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quinta-feira, 13 de março de 2014

PAPO DE BOTEQUIM: NOSSA VERDADEIRA AVERSÃO À VELOCIDADE

Uma das coisas que mais fascinam a humanidade é a velocidade. Seja em qualquer ponto onde ela seja exigida. Existem pessoas que confundem a importância de disputa com velocidade. Isto é um erro, pois, se assim não o fosse, uma corrida entre tartarugas e o derby das preguiças, seria algo excitante de se acompanhar. Onde não houver velocidade, não haverá uma verdadeira disputa. E em se tratando de cavalos de corrida, diria ser ainda mais fundamental. E por isto, aqueles três a quatro hits de 6,000 metros cada, exigidos em uma tarde, para que cavalos de corrida se provassem na Inglaterra da idade média, não mais existe. Qualquer coisa acima de 2,400 metros é hoje vista com aversão, e eu diria que não são todos que apreciam mais a distância clássica, como no século passado. O mundo passou a ser regido da milha a milha e um quarto.

Sempre respeitei a velocidade e penso ser ela a base do cavalo de corrida, quando desenvolvida na distância.

Não sou entendido, de velocidade como a turma que vive nas pencas, mas curioso como sempre fui, pouco a pouco fui entendendo que Hyperion, tinha que ter alguma coisa com ela. Por que? Simples dedução.

No início de meus estudos, os nomes que dominavam as carreiras de pencas eram Light Horse Harry, Gaiano, Flying Boy, Tamino e seu filho Birro. E a única coisa que eles tinham em comum, era a presença de Hyperion em seus pedigrees. Light Horse Harry, Gaiano, Tamino e Birro, era descendentes diretos de Hyperion. O pai de Flying Boy, o velocista Sovereign Lord, era um Grey Sovereign em mãe Admiral's Walk (Hyperion).

Ademais, Tamino era imbreed em Hyperion e em Lady Juror, outra irreverente transmissora de velocidade, também em Canterbury Pilgrim, Scapa Flow e Gondolette. Seu filho Birro, trazia consigo mais linhas de Scapa Flow e Gondolette. A mãe de Light Horse Harry, Primrose Lane, por sua vez era imbreed na maior geradora de velocidade do planeta, Mumtaz Mahal 4x3. E Gaiano tinha uma duplicação em Selene, a mãe de Hyperion.


MENSAGEIRO ALADO

Logo passei a colocar em meus primeiros pedigrees, uma maior concentração em Hyperion, e de alguma forma isto me ajudou a chegar a Cat's Night e Energia Sky. Pois bem, a velocidade não mudou. Aliás ela nunca muda. O que muda, são seus mensageiros e a forma pela qual ela é utilizada em pista. Hoje ela parece estar mais concentrada na tribo Danzig, Nureyev, Last Tycoon e outras.

O Brasil sempre teve aversão a velocidade e se assim não o fosse, como explicar que em um universo de 1233 provas de graduação máxima disputadas em nosso território, nos primeiros quarenta anos de pattern races, houveram apenas 101 disputas nos 1,000 metros. Para se ter uma idéia, 366 disputas tiveram a milha como pano de fundo, 332 a milha e meia e 324, as distâncias médias, como quase todo o ênfase nos 2,000 metros. Distância esta, que quando disputada no Rio de Janeiro, tem no chaveamento do starting gate, um detalhe decisivo.

Somos um turfe que não prestigia a areia e eu até entendo, pois, um cavalo específico de areia, dificilmente conseguiu êxito até aqui, fora de nosso continente e muito menos damos a nossos dois anos, as chances que eles deveriam ter. Imaginem que apenas 58 disputas se verificaram entre os mais novos, para um período de 40 anos. É simplesmente ridículo. Número apenas superior as provas disputadas pelos stayers, que não passou de 52.

Enquanto isto, fora de nossos prados oficiais, as pencas andam bombando, com dotações astronômicas e um mercado paralelo, muitas vezes mais sólido que o nosso.


Pico Central

Não é por acaso que até aqui, só vencemos prova importante de grupo, fora de nossas fronteiras, com Pico Central, para mim um dos maiores fenômenos já criados por nosso mercado, e que tinha a capacidade de igualmente vencer na primeira turma da milha.

Lembro-me, que quando valia a pena aos argentinos aqui comparecer para nossas festas internacionais, nomes como Clear Sun, Solyluz, Dau e Distel, nos massacraram na década de 70. E nós fomos lá, e o que arrumamos? Quando alguém se aventura a trazer dos Estados unidos ou da Europa, algo que tenha algo de velocidade, a gente tem que bater palmas para as Clausen export e Davsoyan da vida.

Sou um amante da milha e meia, mas creio que já seja hora de injetarmos um pouco de velocidade em nossos pedigrees. esta história de ficar trazendo ganhadores do Arco e do Derby, não tem funcionado da forma que deveria funcionar. E quando se traz, um sprinter-miler como Royal Academy e um ganhador do Kentucky Derby, mas com a velocidade de Spend a Buck, creio que os resultados são bem mais satisfatórios.

Analisando-se as 101 provas de graduação máxima disputadas para o período de nossas pattern races, que os imbreeds tem a sua importância, já que 67 de seus vencedores, os tem. Isto representa que mais de 2/3 de nossos ganhadores neste setor, possuem pelo menos uma duplicação em seus pedigrees. O que pode surpreender a alguns, é o fato de Bold Ruler aparecer em mais duplicações que sua majestade, Northern Dancer.


