EM CIDADE JARDIM,
BATENDO PAPO
COM TURFISTAS NO MERCEARIA,
FUI PERGUNTADO,
QUAL SERIA A MAIOR VIRTUDE
DE UM PROPRIETÁRIO DE SUCESSO
E IMEDIATAMENTE ME VEIO A MENTE
UMA DEFINIÇÃO QUE LI EM UM LIVRO
DE FOTOGRAFIAS URBANAS
Penso que reinventar-se como proprietário, criador ou mesmo profissional é a chave de qualquer operação fadada ao sucesso. O turfe é uma atividade de grandes mutações, oscilando entre fidelidade nos conceitos e abertura de novos e não ainda explorados horizontes. Como analista, consigo enxergar com extrema facilidade estas mudanças. E sei da necessidade do que seja reinventar-se. Mas acredita quem quer.
O livro a que me refiro é do fotografo italiano, especializado em fotos urbanas, Gabrielle Basilico e fala de Berlim. Um cidade destruída uma vez, dividida por um muro em outra, e capaz de como Fênix, ressurgir das cinzas e reinventar-se, assim como a Alemanha, que perdeu duas guerras e hoje é a mais sólida economia européia.
Como arquiteto que sou, sempre fui vidrado em fotografias, principalmente tendo como pano de fundo, minha especialização, o urbanismo. Hoje tiro fotos de cavalos. Elas me ajudam a manter o olho conectado com o trapézio que delimita os limites do animal, pois, para mim, cavalo de corrida é equilíbrio, desenho, harmonia e expressão. Se não me engano Basilico definia a Berlim captada por suas lentes, como um misto de decepções, esperanças e expectativas. Algo que germinava de seus poros a cada segundo de contemplação. Não vejo o cavalo de corrida de forma distinta. Ele o é também um misto de decepções, esperanças e expectativas. E creio que quem não o ver desta forma, irá certamente escorregar na maionese e em pouco tempo soterrar seus sonhos.
Falei em expressão, que querendo ou não é algo por demais subjetivo. Outrossim, o é na expressão, que o cavalo muitas vezes transmite ao arguto observador, aquela inteligência, aquela coragem e a aquela suposta vontade de vencer que trás dentro de si, e que em minha opinião não é obtida por ensinamentos, nem muito menos por intermédio da aveia e do pasto. Faz simplesmente parte do código genético, urdido, quando o útero da égua é fecundado pelo semen do reprodutor. O que em outras palavras sugere, que seja uma decorrência da ideia de cruzamento de seu criador.
Falei em expressão, que querendo ou não é algo por demais subjetivo. Outrossim, o é na expressão, que o cavalo muitas vezes transmite ao arguto observador, aquela inteligência, aquela coragem e a aquela suposta vontade de vencer que trás dentro de si, e que em minha opinião não é obtida por ensinamentos, nem muito menos por intermédio da aveia e do pasto. Faz simplesmente parte do código genético, urdido, quando o útero da égua é fecundado pelo semen do reprodutor. O que em outras palavras sugere, que seja uma decorrência da ideia de cruzamento de seu criador.
Tesio, talvez o maior deles, dizia que um cavalo de corrida corria com as patas, aguentava o sofrimento com seus pulmões, acelerava com o coração, mas era a sua vontade de vencer que o fazia diferenciar-se dos demais. E isto era o seu trabalho, como criador do mesmo. Explico-o. O trabalho do criador é o de juntar peças e tentar fazer daquilo que do papel vai à realidade, com a fecundação. A concentração de elementos que gostavam de correr é primordial. dai os imbreeds em Mr. Prospector, Northern Dancer, Secretariat, e etc… funcionarem tão a contento. Eles pareciam ser cavalos que gostavam de correr. Verdadeiras poetry in motion. Dali para frente, você pode perder o grande cavalo, nunca o implementa-lo.
