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sexta-feira, 26 de abril de 2013

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: UMA PERGUNTA DIFICIL DE RESPONDER


Renato,



Sou novo ainda no mercado. Sempre tive vontade, de um dia, de importar um reprodutor. O que você acha melhor? Um cavalo médio em capanha saído de campanha ou um que deu pouco, mas foi grande cavalo em corrida?



Abraços



Rogério L.

Cara Rogério,

Esta é sem dúvida alguma, para mim, uma das mais difíceis respostas a dar. Acho que vai de cada um, a forma de analisar e resolver este problema. e ainda existe uma questão financeira envolvendo tudo.

Tomemos como exemplo Ghadeer, Tumble Lark e Earldom, que em minha concepção foram cavalos bem fraquinhos em pista. Outrossim, se tornaram ícones reprodutivos. Cigal nem correu e foi o que foi. E por sua vez Spend a Buck foi um palavrão no breeding-shed norte-americano e uma grata surpresa no brasileiro. Capaz de produzir cavalos com a capacidade de voltar aos Estados Unidos e quebrar com a boca do balão. E como explicar que Southern Halo, Roy, Mr. Long, Seattleman Day, Candy Stripes, que aqui chegaram inéditos, terem posteriormente se consagrado em países como Argentina e Chile e quando voltaram a seu pais de origem, transformaram-se em retumbantes fracassos? Mais difícil ainda de responder.


Para falar a verdade, nada tenho contra o cavalo fracassado no hemisfério Norte. Tenho sim um pé atrás, contra aqueles que fracassaram em operações muito bem sucedidas como as de Aga Khan, Juddmonte Farms, Phipps e etc, sendo Our Emblem, um exemplo que me vem imediatamente a mente. Agora o que eu verdadeiramente abomino, é aquele que fracassou na Oceânia, mesmo que ele tenha dado bem em centros do hemisfério norte. Giant's Causeway e King's Best, são para mim, os maiores exemplos. E não creio que vão deixar nenhuma saudade.


Fusaichi Pegasus


Nós - os sul-americanos - trouxemos alguns cavalos fracassados, mas ganhadores de grandes provas internacionais. Do kentucky derby, vieram Spend a Buck, Thunder Gulch, Real Quiet, Fusaichi Pegasus e mais recentemente Smarty Jones. Apoiei verdadeiramente a vinda de dois, Spend a Buck e Thunder Gulch. O primeiro, por além de ser o mais impressionante ganhador do derby a que tive o ensejo de assistir in loco, ele havia dado, a sua única ganhadora de graduação máxima nos Estados Unidos era uma filha de uma reprodutora argentina e também por que a tribo Buckpasser sempre funcionou bem em nosso continente.



Thunder Gulch

Quanto a Thunder Gulch, sempre o achei um cavalo bravo e que não se limitou apenas ao Kentucky Derby. Igualmente ganhou outras importantes carreiras. Pois bem, Spend a Buck foi um must no Brasil, e embora exista muita gente que não concorde, acho que Thunder Gulch, foi um médio reprodutor na Argentina. 



Real Quiet e Fusaichi Pegasus, elementos apenas moderados na reprodução norte-americana, foram trazidos respectivamente para o Uruguai e para o Chile. O primeiro terá corredores logo, o segundo teve seus filhos corridos, mais ele não fizeram uma diferença que merecesse maiores comentários. Quanto a Smarty Jones, sua produção física não era o suficiente para o mercado norte-americano e em pista eles pouco ou nada disseram ao que vieram. Esperemos que no Uruguai, ele possa revirar a mesa.


Real Quiet


Do Arco, quatro de seus ganhadores: Trempolino, Sinndar e Peintre Celebre. Nenhum dos três vingou no hemisfério norte, mas também não acredito que possam ser rotulados de fracassados. No Brasil, o primeiro apoiado por haras de Bagé, não passou desapercebido, com duas ganhadoras do Oaks. Os dois outros possuem filhos a estrear no Brasil. Gosto mais de Peintre Celebre, que para mim, poderá ser um Sulamani - de quem falaremos a seguir - versão melhorada. Deixei propositalmente de fora a Sagamix, que é outro ganhador do Arco, que trouxemos, mas pelo que havia produzido na Europa, tanto em termos físicos quanto locomotores, até hoje não entendi, o por que de sua vinda. Não via uma razão plausível para a sua escolha.  Aliás, eu diria que tanto ele como Miesques Son, são nomes a serem riscados de uma forma imediata e definitiva de seus pedigrees maternos.




Northern Afleet

Hoje dois cavalos de boa participação em pista e que podem ser considerados reprodutores bem acima da média na reprodução do hemisfério norte, Elusive Quality e Northern Afleet, vão dominar nosso cenário, pelo menos até as disputadas em 2,000 metros. Apoiei a vinda de ambas, principalmente do primeiro que acho que um dia demonstrará ser do mesmo nível de Royal Academy e Spend a Buck, até aqui os dois mais importantes reprodutores importados nestes últimos anos. em meu parecer.


Elusive Quality

Observei, muita gente querendo sacrificar a Northern Afleet, antes da hora. Aliás uma coisa bastante usual no cenário da criação de cavalos de corrida no Brasil. Sempre o defendi e acredito que este será seu grande ano, aqui no Brasil. O problema é que terá que enfrentar os Elusive Qualitys.



Estamos agora em um processo de trazer, velocístas de alto nível do mercado norte-americano. O fracassado Artax, o ainda sujeito a criticas Silver Train e o ainda inédito Benny the Bull, A primeira geração do primeiro está estreando este ano, a do segundo e terceiro apenas nascendo. Independentemente de relações profissionais que tenho, acredito que Benny the Bull, vai ser o que melhor irá funcionar no Brasil.



Nos shuttle, trouxemos, o que de melhor entrou por aqui, em termos de pedigree e campanha. o médio Refuse to Bend, o até então claudicante Holly Roman Emperor, o inédito Roderic O'Connor e o fracassado Sulamani. E para este ano ainda o inédito Soldier of Fortune e o mediano em produção Rock of Gibraltar.



Sulamani produziu exatamente aquilo para o que foi feito. O cavalo extremamente clássico. Assim gerou a apenas três ganhadores de grupo, mas todos três de graduação máxima. E Holly Roman Emperor, está funcionando bem no hemisfério norte, logo deixou de ser azeitona em nossa empada. Ele que não foi um must, na Oceânia, como Rock of Gibraltar, como o segundo se saiu de fininho, produzindo alguma coisa.


Point Given

Dois ganhadores do Belmont Stakes, pintaram por aqui. O primeiro o testado e de apenas média produção clássica Point Given. E agora o ainda inédito Drosselmeyer. Na pista Point Given foi muito melhor cavalo que Drosselmeyer. Fisicamente são dois cavalos lindos. O segundo tem mais pedigree. Um definia. Outro apenas chegava. Os filhos de Point Given estão enfrentando os Northern Afleets e os Elusive Qualitys. Acho que por ali, eles não vão ter boa vida.

Leia com atenção o que eu escrevi. Coloque numa balança. E veja o que melhor lhe soa ao ouvido. Use seus instintos, pois, mais importante de tudo é o indivíduo em questão. Tentar categoriza-lo, não atrapalha, mas nem sempre ajuda. E se precisar de uma ajuda na seleção, candidato-me, desde já.

Renato