Inicio, sendo direto; o turfe é uma ópera. Qualificados nos pequenos detalhes. Como árias, perdidas dentro de um longo dramalhão, seus atos, seus dramas, sua plasticidade e o aroma de toda a sua ambience. Mas existem outros grandes fatos, diria até que enormes, que nós no Brasil, teimamos a não aceitar, ou mesmo a sequer discutir. E ao invés de vivermos a nossa ópera, partimos para uma versão bufa, que pode não nos levar a lugar algum. O certo, é que colocarmos a mão na consciência, veremos que até a África do Sul, já nos passou. E aqui entre nós, de viagem...
Demonstramos que em 15 carreiras de grupo disputadas neste fim de semana no mais importante centro de turfe do Hemisfério sul, a Ocêania - Australia e Nova Zelândia - todos, sem exceção ganhadores, traziam em seus pedigrees, pelo menos uma duplicação, naqueles que rotulamos de pontos de força.
Pois bem, de uns anos para cá, a Oceânia, em principalmente a Austrália, estão exercendo muita influência em outro centro turfístico de nosso hemisfério, a África do Sul. Tanto assim que este fim de semana, das quatro provas de graduação máxima, disputadas em Turffontein, duas das mesmas, vieram a ser vencidas por Aussis. Sendo uma, o Derby local.
Aliás, cabe-se notar, que com 46 provas de grupos disputadas até o presente momento na África do Sul, seis das mesmas vieram a ser vencidos por elementos nascidos na Austrália. Isto é, mais de 10% das provas. Pois bem, se levarmos em consideração que houve apenas um ganhador argentino, uma brasileiro e um irlandês, entre todos os invasores, veremos que os aussis estão sobrando nesta turma. E não é para menos. Investem mais e o mais importante, arriscam mais.
Aqui entre nós, eles além de possuírem melhores pedigrees e estão criando naquilo que o Simonal chamaria de o fino da bossa. Mas vamos ao que interessa, pois quinze minutos são sempre importantes nesta época da vida.
Dos nove ganhadores de provas de grupo em Turffontein, e dos três de Scottsville em duas tardes sequenciais, oito deles traziam pelo menos uma duplicação em seus pedigrees. O que equivale a dizer que mais de 83,33% o fizeram. O que para mim é um luxo, principalmente se levarmos em consideração que se os pedigrees brasileiros eram escancarados, os dos sul-africanos a pouco mais de uma década atrás, eram arrombados. Mas eles estão perdendo o medo e arriscando um pouco mais.
Outrossim, vamos mais longe. Poderemos provar que não foi um bom fim de semana para os pedigrees não abertos. Por que digo isto? Por que das 49 citadas vitórias, 38 delas vieram a ser obtidas por elementos que tinham pelo menos uma duplicação. Isto quer dizer, 83,67%. Mas existe um dado que não pode passar a desapercebido. Destes 38, 28 dos mesmos tinham pelo menos duas duplicações e 11 pelo menos três. E mais 17 são as vitórias obtidas por elementos que trazem pelo menos uma duplicação em nome feminino.
Mas existe outro dado que cada vez mais tem me chamado a atenção e eu já comentei sobre o mesmo. O fato das éguas com significativos Rasmussen Factors, em seus pedigrees, estarem se tornando reprodutoras de produção clássica, cada dia com mais intensidade. Tome um minuto de seu tempo para notar nas mães de My Sanctuary, que é imbreed em Weekend Surprise 3x3 e de All Secret que o é em Crimson Saint 4x3
O que isto tudo quer dizer?
Que também na África do Sul, os imbreeds, tanto em machos como em fêmeas, estão começando a fazer uma significativa diferença. Isto não é uma opinião. Aliás, há muito tempo, já deixou de ser, pois, mesmo para os detratores do óbvio, e deturpados mentais, há de ter se tornado um fato. E se estã funcionando em dois dos importantes continentes do hemisfério sul, por que não funcionaria no nosso? Mas quem não concordar, faça diferente e entre na luta com menos de 20% de chances de sucesso... Afinal, que seria do azul se todos adorassem o rosa pink!























