FOTO DE MARCOS RIZZON
O Borjalo, surpreendido, perguntou: e como fica então o cachorro? O Tom, prontamente, complementou, engarrafa ele, que a gente começa a pensar no assunto.
Mas isto é coisa de carioca, que aproveita o velório da mãe para dar encima da mulher do vizinho e como diria minha vó Adelina, que a seu tempo, o carioca da gema criava galinhas, para ter a sensação que alguém estava trabalhando para ele.
Agora tomem conhecimento de uma indagação, que me parece também de maluco. Imaginem vocês, que me perguntaram na lata, sem pena ou perdão à meus tímpanos, algo que nem tenho coragem de aqui repetir, para que a pessoa em questão não se sinta atingida. E o que menos necessito em minha vida, é mais um inimigo. Era uma rapaz novo, que de maneira alguma, é obrigado a saber de tudo. Mas não saber nada, também me parece um impropério, principalmente já se tratando de um proprietário, que pensa até em se transformar em criador. Tentei responde-lo de uma maneira, que ele não se sentisse humilhado, mas senti que mesmo se o fizesse em sânscrito, o efeito não seria diferente.
Sei que um dos maiores problemas desta geração é a incomunicabilidade verbal, já que a grande maioria prefere estar presa a seus casulos, teclando textos em pequenos telefones e tablets. Quando tem que se expressar com outro ser humano, no olho a olho e com a utilização de suas cordas vocais, entala e acaba entabulando uma pérola como a que ouvi.
Sei que hoje nem exceção sou. Passo igualmente a ser regra, devido as circunstâncias em que somos levados a viver. Poucas são as oportunidades que tenho que sentar e discutir coisas que poderão abrir novas veredas em minha capacidade de pensar. Foi conversando e ouvindo, através de nos de labuta, que fiz minha cabeça, em relação ao que acho importante dentro de um cavalo de corrida. Se estou certo ou errado, isto é outro problema. Só há uma forma de você medir. E esta medição será fruto dos resultados obtidos em pista. Todavia, sempre que possível tento comunicar-me, e assim, neste veículo ao qual me utilizo, - o Ninho do Albatroz - expresso o que sinto e deixo que outros o façam o mesmo, quando algo de proveitoso foi dito e pode ser ouvido.
Não defendo dogmas. Apenas levanto teses de aumento de probabilidades de sucesso. Por exemplo, houveram dezenas de tribos atuantes classicamente no inicio do século passado. Hoje, não são muitas. Outrossim, não há desdouro algum em usar hoje, um Tourbillon, um Hyperion ou mesmo um Hurry On. O que a pessoa tem que assumir, é que estará diminuindo as suas probabilidades. O mesmo em relação as linahs maternas e aos tipos de cruzamento. Sim, por que este é um esporte de probabilidades. Quanto mais você as aumenta percentualmente para o seu lado, maiores serão as suas chances de sucesso em relação a seus adversários. Como num rio, que embora sempre corra para o mar, tem em seu leito distintas correntes. Umas irão até o seu destino. Outras o farão parar, vitima de uma calmaria. E ainda existem aquelas, que o colocarão dentro de um rodamoinho, onde você rodará, rodará e certamente não chegará a lugar algum. A escolha é sua, o custo da empreitada também.
Sei que é bastante difícil acreditar, ser possível suplantar haras como o Sta. Maria de Araras e Mondesir, que trazem consigo um sistema de depuração através de décadas. São anos e anos de seleção continua. Mas outros com menor tempo e investimento não tão grande, também estão chegando, cada dia, com mais assísua frequência lá. Ou será que o Sergio Meneses e o Alfredo Grumser, para se citar apenas dois exemplos, conseguem o que estão conseguindo, por obra e decreto do Espirito Santo? Não menos fácil, é igualmente enfrentar o poderio de investimento de um TNT, de um Old Friends, de um Phillipson, de um Red Rafa, de um Beverly Hills, de um Anderson, de um Santa Rita da Serra. Grupos que se reforçam anualmente. Mas este é o preço que todos os outros terão que pagar para estar neste mercado, ganhando, ou pelo menos disputando com alguma chance. Pensem, os grandes proprietários como o Alvaro Novis, o Sergio Coutinho Nogueira, donos de grandes coudelarias, um dia também tiveram que começar. E chegaram onde chegaram, investindo e seguindo algumas normas. E mesmo assim, se vê, cavalos como Moryba, Belo Acteon, Didimo, L'Amico Steve e outros, de proprietários menores, igualmente chegando lá, nas principais provas de nosso calendário, graças ao detalhe e a inteligência de gente que acredita e faz igualmente, seu dever de casa. Difícil é, impossível, nunca será.
Para tal você deve usar de todas a sua imaginação e acreditar que talvez no detalhe, você possa achar uma forma de disputar com igualdade de chances. E evidentemente que tudo tem o seu inicio no ato de selecionar. Pois, até que provem ao contrário, a base de tudo, é ainda o cavalo. Ele nasce ou não um craque. Dai para frente você pode manter ou perder, nunca melhorar aquela equação genética que cada um trás, em suas entranhas, desde o momento que o útero é fecundado.
Precisaríamos de um número maior de médios e pequenos proprietários, para preencher uma lacuna existente em nosso mercado. Mas, sinto que o número não cresce. Ao contrário decresce a cada ano e mesmo no patamar mais alto. Sim é verdade.
Infelizmente estamos tendo um enfraquecimento. O Marcos Simon, liquidou. O Mondesir diminuiu. O Jessica bateu asas e vôou. São perdas irreparáveis para o nosso mercado. gente que ganha e não poderia a principio reclamar dos resultados. Estes três, para se citar apenas alguns, eram pilares de uma estrutura, que já não primava com uma estabilidade e que agora balouça mais, à eterna pressão do vento que nos assola. Por isto, nunca me furtei a responder quem quer que fosse. Por isto montei este blog, que tenta fazer as pessoas pensarem, discutirem e tentarem achar uma vereda distinta de igualmente chegar aonde cada um quer.
O blog existe, graças a pessoas como o Afonso Burlamaqui, o Aluízio Ribeiro, o Clovis Salioni, o João Paulo Ribeiro, o José Adriano de Siqueira Quadros, o Julio Bozano, o Sergio Coutinho Nogueira, e um grupo de abnegados correntistas. São poucos? Sim são poucos. Mas eles fazem a diferença para muitos, já que o número de acessos diários é grande, sempre beirando a faixa dos quatro dígitos. E ultrapassando em dias de grandes festas.
A única forma de se crescer neste mercado, é pela informação. E informação não é fofoca, ou disse me disse. Informação são estatísticas e opiniões, que façam aos que querem entrar, crer que existe uma lógica. Que isto, que vivemos diariamente, não se trata de um mercado de sorte ou azar. De uma roleta russa onde comprando-se um Duke of Marmelade você estará em pé de igualdade se o fizesse em relação a um Ghadeer. Que as chances serão as mesmas partindo-se de um Elusive Quality, de Royal Academy, de um Spend a Buck, ou de um Miesques Son, de um Sagamix ou de um Giant Gentleman. Assim que, alguém, imbuír-se da necessidade de pesquisar e regrar suas escolhas, este alguém terá a mesma chance de enfrentar, em igualdade de condições, mesmo aquele mais antigo e já com sucesso na atividade.
Se o cachorro engarrafado, na opinião do Tom Jobim, pode vir a ser o melhor amigo do homem, confesso que não tenho grande certeza. Mas que a informação séria, fidedigna, ainda é o maior amigo de qualquer turfista, disto eu não tenho o menor resquício de dúvida.