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domingo, 20 de abril de 2014

PAPO DE BOTEQUIM: AS NECESSIDADES DO TURFE MODERNO

A idéia principal aqui no Ninho é despertar nos leitores a curiosidade e apresentar análises, sobre os resultados das pesquisas, em universos de amplitude mundial, para que estes leitores, ponham suas mentes a funcionar. Ao adequarem o que assimilaram às suas respectivas realidades, terão um feedback se aquilo que foi apresentado pelo cronista, foi realmente compreendido, ou mesmo se funciona ou não, em seu problema.

Usei o termo crônica, mas talvez esta não seja a questão. Eu penso que talvez seja um papo, do tipo de botequim, onde não há preocupações nem com a pauta, e muito menos como o número de palavras e espaços. Não espero por inspiração nem por musas. Escrevo o que me vem a cabeça, quando analiso uma situação. Se existe um resquício de percepção de uma pretensa historicidade ou talvez de uma suposta tentativa de literariedade, desculpem. Não seria esta a minha intenção. Se assim parece, é por que o faço sem sentir.

Para mim, história é cultura e literatura ciência. Não me sinto capacitado a fazer literatura. Muito menos explora-la. Outrossim, creio que desde que o manuscrito passou a ser impresso, nos idos tempos de Gutemberg, e estamos falando do século XV, que todos tem o direito de expressar suas idéias e propaga-las a outros que não conhece. Agora que o impresso passou a ser absorvido pelo digital, a propagação daquilo que você pensa, se torna maior ainda. Assume proporções inimagináveis. Logo, todo cuidado é pouco, com o que se escreve. Aos que desafiam minhas idéias, apenas lembro que só escrevo quando tenho certeza da veracidade em questão. Posso até errar na interpretação, mas nunca nos números apresentados pelas pesquisas.

Vivemos um novo mundo. O mundo das maravilhas de Alice, desmilhinguiu-se! É hoje dos I-Pads, I-phones, enfim de todo e qualquer I. O que facilita a pesquisa e ainda mais a publicação das análises sobre as mesmas. Mas existe a adequação dos conceitos absorvidos a cada situação. E isto, apenas um profissional conhecedor de seu metier, poderá aquilatar. E volta a aquela eterna cantilena. O que é bom para o Japão, não é necessariamente bom para o Brasil. Todavia tem mais chance de aqui funcionar, do que o que é bom na Bolivia.

Quinta feira veio a noticia que Bal a Bali, não mais irá para os Estados Unidos. Para amantes do turfe, egoístas como eu, a recebo com muito simpatia, pois, vê-lo correr é como deliciar-se com poetry in motion. E aqui entre nós o Alvaro Novis, não precisa de mais grana. A que tem é mais do que suficiente. Outrossim, ter outro Bal a Bali, não me parece tão simples assim. E esta é a beleza do turfe. Ele não é decidido pelo saldo médio dos donos dos participantes. Nem mesmo pela genética, embora em ambos os casos, estes dois fatores ajudam. E ajudam em muito. O turfe vive da eterna tentativa. Do desafio de sonhar com uma conquista. Da formação de uma equipe técnica competente. Da capacidade de se enfrentar os infortúnios e vencê-los. De aprender com os erros e não mais repeti-los. O território da crendice, do misticismo podem funcionar em um ou dois casos, mas de maneira alguma são os fatores que trazem e mantém alguém mergulhado no sucesso. Você tem que saber o que está fazendo, como fazê-lo e ter a convicção, que isto apenas lhe aumentará as probabilidades de chegar onde quer chegar. Não há garantia de sucesso.

Quando ontem teci comentários do pouco sucesso dos ganhadores do Arco e do Derby, no mundo, de maneira alguma quero que as pessoas evitem-os. O que elas tem que ter consciência, é que se a grande maioria não tem obtido sucesso, uma razão há de haver. Não estamos falando de um ou dois mercados. Estamos falando da totalidade de países que adotam o sistema de pattern races. Então qual seria o problema? A pergunta feita deve ser então: estariam estas duas carreiras compromissadas com a velocidade através da distância? Aquele item que venho gastando o meu latim, não é de hoje? Eu creio que não. O mundo moderno exige uma outra postura e por isto, o miler e o sprinter, cresceram muito hoje, dentro dos mercados de criação de cavalos de corrida. Eles sobrepujaram os elementos clássicos e já estão um pouco acima daqueles que coroaram-se na meia distância. Isto não é uma opinião. Isto é um fato. E por que? Por que depois de Northern Dancer, as necessidades passaram a ser outras. Houveram mudanças de pace, de equilíbrio físico, de velocidade e stamina, named

Algumas tribos se adequaram, outras não. O mesmo tem que ser expandido em relação a profissionais, criadores e proprietários. O mundo é outro. A era de Hyperion e companhia está extinta, assim como aquele velho conceito em que a classe era testada e decidida, em provas como o Arco e o Derby.

No Japão Sunday Silence venceu 15 estatísticas para reprodutores por prêmios ganhos. E o que era ele, um ganhador da Breeders Cup Classic e do Kentucky Derby, ambas carreiras em 2,000 metros. Na Inglaterra, Sadlers Wells ganhou 13 estatísticas e quando em pista, não conseguiu graduar-se em carreiras acima dos 2,000 metros. Bold Ruler, detentor de oito estatísticas nos Estados Unidos, igualmente não passou dos 2,000 metros. E danehill com nove estatísticas na Australia e Big Shuffle com seis na Alemanha, não passaram respectivamente de 1,200 e 1,400 metros.

Não estamos falando aqui apenas de bons reprodutores. estamos nos atendo a cavalos que dominaram seus respectivos mercados. E se pensarmos em América do Sul, nome como Southern Halo na Argentina, Ghadeer no Brasil e Roy no Chile, todos com mais de oito titulos, veremos que nenhum dele ganhou acima dos 2,000 metros, sendo Ghadeer o único a conseguir graduar-se. os outros dois, apenas colocaram-se.

E os exemplos se multiplicam até nas chefias de raça. Northern Dancer não passou dos 2,000m, Mr. Prospector dos 1,200m,  Royal Charger dos 1,600m, Nasrullah dos 2,000...

Respeitemos, o ganhador do Arco e do Derby, mas não vamos fazer deles, nossas tábuas de salvação.