A poeira assentou e mais uma vez me lembrei de vó Adelina, quando ela sabiamente diagnosticava, que não adiantava chorar sobre o leite derramado. Mas creio eu que Todd Pletcher, embora tenha ganho, acredito eu, seu terceiro ou quarto Oaks, deve estar arrependido de forçar a barra com a escolha do joquei para sua grande corredora Dreaming of Julia. E se eu fosse ele, estaria mais ainda preocupado com o que possa acontecer hoje com o mais importante corredor de seu barn, Verrazano.
Sei que a situação é difícil. Velasquez é seu homem de confiança. Tem as qualidades necessárias para fazer o serviço. mas desta feita não fez. Haveria alguma razão?
Que John Velasquez, é o melhor profissional hoje em atividade no turfe norte-americano, poucos hão de discordar. Mas estaria ele com suas plenas condições físicas? Tenho aqui as minhas duvidas. O homem caiu a pouco mais de um mês, quebrou uma ou duas costelas, voltou a poucos dias a montar e oficialmente, diria que poucas foram as carreiras em que participou. Ai pega uma égua, que com ele ganhou o Gulfstream Oaks por 22 corpos e larga da maneira como largou, numa prova que dar um milímetro, era como propiciar uma légua a suas adversárias. Acredito que haverão mais perguntas do que respostas.
Dreaming of Julia, quando ganhou na Flórida, o fez com a supremacia dos lideres de geração. Sempre digo que a partir de seis corpos, é outra carreira. Ares distintos. O que dizer de 22 corpos? Pois bem, além disto, sua mais ferrenha rival Beholder, estava completamente descompensada. Suava em bicas, pulava que nem uma cabra no cio e caiu a poucos metros do starting-gate, levando ao chão Garrett Gomez. Isto tudo, a pouco minutos da partida. Por sua vez, as três invictas com reais chances na prova, estavam, como assim dizer bem. Outrossim, pelo que se notava, não nitidamente naquele ponto de confiança, que o faça jogar até as cuecas. Logo, a vitória de Dreaming of Julia, cantada semana toda em prosa e verso, parecia mais eminente do que nunca.
Mas ela largou mal, ficou encaixotada na hora que precisava evoluir de mais para mais. Foi trazida na curva para fora o que a obrigou a atropelar pelo meio de raia, numa tarefa insana, já que lá na frente Beholder fugia na frente, depois de batalhar a prova toda na segunda colocação, contra a tordilha de Baffert.
Chegou na quarta colocação numa carreira que Beholder, como todos os tropeços - por ela elaborados, diga-se de passagem - quase ganha e numa distância que poucos acreditavam ser ela capaz de sequer correr com chances. Comparem os dois pedigrees, e rapidamente notaram uma tremenda diferença de qualidade e poder staminico. Mas, que me desculpem a franqueza, Mandella é Mandella. Ninguém ganha quatro Breeders Cup em um mesmo dia, por obra e acado do Espirito Santo. Com todo respeito que Pletcher tem, e o tem por ser um profissional acima de qualquer suspeita, ele e Mandella respiram ares distintos. O do treinador da California, é o mesmo que um dia respiraram Whittingham, Frankel, Barrera, Lukas e Stevens. Para se citar apenas os primeiros cinco, que me vem, imediatamente a mente. O de Pletcher é um ar bom, mas não deste nível. Pelo menos até aqui. Conta com o maior número de grandes cavalos a sua disposição e chegou onde chegou por sua organização e afinco. MAs ainda falta-lhe algo, para dar o passo definitivo.
A ganhadora que não tem nada com isto, corria pouco a frente da grande favorita. Mas teve um percurso limpo e estudado como a maioria o são em se tratando de Mike Smith. Ciente que desta feita não tinha embaixo de si uma Zenyata, ele não esperou muito e trouxe a sua princesa, na hora certa. Pletcher ganhou, mas dava para se sentir nas entrevistas, que ele não estava plenamente satisfeito com o conjunto da ópera. Profissionais como ele, sabem, quem deveria ou não ganhar, entre os de seu barn.
Como expliquei ontem, a ganhadora não tem um pai que possa se considerar bom e um avô materno de quem se possa muito menos ser dito, tratar-se de razoável, todavia, como foi explicado, tem uma linha baixa sólida, mesmo não sendo a ramagem dela a de meus sonhos. Mas a estrutura genética montada em seu pedigree com um número grande de duplicações em pontos de extrema força, resolveu o problema.
Aproveito para abrir um parênteses. Gostaria de ressaltar, que linha baixa para mim, principalmente aquelas 18 ou 20, a que sempre estou me referindo e a da vencedora é uma delas, é que nem um pavimento. Estes 18 ou 20, são sólidos e não esburacam. Outros precisam de recapeamento a cada ano. Mas embora a linha baixa, ajude, hoje não mais resolve sozinha. Você tem que ter a estrutura genética montada, com fortes alicerces para a manter sobre este pavimento. E se a isto adir um bom pai e uma grande mãe, melhor ainda.
Diria sem estar preocupado o que pensem, que no caso de Dreaming of Julia, o leite foi derramado. Não adianta reclamar. Agora é rezar para que Velasquez se recomponha, descanse e venha com Verrazano a dar tudo de si, embora cada vez mais meus olhos estejam se virando a cada segundo que passa para Orb, se as condições da pista permanecerem as mesmas.
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