SERIAM BAL A BALI E
BRILHANTISSIMA
DOIS CLASSIC HORSES
NA EXPRESSÃO QUE ESTA PALAVRA
POSSA A TER
PELO MENOS PARA OS INGLESES?
Terminologia, é algo que pode não afetar a alguém. Mas afeta a mim, que escrevo e quando se escreve, alguém alguém em Tegucigalpa daqui a 20 anos pode ler, e ficar mal impressionado com o termo usado. Exemplo. Não tenho certeza, como definir o termo classic horse. Evidentemente que os ingleses acham que este termo deve ser apenas usado com os vencedores de pelo menos uma prova de sua tríplice coroa, ou do Oaks e dos 1,000 Guineos. Acho muita restrição, ainda mais que os ganhadores do St. Leger hoje, deixam muito a desejar.
Tenho mais afeição a definição dada em 1965, pelo comitê de Pattern Races, que definiu da seguinte forma: o cavalo ideal é aquele que tem mais velocidade que um sprinter, embora não tenha corrido em provas de menor distância que os 1,400 metros, e que se mostre supremo da milha aos 2,800 metros aos três anos, ou com mais idade. Discordo em relação a extensão da distância determinada, porém há de se convir, que nos anos 60, a tríplices coroas européias eram o must.
Para mim, o grande cavalo de corrida, é aquele que acompanha o trem de carreira com facilidade e acelera nos metros derradeiros, como se ali estivesse começado a prova. O nome que dou a eles? É o que menos importa. Pelo menos para mim. E assim invés de tentar rotular cavalos, os descrevo, e que cada um rotule da forma que lhe for mais conveniente.
Preocupo-me com outros aspectos, como por exemplo, como a linha de Man O'War possa ter mais individuais ganhadores de grupo, que as de Hyperion, Hurry On, Tourbillon e Blandford juntas, na temporada recém finda. O norte-americano deve realmente ter sido algo do outro mundo, já que seu proprietário limitou seu book de éguas em apenas 25, e ainda por cima, ficava com mais da metade e vendia algumas, a amigos especiais, como um favor, pela soberba quantia para época, de US$5,000.
Man O'War (foto de abertura) nasceu em 1917, logo após a turbulência acontecida no insípido turfe norte-americano e em pleno início da primeira guerra mundial. Logo, há de se convir que ele teve sua vida atlética desenvolvida em um época não muito convencional. Em 1897, a febre das corridas de cavalos era intensa. Nos Estados Unidos, haviam em funcionamento, nada menos do que 314 hipódromos e 43 no Canadá. Mas com a crise de 1908, estes números caíram para 25 e seis, respectivamente. Dois anos depois com uma lei que proibia o jogo, resultou no fechamento de Belmont Park por dois anos. Achar que isto não afetou a criação local, é acreditar que o ex-presidente Lula, só bebe licor, e assim mesmo apenas depois do jantar.
Isto aconteceu, dois anos depois, de August Belmont ter importado ao tríplice coroado britânico Rock Sand, por US$25,000, ou em outras palavras o preço de seis coberturas daquele que um dia ele viria a criar e vender para o Pennsylvania tycoon dos têxteis, Man O'War. Por que August Belmont vendeu a Man O'War? Pasmem ele se engajou na guerra e achou que devia focalizar-se apenas neste esforço, já que contava na época com 63 anos de idade. Não importa, o que importa é que Man O'War era forte, grande cheio de vitalidade e corria mais do que as pernas. Nunca deixou um grão em seu comedor, nunca perdeu um dia de treinamento, nunca teve sequer uma variação de temperatura. Era a saúde, personificada.
Rock Sand (foto acima) em 2010 produziu a Mahubah, que viria a se tornar a mãe de Man O'War, porém, seu maior feito, foi ser pai de Tracery que criado por Belmont, correu na Inglaterra, onde ganhou - além de ser terceiro colocado no Derby- o St. Leger, o Sussex Stakes, o St. James Palace Stakes, o Champion e o Eclipse stakes. O que estaria na definição estabelecida pelo comitê em seu boletim de 1965, da milha aos 2,800, Tracery era superior. Por 25,000 sterlinas, Tracery foi adquirido em 1920 para a Argentina pelo criador Saturnino J. Unzue, voltando Inglaterra em 1924, morrendo logo a seguir vitima de uma cólica.
Muitos estudiosos acreditam que a grande força de Man O'War, advinha de seu avô materno, Rock Sand, do qual herdou muitos detalhes físicos e o temperamento. Sendo verdadeira ou não esta assertiva, Man O'War venceu 20 de seus 21 compromissos e não se sagrou tríplice coroado, pelo simples fato de não ter sido nominado para o Derby. Prova que por isto foi impedido de correr.
Levado a reprodução ele teve que enfrentar uma onda de importações, feitas a Europa, depois da primeira guerra mundial. Entre estes novos reforços, haverão de serem citados Sir Gallahad III, seu irmão Bull Dog. Sir Gallahd III não apenas gerou a um tríplice coroado, Gallant Fox, como veio a ganhar quatro estatísticas de reprodutores. Bull Dog, produziu a Bull Lea, ganhador das estatísticas gerais de reprodutores em cinco oportunidade e pai de outro tríplice coroado, Citation. Este último com uma mãe Hyperion, numa mãe Hurry On, numa mãe St. Simon.
