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HARAS ERALDO PALMERINI a casa de Lionel the Best (foto de Paula Bezerra Jr), Jet Lag, Estupenda de Mais, Hotaru, etc...

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HARAS CIFRA - HALSTON POR MARILIA LEMOS

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HARAS RIO IGUASSU A PROCURA DA VELOCIDADE CLÁSSICA - Foto de Karol Loureiro

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HARAS SÃO PEDRO DO ALTO - Qualidade ao invés de Quantidade

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quarta-feira, 23 de abril de 2014

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: O SEGREDO É NÃO PERDER A VIAGEM

Eu diria que minha geração, a nascida após a guerra, teve algumas vitórias. Mundialmente, escancaramos o sexo, criamos a consciência ecológica, pavimentamos os direitos das mulheres, das minorias, derrubamos o muro de Berlim, vencemos uma ditadura, esculhambamos com ideologias baratas, revolucionamos a tecnologia, avançamos na medicina, nos transportes, nas comunicações e só falhamos mesmo em dois pontos, ambos nacionais: não conseguimos implantar no Brasil uma consciência política e fomos incapazes de fazer do nosso turfe uma fonte de desenvolvimento e renda.

E se o Brasil nunca deu certo, porque o turfe daria? No governo, ninguém deu bola ao que o turfe representa, como fonte de emprego de uma massa de gente que não está preparada para absolutamente nada. Nem votar. Entre trancos e barrancos, crescemos graças ao esforço de uma meia dúzia de famílias, e a seguir de profissionais liberais e homens da industria bem intencionados. Mas como diria vó Adelina: de bem intencionados o inferno está cheio.

Tudo para dar certo tem que ser tocado, visto, cheirado. Não se faz uma política de turfe, no décimo quinto andar de um edifício e numa sala com ar-condicionado. Você certamente perde a perspectiva humana. A verdadeira percepção do problema está no contato. O eterno estigma da necessidade de prevenir, para não ter que depois, remediar.

Como escrevi ontem, aos dezoito anos adquiri meu primeiro cavalo em um sindicato formado por amigos, onde ninguém tinha a menor noção do que estava fazendo. Não me foi necessário muito tempo para descobrir, que as coisas no turfe, não aconteciam por acaso. Todas tinham uma razão de ser. Desde então preparei-me. Se aprendi algo ou não, é o que menos importa. O que realmente é importante e o conceito de se determinar um objetivo e traçar um plano, para se chegar onde se quer chegar.

E qualquer que seja este objetivo, e qualquer que seja o projeto e a equipe técnica escalada para o levar adiante, ele não pode perder a sua percepção e sua perspectiva. Ele tem que ser visto, tocado e cheirado. Caso o contrário, vira uma roleta.

Existem alguns, não muitos, que tem um projeto em mente como criadores e proprietários. E são eles, que estão tendo maior sucesso, em uma atividade que não é regida pelo saldo médio dos investidores e sim pelas acertadas decisões tomadas pelos mesmos.

Um de meus clientes, é o Stud H e R no Brasil, que fora de nossas fronteiras, vira Stud Colorado. Com não mais de 10 cavalos em treinamento ele já ganhou o Pellegrini, o Brasil, o OSAF e outras importantes provas de nosso calendário turfístico. E fez isto, neste século utilizando-se de apenas dois treinadores e de não mais de 70 cavalos. Nunca comprou 30 potros caros por ano em um leilão, mas em compensação sempre se cercou de profissionais que para ele apresentavam resultados que o fizessem acreditar na capacidade dos mesmos em levá-lo onde ele queria ir e o principal, permanecer.

Não digo que ele seja o mais certo. Outrossim, sem duvida alguma, no critério custo beneficio, penso estar entre os mais cotados. Não sei se ele terá daqui a alguns dias, a honra de somar a sua jovem galeria, um Grande Prêmio São Paulo. Como toda a carreira, não depende apenas dele e de sua equipe, determinar o ganhador da prova. Existem adversários, igualmente preparados e alguns que o fariam com tanto merecimento, como a potranca que defende as suas cores. Mas de uma coisa tenham certeza, ele não parece ser alguém que perca viagem. E não perder a viagem em um turfe onde muitos adoram simplesmente mostrar à camisa, é um segredo. Um segredo que o Aluizio Merlin Ribeiro parece conhecer.