Desejado Thunder

Vou abrir um parênteses, para não perder o hábito. Se eu tivesse que citar os maiores velocístas que vi correr no Brasil, em qualquer lista estaria o nome de Marceline. Como estariam também os de Clausen Export, SolyLuz, Davsoyan, Desejado Thunder, Frau Astrid, Mensageiro Alado, Pico Central, para se citar apenas alguns. O que importa é que ela era uma corredora fenomenal. Tanto que quando veio a ser colocada a venda, na liquidação do plantel do Ponta Porã, a marquei para o haras Truc. E a ordem que recebi, foi de adquiri-la ao preço que fosse. Aliás, nestas vendas, creio que a mais badalada de todos os tempos, me dei ao luxo de cravar apenas dois lotes. Ela e Oka. Ela eu consegui levar. A chilena o Matias não deixou. Creio ter sido o maior preço da noite. Porém, Marceline foi um fracasso. E Oka, não. Com sérios problemas de lifangite em um de seus posteriores, ela gerou a dois produtos no Ponta Porã e a dois no Truc: dois apenas correram e nenhum chegou a sua terceira vitória. Marceline, que em sua campanha de 8 carreiras, perdeu apenas uma carreira, onde foi segundo, tratava-se de uma Sail Through em mãe pelo stayer Pan e avó pelo king of the stayers Alycidon, o que sempre foi uma pulga atrás da orelha. Outrossim, seu enquadramento genético era extremamente valioso. Reparem que ela era Scapa flow 6x6x6, Lady Josephine 6x6, Marchetta 6x6. Banshee 6x6 e pelos chefes de raça Tourbillon 4x4 e Blenheim 5x5. A exceção de Lady Josephine, todos eram transmissores de stamina. Mas a verdade é que a alazã não funcionou, nem com Bamino, nem com Henri le Balafre. Fecho meu parênteses.

Voltando aos trilhos, outro detalhe que me chama bastante atenção, é o Ponta Porã, ter menos vitórias neste setor, que o Anderson; são até aqui cinco contra duas. E menos até que o Alsiar e o argentino La Quebrada, respectivamente com três e com quatro.


Outro detalhe bastante significativo é o fato de 72% dos ganhadores terem sido gerados por éguas que foram fecundadas dos 3 aos 9 anos de idade, o que sugere aparentemente que a velocidade possa ter algo a ver, com a faixa etária da égua. Pelo menos no Brasil. Um total de apenas sete vencedores são produto de ganhadoras de grupo.

Apenas cinco reprodutores são responsáveis por mais de trê vitórias de carreiras dentro deste universo. Foram eles,  Ghadeer (Doctor Morre, Fleur Jet, Instant Killer, It;s the Day e Mensageiro Alado) com sete, e Bright Again (Quartier Noir e Smuggler), Dodge (Lost Love, Norway Boy, Old Dodge e Omaggio), Solazo (Clear Sun, Hands Together e Solyluz) e Spend a Buck (Clausen Sport e Pico Central) com quatro cada. Um fato que me chama a atenção foi o de Breeders Dream (Escurinha, Grammont e Green Dream) - um descendente direto de Hyperion - ter produzido 3 individuais grandes velocístas, dos 5 ganhadores de grupo que nasceram dele no Brasil (*). O por que de minha surpresa? Ele sempre conviveu em um mercado e foi cercado por criadores que almejavam e lhe forneciam éguas para obter cavalos de fundo. Imaginem, ele explorado por gente que anseia a velocidade… 

Torna-se importante se frisar que Ghadeer, por intermédio de seus filhos Mensageiro Alado e Nergy Boy, é também avô clássico de velocístas.

Foram nas linhas maternas onde residiram minhas maiores surpresas, pois, algumas demonstraram uma grande superioridade na produção deste tipo de cavalo. Numa forma mais significativa do que em outras distâncias. Assim sendo alerto aos navegantes que uma especial atenção deve ser dadas as vertentes 16-h (Clear Sun, Desejado Thunder, Pico Central e Harken), a 2-n (Clausen Export e Mensageiro Alado), 9-e (Fast look, Mountain-Lark, Maestrino, Pippa, From Carson City e Omaggio) e 9-g (Magnum do Run, Just a Moment, Old Dodge e Última Palavra), pois, suas descendências foram responsáveis por pelo menos cinco vitórias.


Benny the Bull

Temos que energizar nossos pedigrees. Precocidade e velocidade são hoje dois atributos indispensáveis no cardápio dos investidores. Felizmente hoje o Paraná tem Tiger Heart e Crafty C.T,  Bagé ao consagrado Put it Back, ao eterno Mensageiro Alado - agora creio eu que aposentado - e promessas do naipe de Desejado Thunder e Benny the Bull. O que não deixa de ser um ótimo começo. O problema é que a amostragem fica por ai.

Sem velocidade voltaremos a era dos galopadores, e este será o inicio de nosso fim.

(*) Na verdade Breeders Dream produziu a quatro individuais ganhadores de grupo em solo brasileiro, já que Duplex, seu melhor filho, e um dos mais importantes cavalos brasileiros que vi correr, ganhou provas de grupo fora do Brasil.