E para este período, Man O'War venceu apenas uma estatística de reprodutores, em 1926, mas sua linha sobreviveu, e as de Sir Gallahad III e Bull Lea, sucumbiram. Com o evento da segunda guerra, Aga Khan, vendeu para os Estados Unidos, seus três Derby winner, Blenheim, Mahmoud e Bahram - sendo este último, tríplice coroado. De Lord Derby, veio Heliopolis, assim como mais dois Hyperions, Alibhai e Khaled. Somaram-se Princequillo e finalmente Nasrullah.
A exceção de Nasrullah, uma a uma das descendências dos citados, sucumbiu, mas não a de Man O'War. Logo, Man O'War me parece ter algo de muito especial. Algo, como sua saúde, que de alguma forma pode transmitir, que faz sua descendência resistir e produzir 24 individuais ganhadores de grupo na temporada de 2013, apenas cinco a menos, que todas as citadas linhas juntas: sete de Hyperion, 18 de Blandford (com ampla dependência de Monsun), três de Tourbillon, somente um de Princequillo e nenhum de Hurry On. E nove a mais, que as duas outras linhas de origem norte-americana: Questionnaire 10 e Domino, cinco.
As duas vertentes com plena atividade, advindas de Man O'War via o tordilho Relaunch, estão brilhando nos Estados Unidos e no Brasil. Mas enquanto a de Tiznow (foto ao lado), parece estar abrindo seu caminho, a pergunta que não pode calar, passaria a ser: estaríamos dando alguma chance a descendência de Put it Back?
Teria este reprodutor o respeito que realmente merece? Algum filho seu será convenientemente testado a curto e médio prazos, reprodutivamente? Ou como Ghadeer, Waldmeister, Locris, e tantos outros, seus filhos serão esquecidos tão logo aqui aporte um elemento de meia boca, mas altamente fashionable? Pelo que escrevi, até aqui, dá para notar que a força de Man O'War, tem feito coisas, dificilmente de serem criveis. Ele sobrevive, a despeito de qualquer desaforo. Até por Cees Tizzy, a transmissão se manteve intacta.
Hoje, por favor prestem a tenção, eu não falo de ontem, nem de amanhã. Falo simplesmente de hoje, dia 17 de Fevereiro de 2014. Não existe no mundo um reprodutor que tenha produzido mais individuais ganhadores de grupo em 2014, que Put it Back, neste planeta. Dois, o fizeram em um mesmo número, os consagrados Deep Impact e Dubawi, ambos também com cinco. Mas eles respectivamente estariam nas terceira e segunda colocações, pois, nenhum produziu a dois ganhadores de graduação máxima como Put it Back. Dubawi produziu a um em Hong Kong e Deep Impact, ainda nenhum nesta temporada. E um detalhe, Put it Back tem hoje ganhadores de grupo em três distintos países, de dois diferentes continentes: Brasil, Estados Unidos e Uruguai.
Mas voltemos a nossos trilhos.
Não sei se Bal a Bali e Brilhantissima terão a stamina para chegar aos 2,400 metros, distância necessária para galgarem um outro estágio: os dos tríplices coroados. Aos 2,000 chegaram. Alguém, ainda tem alguma dúvida? Diria que o macho com mais facilidade. Mas este último me parece ser um daqueles elementos de "possível" exceção como Farwell, Itajara, Much Better, Cacique Negro, Immensity e uns poucos outros que aparecem de anos e anos e dominam. Suas respectivas superioridades são tantas, que não dá para se saber se no caso de Bal a Bali ele possa ter ou não a stamina para vencer, por exemplo, um dos citados. Pois, perder, ele só poderá - em condições normais - para um destes, ou deste nível. Ele pelo que demonstrou até o presente momento, parece ser um "possível" elemento de exceção. Por que por duas vezes usei o termo "possível"? Pelo simples fato que a confirmação deste status só será realmente "possível", quando enfrentar elementos de outros sítios, com fizeram por exemplo Farwell, Much Better e Immensity.
QUANTO A PERGUNTA
FEITA NO INICIO DESTA NOTA
A RESPOSTA É SIM
AFINAL ELES GANHARAM
NÃO APENAS UMA,
MAS DUAS PROVAS DA
TRIPLICE COROA CARIOCA
MAS SERIA ISTO O MAIS IMPORTANTE?
Talvez, outrossim, neste exato momento o que me chama mais atenção é o fato de seus dois melhores produtos, aqueles que ganharam provas de graduação máxima, serem ambos de criação do haras Sta. Maria de Araras. Desculpem, mas isto me faz crer que esta conjunção, faz uma diferença bárbara. Pelo menos em nosso turfe. Quem pensar de forma distinta, que ignore seus produtos nas próximas vendas e que prove ao contrário, mas na pista, não no gogó.


