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quinta-feira, 2 de maio de 2013

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: SEM PONTO DE EXCLAMAÇÃO

Ouvi isto, numa tarde, a caminho de Bagé, de um colorado roxo. Se bem que não creio que exista um colorado ou um gremista que não seja roxo... Ele disse com rara propriedade. Ganhar o campeonato gaúcho não é importante. Agora não ganhar o campeonato gaúcho, é desastre.

Pois bem, extrapolemos, sem guardar as devidas proporções, para o turfe russo. Eu afirmaria que Ganhar uma prova de grupo na Rússia não é importante. Agora não ganhar uma prova de grupo na Rússia, é desastre.

Por que estas comparações á minha cabeça? Na verdade por vias indiretas. Outro dia estava conversando com um criador ainda cético em fazer imbreeds - logicamente trata-se de um criador brasileiro - e ele me disse, tentando minimizar um pedigree que eu lhe apresentava como exemplo: e quem neste mundo não é imbreed em Northern Dancer? Ao que respondi prontamente, todo e qualquer filho de Gone West.

E a coisa é simples de explicar. Gone West é um chefe de raça, que não tem a presença do baixinho notável - refiro-me ao Northern Dancer, não ao Romário, que na verdade nem tão notável era assim, como este mesmo criador acha e por isto, o idolatra - em seu pedigree. Logo é impossível se fazer imbreeds em Northern Dancer. Outrossim, mais de 80% de seus filhos ganhadores de grupo possuem pelo menos uma duplicação até a sua quinta geração. Sendo que a grande maioria dos mesmos, tem pelo menos duas. E pasmem, entre as duplicações mais frequentes, alguns cavalos que não aparecem tão usualmente duplicados nos pedigrees dos filhos, de outros grandes chefes de raça, como Princequillo e Tom Fool.

Mas o que que a Rússia e consequentemente o campeonato gaúcho tem a ver com isto? Eu diria que parte...

Close Alliance, creio eu, foi um dos poucos filhos de Gone West a ser exportado, ainda inédito, para a Rússia. Lá ele ganhou, seis de seus compromissos, entre as quais cinco provas de grupo, sendo duas de graduação máxima. Todas na distância de 2,400m. Logo tratava-se de um especialista. para os russos, o rei da cocada branca!

Mínimo parentêses a ser aberto. De uns tempos para cá, estou me vendo impelido a colocar pontos de exclamação em alguma de minhas frases. Tenho que coibir esta mania, já que não sou Richard Wagner, que deixou por escrito a seguinte frase: I write music with a exclamation point! Traduzindo eu componho música com ponto de exclamação! Como não tenho esta bola toda, por favor não levem em consideração meus acentos de exclamação. Fecho este mínimo parênteses, que acabou não sendo tão mínimo assim. Continuando.

O campeonato gaúcho está para a Copa do Mundo, como o turfe russo, para a Breeders Cup. Ou coisa parecida. E antes que alguém diga, que um Gone West faz a diferença, em carreiras disputadas naquele pais, eu concordo, mas adindo elementos que considero importantes, para que estas carreiras, não sejam apenas carreiras e sim AS CARREIRAS.

O primeiro elemento que salta as vistas, é que além de ser um Gone West, ele também era filho de uma A. P. Indy, numa mãe Northern Dancer, numa mãe Buckpasser na linha materna 9-f, sendo sua avó, a não corrida Dokki, uma irmã materna de Slew O' Gold. Ela ainda por cima, era imbreed em Buckasser na razão 4x3 e em Princequillo 5x5. Creio, que uma mãe como esta, ajuda a empurrar qualquer piano, que dirá um Gone West, que pouca ou nenhuma ajuda, necessita.

Assim sendo, fica licito se afirmar, que estrutura genética e linha baixa não lhe iriam faltar, ambos advindos de Shoggle, uma ganhadora de apenas uma carreira, em seis apresentações. Outrossim ai entra o segundo elemento. Esta estrutura genética ficou ainda mais enriquecida, com o simples fato de ao ser cruzada com a de Gone West, Close Alliance passar a ser imbreed em Secretariat 3x4, Native Dancer 4x5,  e Tom Fool 5x5.

Desta forma é licito se afirmar que da mesma forma que Ganhar o campeonato gaúcho não é importante. Agora não ganhar o campeonato gaúcho, é desastre, se você vive a realidade de um campeonato gaúcho, como é também a nossa situação de criação em relação aos dos centros mais desenvolvidos, como os Estados unidos, a Europa, o Japão e a Oceânia, que mesmo não se utilizando Northern Dancer, chega-se lá, por outras vias.

Agora imaginem no caso de Elusive Quality, um filho de Gone West, que ainda por cima tem Northern Dancer em seu pedigree, o que evidencia ele poder fazer imbreeds neste grande chefe de raça? Sopa no mel? Queijo na goiabada? Toucinho na feijoada?

Os imbreeds em Northern Dancer e seus filhos - hoje sendo Danzig e seu filho Danehill os que estão tanto em voga-, são evidentemente espetaculares, mas não mandatórios. Afinal se podemos chegar Roma por todos os caminhos, eu diria que ao winners circle, se não por todos, estes que apresentamos, são os mais rápidos e seguros.