O TURFE PARA MIM,
A MUITO DEIXOU DE SER
ALGO PARA SER ANALISADO
DE UMA FORMA REGIONAL.
ELE GLOBALIZOU-SE.
E HOJE CREIO LICITO SE AFIRMAR
QUE SE TRATA DE APENAS
UMA ATIVIDADE COMUM
À VÁRIOS CENTROS,
EVIDENTE QUE EXERCIDA
EM DISTINTOS GRAUS DE DIFICULDADE.
Esta necessidade de unificação, de há muito é tentada. A Breeders Cup, o Festival de Dubai, o Torneio de Hong Kong, são exemplos de festas inventadas pelo ser humano para atrair o que de melhor houvesse no mundo e criar uma espécie de campeonato entre nações. Eu creio que funcionou. Hoje são provas que parecem viáveis a serem disputadas na cabeça de alguns, não muitos ainda, que se deixam levar pelo receio a tudo que lhe é desconhecido.
Minha vó Adelina sempre dizia, que o boi engorda com o olho do dono. Ela está parcialmente certa. Mas você há de convir que no tempo dela as fortunas eram feitas sobre um ou dois grandes negócios. Hoje não mais. O grande investidor tem que um grande número de negócios e para tal seu olhos, embora em todos, tem que ter ajuda de equipes profissionais que o levem adiante. O olho do dono não deve estar mais no boi e sim no gerente da boiada.
Sempre fui um naturalista e creio que meetings de cavalos de corrida se tornam importantes pela ordem natural das coisas e não existe o menor resquício de dúvida que Royal Ascot é o número um entre eles. Temo apenas que a naturalidade do mesmo, venha a se tornar modismo e ai então muito curioso há de estragar a festa, querendo dela participar sem aquele, que seria o imaginável convite real: a da qualidade de seu produto.
As provas de graduação máxima deste ano em Royal Ascot atraíram nada menos que competidores de 11 nações. A começar de Hong Kong, que com o sucesso obtido por dois de seus competidores no Festival de Dubai, os trás para o hipódromo da Raínha, e certamente com Moreira aboard. Sterling City ganhador do Golden Shaheen (Gr.1) e Amber Sky herói do Al Quoz Sprint (Gr.1), estão respectivamente inscritos no Kings Stand Stakes (Gr.1) . O ganhador do Turf Dash Stakes de Tampa Bay Downs, o recordista Ancil vem para dos estados Unidos para tentar também o King Stand stakes (Gr.1), assim como seu compatriota Occasional View, que é vencedor do Vigil Stakes (Gr.3). Para participar das duas carreiras, igualmente estão inscritos o australiano Zoustar e o sul africano Shea Shea.
É ou não é um embate entre europeus e o resto do mundo nas duas provas de maior importância, entre as de velocidade?
E as outras carreiras igualmente apresentam competidores internacionais, provando que as facilidades de comunicação e transporte viabilizaram de uma vez por todas a globalização do turfe e que Royal Ascot, não precisa se tornar um torneio idealizado pela mão do homem. Este meeting simplesmente existe, pela qualidade de suas disputas. E até o treinador Kenny McPeek, que descobriu a existência de Ascot, graças a uma cavalo brasileiro chamado Hard Buck, este ano volta com três competidores, um entre os quais Frac Daddy, recente vencedor em Keeneland do Ben Ali stakes (Gr.3).
Ai eu me pergunto: quando é que o Brasil descobrirá que Royal ascot existe? E que se um projeto for traçado, onde a mudança de hemisfério for devidamente respeitada, dele poderemos participar?