Passei esta semana, examinando potros e exercendo sobre mim mesmo uma espécie de ato de contrição. Um patrocinador, me mandou um e-mail, dizendo que ou eu estava sendo nostalgico, ou prevendo uma grande vitória de Estrela Monarchos. Nenhuma coisa nem outra. Eu apenas estava fazendo uma avaliação profissional e tive que iniciã-la de seu começo: quando tinha de 18 para 19 anos.
Em 1969, me senti obrigado a ler um livro, que toda a minha geração leu e elegeu como a nova Biblia. O Contracultura de Theodore Roszak. Li-o de fio a pavio e aqui entre nós o livro era um xarope, mergulhado em todo e qualquer tipo de lugares comuns. Mas todos a minha volta, o acharam a sétima maravilha do mundo. E estes que formavam aquilo que considerava a minha geração, transformaram-se em dois tipos de jovens: uns em arautos contra a ditadura, contra as desigualdades sociais, a exploração da minorias, a guerra do Vietnam e o ensino universitário. Outros, alienaram-se. Foram morar em pequenas cidades do interior, para puxar fumo, usar drogas, viver do artezanato e passar por todo mundo com um sorriso abobado a desejar paz e amor. Eu resolvi ter cavalos de corrida.
O tempo passou, desapareceram os hippies, transformaram o produto de seu artesanato em algo industrializado, enquanto os contestadores tornaram-se profissionais liberais e passaram a conviver com aquilo que abominavam quando jovens. E todos passaram a ser iguais. E eu com os meus cavalos de corrida.
Por isto escrevi, que todo revolucionario, quando atinge seu objetivo, se transforma naquilo que antes repudiava e criticava, pois, pessoas não mudam. O que muda, são a moda e os costumes. O ser humano, continua sempre a ser o mesmo.
Lord Derby, foi o primeiro revolucionário. Aceitou a opinião de seus assessores e trouxe um velocista para chefiar seus reprodutores e Phalaris, cruzado com o seu rebanho, impregnado em stamina, se transformou no inicio de um nova era. Tesio com seus linebreeds, Boussac com seus imbreeds quase incestuosos, o velho Khan, com suas dosagens empiricas, Bruce Lowe com sua classificação de linhas maternas, Steve Roman, com seu factor, foram criticados em suas respectivas épocas, mas até hoje são copiados. Pois, não há muito o que se inventar em cruzamentos.
O que se tem que fazer é escolher uma linha de ação (objetivo + projeto) e tentar arrancar desta, o que de melhor ela possa lhe oferecer. Ler algo como o Contracultura e achar que tudo irá ser diferente, me parece ilógico.
Examinei 90% dos cavalos que estão indo hoje a noite a leilão. Gosto de fazer da minha forma. Vejo tudo, independentemente de quem seja o criador e de qual pedigree o produto ostenta. Ai separa aquele que me agradam e passo a segunda etapa: a do estudo de seu cruzamento. Separado o joio do trigo, volto a reve-los - tão somente o que considero trigo - e depois desta segunda verificação, estabeleço com os clientes, as bases e limites de investimento.
Não me baseio apenas pelo fisico e tendo como universo de comparação os hipódromos da Gávea e Cidade Jardim, como a grande maioria dos treinadores o fazem. Trago o produto de minha short list, para o universo mundial e vejo como aquele individuo poderia se comportar em centros mais desenvolvidos. Só então entro em minha lista final.
Dá trabalho? Evidentemente que sim. Outrossim, minimiza-se a chance de erros.
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