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segunda-feira, 27 de maio de 2013

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: O ORADOR DA CIRCUNSTÂNCIA

Foto de Karol Loureiro

Minutos depois desta foto ser tirada com o Paulinho Lobo, fui atacado por um orador da circunstância, que conseguiu me alugar por uns bons cinco minutos o meu já diminuto tempo de vida, com duas teses, que nem merecem ser descritas, quanto mais discutidas, sobre o fato de Avenger of Light  - que havia ganho minutos antes - ter, na opinião dele, um pedigree quase que aberto. Contive-me, pois caras como estes, os vejo como aqueles absorventes femininos que apesar de estarem no lugar certo, não sabem o que fazer com o melhor da situação. Graças a Deus, dois amigos apareceram em meu socorro e eu pude me desvencilhar daquele espectro circunstâncial.

Mas por que lembro o fato? Pelo simples fato que se existe uma coisa a se realmente temer, penso que uma das mais fortes, é o orador da circunstância em campo aberto. Como descreve-lo? Além de sua qualificação de absorvente feminino, diria ser o orador de circunstância, aquele cara que defende suas teses, sempre sob prisma próprio, evidentemente, quando este prisma lhe convém e a vontade de difundi-lo o apetece. Logo, hoje para ele, o vermelho pode ser o laranja, e quem sabe amanhã seja visto como um amarelo. Resumindo, seria como o citado orador preludiasse a catástrofe como sendo não tão ruim, pelo simples fato dele ter uma firma de construção. De maneira alguma, a meu ver, estes podem ser vistos como elementos talhados para serem respondidos em séria e passiva dignidade. Puxam a brasa para suas sardinhas, tentando vender a imagem que isto é o certo, quando na verdade a sardinha, segundo ele, não passa de um atum minimalizado. 

Outrossim no turfe, você de vez em quando tem que aceitar certos fatos como produtos das circunstâncias. Principalmente da forma em que eles se apresentam. Pois, quando pressentidas, as coisas que se realizam, não podem simplesmente passar à área do esquecimento ou da ignorância ao fato. É necessário disseca-las e se possível, entende-las. Mas daí a ver o vermelho como amarelo, é um longo e tenebroso inverno.

Hoje, o líder entre os mais novos, em La Plata, na Argentina, é um potro chamado Mystery Train. A primeira vista a gente nota que trata-se de um descendente de Chelandry, a formadora da consagrada família 1-n, o que justifica. Nota-se que se trata também de uma tribo que funciona em nosso continente, a de Caro e a primeira vista trata-se de um pedigree aberto em termos de imbreeds. Vamos por partes.

O fenômeno dos Caros andarem sempre bem na América do Sul, não se trata apenas de uma opinião. É um fato. No hemisfério norte, e diria que apenas nos Estados Unidos, pode haver uma chance da perpetuação da tribo de Grey Sovereignm via Fortino II, o pai de Caro. E diria que por intermério de um filho de Cozzene (Caro), Mizzen Mast e outro de In Excess (Siberian Express-Caro), Indian Charlie.

Há de se convir, que já fomos bem mais sólidos em termos de Caro por aqui, todavia, creio que Not For Sale na Argentina e T. H. Approval no canal Uruguai-Brasil, pelo que têm demonstrado, podem ainda figurar com êxito, por algum tempo. O fato de tanto Love for Sale - mãe de Not for Sale - quanto Potrichal - mãe de T. H. Approval - terem sido grandes elementos em pista em pista devem de alguma maneira terem ajudado na consolidação de transmissão de classe de ambos reprodutores citados. 

Pois bem, as circunstâncias me fazem crer que a mãe de Mystery Train, American Whisper, uma égua que por estas coincidências da vida vi, via televisão, quebrar seu maiden em Aqueduct, já aos três anos, é produto de outra coincidência: a de ter ficado muito perto de adquiri-la.

Como toda 1-n, ela me chamou a atenção. Porém, o que mais me contagiou nela é o fato dela ser um elemento de pretenso pedigree com duas duplicações, - em Raise a Native e Nearctic - cavalos que a meu ver são eméritos transmissores de velocidade e precocidade, mas formada por dois elementos - pai e mão de pedigrees que considero fechados: Quiet American e Believe Indeed.

Quiet American, como é de conhecimento público, é imbreed em Dr. Fager na razão 3x2 e na matriarca Cequillo 4x3. Por sua vez Believe Indeed é imbreed em Native Dancer na razão 5x5x5 e na matriarca Kankakee Miss 3x3. Não seriam as fortes duplicações em éguas que sobresairam reprodutivamente uma forte razão a se acreditar em uma égua como esta? Eu acredito que sim. Afinal linhas baixas como a 1-n, calcadas neste tipo de estrutura genética, dificilmente negam fogo, e naturalmente Believe Indeed, não fugiu a regra.

Avenger of Light, que segundo o orador da circunstância, tinha um pedigree semi aberto, me parece a preocupação lógica desta nota. Mas ele teria realmente o pedigree semi aberto? O simples fato de ser um descendente direto de Pretty Polly e  ser filho de Elusive Quality, já parece consubstanciar, todo e qualquer resquício de dúvida de onde poderá vir a sua classe. Todavia, há igualmente de se notar, que Elusive Quality, talvez seja o que foi, e o é, pelo simples fato de ser imbreed na matriarca Somethingroyal na razão 4x5, e Pretty Rafaela - a mãe de Avenger of Light - o ser em Grand Splendor 5x5 e em sua mãe Cequillo 6x6x6.

Resumo da ópera: nos dois casos, a força de seus cruzamentos pode estar até no fato deles serem produtos de pais imbreed em grandes matriarcas. E desculpem, os que não acreditam, mas isto funciona também. 

Você quando estuda um pedigree, não pode ficar preso a dogmas. Você tem que valer suas convicções, mas sempre tentando aceitar as circunstâncias em que elas lhe são apresentadas. E só assim, você não será confundido com um orador de circunstâncias, já que este último, só tem uma única convicção: a de torcer os fatos de forma a levar vantagem em tudo.