Daqui a algumas horas estarei em Cidade Jardim. Uma menina nossa vai correr o Osafinho. Seu nome Efervescente, tal a energia que demonstrou ter quando ainda ao pé de sua mãe. Um verdadeiro azougue. No haras ela cativou a todos com sua personalidade. No Vale da boa esperança ela acalmou um pouco o faixo. Vamos ver se ela faz jus a seu nome de batismo e corra tudo aquilo que sabe. É ainda um nenem que engatinha, mas que um dia pode crescer...
Propositalmente imbreed em uma das duas reprodutoras que mais imprimiram vigor no élèvage Paul Mellon, Key Bridge, ela é ainda imbreed em Northern Dancer e descende da consagrada linha 4-r. Enfim, tudo em seus devidos lugares. Diferente da sagrada família de Gaudi. Mais parecida com as obras objetivas de Marcel Breuwer na reconstrução de Berlin. Mas no turfe, mesmo que as coisas estejam teoricamente corretas, ele como atividade reserva a aqueles que dele participam, não apenas alegrias, mas surpresas, emoções e fortes tensões. Deixando as torcidas pessoais de lado, espero apenas que hoje, possamos ter uma tarde de grandes vitórias, não derivadas do acaso, mas sim da superioridade daqueles que assim o merecem.
Meses atrás publiquei esta mesma foto e avisei que ela poderia ser algo distinto. Talvez o seja, possivelmente não o seja. Hoje a tarde em Cidade Jardim, teremos a primeira indicação. Se ela funcionar, na véspera do GP. Brasil, teremos a verdadeira resposta.
Penso que o campo do verdadeiro OSAF, está bem delimitado, com o que de melhor temos, neste exato momento, a exceção de Estrela Monarchos, que corre a prova principal da festa, contra os machos. Seria afirmar-se que Sutil seja o elemento de maior classe nesta carreira, pelo que foi apresentado até aqui, um exagero? Com a saída de Estupenda Demais - outra prova da genialidade de mario campos na arte de selecionar e treinar potros - não creio que esteja muito longe da verdade. Mas o pareo é cheio, e largar por fora é sempre complicado.
O que dizer a mais sobre esta filha do brasileiro, consagrado dentro e fora das pistas, Redattore? Diria que ela tem uma linha materna, de agrado universal, a 8-f, e em seu caso ainda mais acentuada, pelo fato dela estar desenvolvida via Sweet Honey, que dispensa maiores comentários.
Se há um culpado na existência de Redattore, este cara sou eu! Quando selecionei e importei sua mãe, Political Intrigue, o fiz, ciente que o Brasil precisava de uma chaqualhada em termos de velocidade - e ainda precisa. Chaqualada esta, que os Deputy Minister sabem fazer, melhor do que ninguém fazer. Mas tive o cuidado de selecionar uma sua filha, cuja linha materna, a de La Troienne, fosse representada por um veio digno de seu nome, e creio que Glamour - terceira mãe da égua em questão - possa ser considerada uma delas. Logo, sou suspeito para falar de Redattore. Mas sei que em termos de físico e capacidade locomotora, poucos são os seus filhos que deixam a desejar. Assim sendo, torço por Sutil, acima de tudo.
A virtude de qualquer militante na área turfística é aceitar as mudanças que esta atividade reserva para todos. Hoje Northern Dancer. Ontem Hyperion. Amanhã quem poderá ser? Mas aceitar não é resignar-se. Aceitar é adaptar-se as novidades e explorá-las em seu âmago.
Não quero com isto sugerir que o que é bom, deixa de ser ou saia de moda. Se há coisa que eternamente estará em cartaz na Broadway, esta coisa se chama talento. E talento é o que não falta em Sutil, até os 2,000 metros, independentemente de minha torcida pessoal.
Vó Adelina sempre me alertou que ler sobre tudo era importante, afinal segundo ela, a cultura era um pouco que fica do muito que se aprende. E como tudo para mim, parece estar interligado...
Sempre comparo as mudanças objetivadas em qualquer atividade, ao acontecido com aquele que considero o hino mais bonito da história da humanidade, a Marselhesa. Mas isto eu conto semana que vem, pois, algo me diz que terei que contar esta história com mais detalhes...
Que tenhamos uma tarde gloriosa em Cidade Jardim.
