Anos antes, um respeitável proprietário brasileiro, - que eu inclusive respeito e reverencio - para justificar ter ele selecionado, por um preço vil, um dos melhores cavalos que vi correr entre os de nacionalidade brasileira, disse que o fez, por ser capaz de ver a alma do cavalo.
Como nunca fui capaz de ver a alma de cavalo algum, tenho que respeitar a afirmação, sempre esperando que uma segunda alma seja reconhecida pelo mesmo proprietário, em um futuro próximo. Mas deixando de lado hipóteses, vamos a um fato incontestável. Havia algo em Federico Tesio, que definitivamente o diferenciava dos demais, de sua época e diria mais, de todas as épocas. Um dia voltando de trem de Baden Baden, horas após seu pupilo Scopas haver conquistado na mais importante carreira daquele hipódromo, e para mim da Alemanha, o Grosser Preis von Baden, Tesio disse que quando ainda muito jovem, esteve na Patagonia, e lá ele estudou uma forma de ouvir as estrelas e falar com os cavalos.
Nunca ouvi as estrelas e muito menos consegui uma resposta sequer de um cavalo, embora confesso que tenha tentado exaustivamente. Outrossim, algo para mim há muito deixou de ser uma hipótese e cristalizou-se à meus olhos como um fato consumado, é que o melhor cavalo de todos os tempos, nas distâncias consideradas clássicas, foi Ribot, o mais importante reprodutor para o desenvolvimento da raça na era moderna, foi Nearco e aquele que mais impressionou por sua criação, foi sem dúvida alguma Federico Tesio. A ligação destes três citados, me faz crer, que Tesio realmente ouvia as estrelas e falava com os cavalos.
E ai eu pergunto, como o fez o estudioso John Hislop em 1962: quais foram os princípios que guiaram Tesio, de estabelecer planos que elevaram o padrão de uma insípida industria italiana de produção de cavalos de corrida, a um plano excepcional, e que acabando por influenciar de forma tão significativa, o resto do mundo? Eu diria que tenha sido um misto de um dom natural, muito estudo dos pedigrees e uma forte dose de observação diária.
Teci minha opinião ontem, sobre o que creio ter sido o verdadeiro início da criação italiana, até ela chegar a Tesio, que a projetou mundo afora. Trata-se apenas de um hipótese, embora tudo relacionado a Tesio, ter que ser analisado como fato. E na oportunidade me ative sobre a importação e um potranca de Edmond Blanc, chamada Madree.
Não sei se este nome, na era moderna, tenha passado em algum segundo na cabeça de quem quer que seja. E por que então na minha? Quando visitei o Dormello, nas cercanias do Lago Como, tive o ensejo de acessar várias folhas de coberturas e comentários de Tesio e numa dela, mais precisamente, o de Navarro, vi que em volta de Madree, um círculo a caneta fora feito. Possivelmente por Tesio, sua esposa, Donna Lydia, ou quem quer que seja. Foi a partir dai que comecei a estudá-la e cheguei as colusões que apresentei ontem, sobre ela e Signorina, possivelmente serem os fatores de impulsão de Tesio ao estrelato. Outra hipótese.
Pelo sim, pelo não, sua importância foi sempre grande na criação italiana, ela que descendia de um ramagem não muito importante, a 2-w. Estudando os ganhadores de derbies europeus, dei um dia de cara com o pedigree de Altrek, o afortunado vencedor do Derby de 1955, aquele que não contou com a presença de Ribot, pelo simples fato dele não ter sido inscrito para os clássicos daquele pais.
Altrek era filho de Antonio Canale, cujo pai Torbido tinha uma mãe filha de Michelangelo, este um filho de Fausta e consequentemente neto de Madree. Pois bem, a mãe de Altrek, era uma filha do exaustivamente comentado Navarro, que por sua vez, tratava-se um filho, também de Michelangelo. Só que com detalhe a mais. A quinta mãe de Altea - a mãe de Altrek - era Madree. Pois é, mesmo no meio do século passado, as coisas aconteciam, não pelo milagre da multiplicação dos pães e sim por observação e estudo. Fica divicl, creio eu, para os arautos da informalidade, que Tesio e alguns criadores de sua época não tivessem um pattern, na hora de decidir por seus cruzamentos.
Quando publiquei meu trabalho sobre Tesio, fiz questão de demonstrar que Ribot era produto de um pedigree muito bem elaborado, - aparentemente aberto - em que o aparecimento de nada menos que 13 linhas de St. Simon, por 10 distintos mensageiros, não era produto do acaso. O posicionamento de Havresac II, Apelle, Pharos e Papyrus, todos em posições chaves e todos imbreed em St. Simon, não pode ser visto como uma grande coincidência. Talvez apenas, por aqueles capazes de examinar 5000 pedigrees, e não ver nada.
O que Tesio viu em Fausta, - quando a comprou ainda yearling -nunca será descoberto. Talvez a razão tenha sido ela possuir nove linhas da maior reprodutora do século anterior, Pocahontas, ou o simples fato dele ter sido alertado pelas estrelas do que iria se constituir, Madree.
SE VOCÊ NÃO GOSTA DE TURFE, PROCURE OUTRO BLOG. A IDÉIA AQUI NÃO É A DE SE LAVAR A ROUPA SUJA E FAZER POLITICA TURFISTICA. A IDÉIA AQUI É DE SE DISCUTIR TEORIAS QUE POSSAM MELHORAR A CRIAÇÃO E O DESEMPENHO DO CAVALO DE CORRIDA. ESTAMOS ABERTOS AS CRITICAS E AS TEORIAS QUE QUALQUER UM POSSA TER. ENTRE EM NOSSA AERONAVE, APERTEM OS CINTOS E VISITEM CONOSCO, O INCRIVEL MUNDO DO CAVALO DE CORRIDA, ONDE QUERENDO OU NÃO, TUDO É PRETO NO BRANCO!
HARAS SANTA RITA DA SERRA - BRASIL
HARAS FIGUEIRA DO LAGO
NEPAL GAVEA´S CHAMPION 2YO - HARAS FIGUEIRA DO LAGO - São Miguel, São Paulo
HARAS SANTA MARIA DE ARARAS
HARAS FRONTEIRA
HARAS Fronteira
HARAS ERALDO PALMERINI
HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...
HARAS CIFRA
HARAS CIFRA - HALSTON POR MARILIA LEMOS
HARAS RIO IGUASSU
HARAS RIO IGUASSU A PROCURA DA VELOCIDADE CLÁSSICA - Foto de Karol Loureiro
HARAS SÃO PEDRO DO ALTO
HARAS SÃO PEDRO DO ALTO - Qualidade ao invés de Quantidade
HARAS RED RAFA
HARAS RED RAFA - O CRIADOR DE PLANETARIO
STUD YELLOW RIVER
STUD YELLOW RIVER - Criando para correr
JOCKEY CLUB BRASILEIRO
JOCKEY CLUB BRASILEIRO