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sexta-feira, 3 de maio de 2013

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: NA VERDADE, NÃO SABENDO BEM O PORQUE ...

Era o inicio da Primavera. Tempo ansiado por aqueles que moram em lexington, e visto como o inicio de uma nova geração a nascer. Pois bem, após uma troca de ideias em Lexington, com alguns amigos, sobre o posicionamento dos pedigrees da era moderna, pus-me a refletir, sozinho em um Starbucks da vida, sobre o que havíamos discutido e mais ainda, da maneira que o havíamos feito. E cheguei a seguinte conclusão. Nada muda, tudo adapta-se. Como na primavera, as árvores se renovam, os nomes a que nos referíamos nos pedigrees clássicos modernos são também diferentes dos que apareciam 100 anos atrás, mas as estruturas genéticas de como eles haviam sido montados, permanece a mesma.

Não creio ser prepotência minha afirmar, que formamos um grupo de troca de ideias, onde não existe o menor resquício de tumulto, competição ou ranger de dentes. Tive a nítida noção de estar vivendo enquadrado dentro de uma sociedade bem mais organizada do que a grande maioria da população turfística, quando na verdade em tudo que nos cerca, principalmente no Brasil, sinto um alto espirito competitivo, muitas vezes exposto em agressões, dilaceração, onde o ato de devorar o vizinho, soa como uma normalidade angustiante. E os poucos clientes, como pratos de comida, no meio do deserto.

Este grupo discute, do qual faço parte, apresenta teses, muitas delas aceitas, outras não. Nestas discussões, o casuísmo ou a coincidência tendem a ser identificados e consequentemente afastados. Esta forma de agir, de maneira alguma, tem como finalidade, nenhum propósito egoísta de isolamento e de não cooperação. Ninguém está ali para roubar a ideia alheia. Ao contrário, a ideia precipua, é a de tentar estender-se à um circulo de raio ainda maior e assim, se possível, acolher novas ideias e criar mais pontos a serem discutidos, analisados e se aprovados, na consciência de cada um, levados a efeito em nossa labuta diária.

Defendi a minha tese, que na grande maioria das vezes, o que dá certo em centros mais adiantados, acaba por funcionar muito bem em centros menores, e como era o único, entre os presentes, a ter extensa vivência em um centro menor, tive que trazer subsídios aos olhos dos demais. 

Peguei de forma aleatória em meu computador os resultados das duas últimas semanas, de dois hipódromos daquela que turfisticamente considero a Ásia menor: Singapura e Macau. Para se ter uma ideia, haviam sido disputadas um total de nove provas de grupo. Três em Kranji e seis em Taipa. e todos ficaram estupefatos com os resultados. Dos nove vitoriosos, oito traziam pelo menos uma duplicação em seus pedigrees, sete pelo menos duas e quatro pelo menos três. Agora, o que mais chamou a atenção de todos, foi o fato dos três ganhadores de grupo 1 existentes na lista, possuírem respectivamente dois, cinco e quatro duplicações cada. Todos eles pelo menos uma, em elementos do sexo feminino.

Aliás em termos de duplicações femininas, acrescentaria, que podiam ser detectadas em cinco (55,55%) destes vencedores. Desta forma, esta "moderna" - que de moderna na verdade nada tem, já que era utilizada, a quase um século atrás por Lord Derby, Tesio, Boussac - funcionava em percentuais ainda mais significativos, nos centros considerados de menor competitividade. A tese foi aceita e passamos a discussão de outros aspectos. 

Achei importante comentar o fato, na verdade não sabendo bem o por que...