Renato,
As vezes me confundo em seus textos. Você, acaba de afirmar que o que mais gosta em um cavalo de corrida é a sua vontade de vencer? Pensei ser a velocidade.
Montenegro.
Carlos,
Evidentemente que a vontade de vencer sem a classe, a velocidade, a stamina e a consistência, não vão levar este cavalo tão bem intencionado a lugar nenhum. E mesmo eu, que tenho mais tempo que você em ver corridas, nunca irei notar este cavalo, tendo ele vontade ou não de vencer. A vontade de vencer é notada, quando existe um luta e alguém um se sobrepõe. E quando isto é repetido mais vezes, você capta que aquele elemento, sim, tem muita vontade de vencer. Tudo que escrevo e digo, tem como universo de pesquisa e analise, as provas de grupo, onde muitas vezes o ar que se respira é completamente distinto. Logo haverão outros, em outros patamares, que a mim passarão desapercebidos. Uma vez o Alejandro Lillienfield, me disse que Tumble Lark era um destes.
Mas dentro do patamar a quem me preocupo, dou como exemplos clássicos Affirmed e Sunday Silence. Ambos deviam ter até menos abilidade que Alydar e Easy Goer, mas na hora do vamos a ver, eram eles que, quase sempre, prevaleciam. Mais recentemente eu diria ser Zenyatta, o melhor exemplo. No Brasil, lembro-me de Derek. Este, muitas vezes teve a sua linha igualada, mas acredito que em apenas uma oportunidade, ultrapassada. Outro da família Paula Machado que tinha esta característica era Romarin. Ele era todo coração. Corria, como se um prato de comida estivesse na chegada a espera de quem primeiro lá chegasse.
Esta é a vontade de vencer a que me refiro. Não apenas a vontade. mas a vontade levada as últimas consequências. Tesio dizia algo assim, que o cavalo corria com as pernas, acelerava com o coração, aguentava com os pulmões era era da cabeça e da sua vontade de vencer, que advinha sua consagração. E era exatamente vontade de vencer, que os criadores deveriam incutir no produto a nascer, com a forma de cruzar seus pais.
Afirmei aqui sobre o temperamento de St. Simon. Era o de um demônio. Mas um demônio que queria vencer a todo custo. Nunca ninguém o bateu. Nunca ninguém o tocou com o chicote. E Tesio, o reconhecia, como o maior cavalo já nascido, e por isto, inseria o maior número de correntes de St. Simon que poderia ter às suas mães em um pedigree. E quando a oportunidade lhe soava, ele ainda duplicava a presença da mãe do mesmo, da maneira mais próxima, possível.
Resumindo, meu caro Carlos, a vontade de vencer tem que vir com os outros atributos, pois, se não, nem será reconhecida, mesmo pelos mais observadores.
Renato
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