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HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

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HARAS CIFRA - HALSTON POR MARILIA LEMOS

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HARAS RIO IGUASSU A PROCURA DA VELOCIDADE CLÁSSICA - Foto de Karol Loureiro

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HARAS SÃO PEDRO DO ALTO - Qualidade ao invés de Quantidade

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sábado, 22 de março de 2014

DISCUSSÃO INÓCUA, MAS NÃO INODORA

Todas as manhãs, eu penso andando e olhando para o mar. Ele não fala comigo, porém, me acalma e sua infinitude prova que a vida é uma eterna pesquisa e uma sucessão de escolhas. Desta forma chego as minhas primeiras conclusões do dia que terei pela frente. Das decisões e atitudes que terei que tomar. Se elas serão as certas ou as erradas, a futura performance em pista,  dos animais a quem estou profissionalmente atrelado, será a única resposta.

Confesso que nem tudo que prego, sobre o que tem funcionado no hemisfério norte, pode ser adotado no Brasil. E por que? Por que durante muitos anos ficamos subjugados aos desígnios de uma grande agência britânica e de outras menores, igualmente a serviço do velho mundo, que trouxeram para o Brasil, todo o lixo possível e imaginário, evidentemente com caríssimas exceções e alguns golpes de sorte. O que o Canadá, a India, a Oceânia e a África do sul rejeitavam, pimba, para o Brasil era trazido. E tínhamos que engolir e fingir que degustava-mos. Era a sardinha, servida como caviar. Este é o segundo ponto que penso ser importante de se frisar. Certas coisas não acontecem no Brasil, pois, embora tenha gente capaz de examinar 5,000 pedigrees, é incapaz de enxergar o que eles dizem. Todavia, sou obrigado a agradecer a estes senhores, pois, me fizeram ver, quando ainda jovem, que se no Brasil continuasse e não tentasse alçar vôos maiores, se tudo um dia desse certo, não passaria de ser como eles, anos adiante. E não existe coisa pior no turfe, que a estagnação. Mas voltemos aos trilhos.

Assim sendo, pelo que foi trazido para o Brasil - volto a repetir salvo raras exceções - a grande maioria de nossos mensageiros, não podem ser considerados fidedignos. E o pior, a coisa continua acontecendo, agora apenas "transvestida" por dois ou três grandes fornecedores de reprodutores, hoje existentes no mundo, que quando não encontram mais espaço na Oceânia, para colocar seu peixe, atravessam o Atlântico e aqui vem aportar. E a preços astronômicos. Completamente fora da realidade. Desculpe meu francês, mas esta é a mais pura verdade. Assim sendo, deve haver engenhosidade da parte de nossos criadores, para saber distinguir o joio do trigo e torcer para o trigo já separado, mesmo não sendo da melhor qualidade, possa com suas sementes, semear novos campos. E é aí que a importação das reprodutoras é de suma importância. 

O mundo vive hoje a dominância dos Northern Dancer. Eu sei, minha vó Adelina saberia se viva estivesse e até os detratores do óbvio são incapazes de discordar. Bem com raras exceções... O que resta a saber, é o por que? Eu diria que primeiramente por sua inolvidável capacidade de transmissão mas muito também, pela incapacidade de outras tribos se adaptarem as necessidades do mundo moderno. Porém, quem conhece história, não precisa estudar 5,000 pedigrees, para tomar conhecimento que o Northern Dancer de hoje, foi o St. Simon dos primeiros anos do século passado e Hyperion na metade deste mesmo século. E onde eles estão agora? Como Greta Garbo, no Irajá! Quem garantirá que Northern Dancer esteja tão forte pelas linhas altas daqui a 30 anos? E se ele não estiver, outro leitor de 5,000 pedigrees, dirá que ele se extinguiu pelo excesso de imbreeds feitos sobre ele. Como até hoje fazem as viúvas inglesas que querem se vingar de Boussac, pelo estrago que fez no turfe de sua majestade, durante duas décadas. Apenas na imaginação daqueles que nenhum resultados tiveram, e ainda pregam aquela idiota visão que do bom com o bom, irá advir o melhor, poderá se supor que não existam um pattern sequer, em 85% dos cruzamentos de ganhadores de grupo pelo mundo.

