplice coroado brasileiro, passear à nossa frente. Mas nem toda a paciência do mundo, funcionou com aquele tordilho, que o senhor Atualpa Soares havia vaticinado, antes mesmo de estrear, que seria um cavalo de primeira linha: Old Master.
E paciência eu passei a ter, depois daquela conversa. E olha que era dificil para mim, uma pessoa ansiosa e que sempre acreditou que quando as coisas são feitas certas, os resultados tornam-se meras contingências. O tempo me provou que não era bem assim e Whittingham estava certo.
Quando a gente extrapo-la este pensamento em relação a criação de cavalos de corrida, a necessária paciência tem que ser ainda maior, pois, "montar" uma familia requer tempo. Logo, quando você é capaz de visualizar uma verdadeira vereda verdejante, não deve perder tempo em tentar outras alternativas. Parta para aquele segmento que se mostra vivo e com possibilidades de lhe retribuir com a classe que você tanto anseia. O pai da égua passa a ser um fator secundário. O problema é que você tem que visualizar antes, que se torne impossível toca-las. E para tal, haverá de ter muita paciência e senso de observação.
Por que assim o digo? Porque, mesmo entre os segmentos consagrados, que ano após anos estão lá produzindo - e acredite, são menos de 20 - existem ramagens em extinção. Não é a linha que está indo para o brejo e sim alguns de seus ramos. Como os galhos podres de uma saudável e frondosa árvore. O que fazer? Podá-los e esperar pela germinação em sua mente de outra possibilidade.
Assim sendo não basta decorar os nomes das grandes familias. Tem que se detectar, dentro delas, onde colocar o seu barquinho, para que ele não encalhe à primeira curva do rio.
Entre as linhas maternas que mais crescem nestes últimos anos, arriscaria a afirmar que a 21-a foi a que mais floresceu. Não é de hoje, que comentei o fato. pois bem, na abertura do meeting do St. Leger em Doncaster, tivemos a disputa de duas provas de grupo e em ambas vitórias de cavalos que atualmente estão servindo no Brasil, em sistema de shuttle. Shirocco, o pai de Wild Coco, que acaba de levantar o St. leger das fêmeas, vem ao Brasil, pelo terceiro ano consecutivo. Filho do recém desaparecido Monsun, ele vai deixar pelo menos três gerações em nosso pais. Mas como no caso de Sunday Times, uma filha de Holy Roman Emperor, creio que uma atenção deva ser dada a sua linha materna. embora ela igualmente seja uma Shirocco distinta, já que possui imbreeds em Konigsstuhl 3x4 e Authi 5x5, coisa pouco comum de acontecer nesta descendência.
Quando fui visitar a Frankel, esta verão em Newmarket, Sir Henry cecil me mostrou a Wild Coco e comentou ser ela um dos elementos para as provas de fundo, que mais lhe impressionara, entre os por ele treinados. Mas o fato dela ser uma 21-a, é o que mais me chamava a atenção.
A 21-a conta este ano com 25 individuais ganhadores - entre os quais cinco de graduação máxima - de um total de 32 provas de grupo. Apenas a linha 9-f, possui melhores números do que ela, até o presente momento. E isto é um fato que deve ser levado em consideração. pelo menos esta é a minha opinião.
Ao amigo que não teve a sorte que suas descendentes da 13-c e 14-c, de maneira alguma preencheram suas expectativas, mais sorte na próxima tentativa. Mas, lembre-se, não use apenas o fato da linha ser consagrada. Procure pesquisar o ramo a que aquela que você tem intensão, pertence, e verá que percentualmente sua chance de alcançar o que deseja, será maior.