Eu acho que de uma forma ou de outra, trouxe para o Brasil, potrancas que correram muito e éguas que produziram cavalos que corriam muito. Se não foram muitas, certamente foram um número muito superior do que qualquer outro agente do ramo. Isto não é uma hipótese. Isto é um fato que pode ser respondido com números. E sabem por que tive este resultado? Primeiro por que acho que tive sorte na identificação da qualidade física do elemento e de seu pedigree, por linha baixa, pela estrutura de seus pontos de força, e principalmente de como estes pontos de força poderiam ser duplicados no Brasil. E segundo, pelo simples fato de sempre ter tido uma independência e não ser obrigado a ter que vender este ou aquele cavalo, desta agência ou daquele vendedor importante. Desculpem a franqueza, mas isto faz uma diferença abismal.

Vejam o que Aga Khan e a Juddmonte têm feito pelo turfe mundial em termos de aumento da qualidade genética. Certamente mais que a Godolphin e se levarmos em consideração tamanho e investimento, no mínimo em um mesmo patamar da Coolmore. A técnica de cruzamentos, dos dois primeiros citados, não é difícil de ser detectada. Não existe uma fórmula. Mas sim um pattern. O problema é identificá-lo e copiá-lo, sem o material que eles dispõem depois de anos de depuração genética. Igualmente há de se convir, que embora não seja fácil se ganhar provas importantes no Brasil, é ainda mais simples do que fazê-lo em Royal Ascot, Newmarket ou mesmo Longchamp. Assim sendo, o que é bom para eles, na maioria das vezes será ótimo para nós.

A verdade nua e crua, é que a gente tem que sonhar com o King George - e falo com conhecimento de causa, pois, eu lá já estive sem pagar mico e creio que outros agentes não - para com um pouquinho de sorte ganhar o Brasil ou um OSAF, onde também já estive, recentemente. Ou com um mais sorte, quem sabe, uma Dubai Cup. E já que estamos falando disto, uma pergunta, que não pode calar, mas que precisa antes de uma explicação. Tive a oportunidade de selecionar e adquirir ao único cavalo brasileiro que veio a ganhar uma Dubai Cup. Neste século, não a décadas atrás. Sorte? Talvez. Mas este era o objetivo assinalado desde o inicio pelo investidor que me contratara. A pergunta é simples. No que, você proprietário mais confiaria, no pedigree de Gloria de Campeão?

1. por ser filho de Impression ?
2. por ser neto materno de Clackson ?
3. por trazer consigo um imbreed em Good Manners e outro em La Farnesina?
4. por pertencer a consagrada linha U do El Turf-Abolengo?
5. nenhuma das respostas acima?

Eu como comprador, garanto que ainda tenho minhas dúvidas. O que sei é que a conjunção dos itens 2,3 e 4, mal não iria fazer. Como não só não fez, como para a sorte do Estrela Energia, funcionou. Logo, eu tenho plena consciência quão difícil é se precisar com plena exatidão, o que realmente funciona em um pedigree de um grande ganhador. Agora imaginem para aqueles capazes de estudar 5000 pedigrees e nada encontrar. Um pattern sequer. Por isto o melhor sempre foi e sempre será, juntar-se "coincidências" anteriores, o maior número de qualidades genéticas dentro de um pedigree e se possível duplicá-las, na hora de um cruzamento, para aumentar suas chances de sucesso. Afinal hoje, em todo e qualquer continente, mais de 84% dos vencedores de grupo, tem pelo menos uma duplicação em seus pedigrees.

No Brasil, acredito que eu, que estas duplicações tenham de ser mais próximas, pela pouca confiança depositada nos nossos mensageiros. Pelo menos é assim que a Austrália contornou o problema, e vem tendo percentualmente os seus melhores resultados, assim como a India o está fazendo também, por ter um problema ainda maior que o da criação brasileira, em termos de mensageiros. No Japão a coisa avoluma-se e na Inglaterra é o must do momento. E você não será obrigado a examinar 5,000 pedigrees. Pegue os 19 ganhadores de grupo 1 na milha e meia de cada temporada europeia, durante estes últimos anos, e terá a resposta. E nunca se esqueça: não se afaste do chefe de raça!

Ademais, qualquer que seja a sua idéia e o material que disponha em suas mãos, o turfe é ainda por cima, um trabalho de equipe. Todas as peças tem que se ajustar, para que a máquina não venha a emperrar em algum ponto da subida, ou perder o freio na descida. O craque nasce quando o óvulo é fecundado. Seu código genético estará estabelecido. Dali para frente uma corrente de fatos e profissionais, que o levará à sua estreia. Sempre digo que se um elo desta corrente falhar, todo o trabalho vai por água abaixo. O diamante perde um pouco de seu valor, ou poderá até passar a ter, o valor de uma bijuteria. O resto? É conversa de fim de feira. Inócua, porém não inodora. E quem tem experiência sabem o odor que que um final de feira trás consigo...

Amanhã continuaremos.