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quinta-feira, 24 de abril de 2014

PEQUENO PAPO DE BOTEQUIM: A ODE E O SONETO

O Duque Estrada, me rotulou de nostálgico pelas últimas notas publicadas. E ele esta absolutamente certo. Estou vivendo um clima de nostalgia, aqui no Rio de Janeiro, a terra onde nasci e me criei. Dei uma andada por Ipanema, e passei pelo antigo Montenegro 57, não reconheci o Veloso, que travestido que está, me parece incapaz de atrair sequer moscas. Acabaram com o Garcia Rodriguez no Leblon, e consequentemente com a minha sopa de cenoura e meu queijo de Minas, Solidão. O Rio de Janeiro está um buraco só. Mas mesmo assim, muita coisa veio a minha cabeça. Como explicar?

Não creio que tudo possa ter uma explicação. Outrossim, acredito que sempre exista uma forma de ver e a oportunidade de uma comparação. O que é necessário, é não apenas olhar. Tem que se ver. E visto concluir-se.

EXAMINAR UM POTRO DESTINADO
A SE TORNAR UM CORREDOR
É COMO INSPECIONAR 
A UMA OBRA ARQUITETÔNICA

Um animal destinado as carreiras tem um desenho próprio. Como um carro de fórmula ou como disse uma obra arquitetônica. O mais importante é o equilíbrio, a harmonia e a expressão. Aprovado este item, você passa a área dos detalhes. Tenho uma teoria, já comprovada, pois, no inicio de minha carreira tive que estar associado a muitos cavalos de maus aprumos - inclusive Da Hoss ganhador de duas Breeders Cup Mile - mas nunca abandonei o conceito que aprendi na faculdade, da distribuição iqualitária de forças. Um bom arquiteto, com um bom engenheiro por trás, pode manter sua obra em pé com uma pilastra, enquanto outros necessitam de dez, para a mesma. Cavalo equilibrado de maus aprumos, só manca quando pisa no buraco. Cavalo correto mas desequilibrado, pode até não mancar, mas as corridas que fazem toda a diferença, não ganham. Apenas participam.

Deixe me ver se explico-me melhor. Nenhuma obra do arquiteto catalão Antonin Gaudi, que eu tenha conhecimento, um dia veio ao chão. E creiam, nelas, nada não deveria estar onde está. A Basílica da Sagrada Família, considerada por muitos sua obra maior, é simplesmente monstruosa. Tanto assim que Gaudi morreu atropelado por um bonde. Só poderia ser castigo divino. Quando digo monstruoso, o faço não no sentido da beleza. E sim pelo desequilíbrio de suas torres, a inexistência de um sentido e a inequabilidade da mesma para qualquer coisa. Refrasiando, trata-se do desequilíbrio de tudo. É como você de repente metamorforsease em uma mosca e fosse transportado para um universo paralelo, onde as proporções foram abolidas, o sentido da função foi abandonado e a ordem das coisas foi simplesmente subvertida. O efeito é paralisante, hipnótico, fantasmagórico surreal. Salvador Dali perto de Gaudi, é coroínha de igreja. A citada basílica para mim, é pior do que filme de Godard. Não dá para entender nada.

esta é também a forma como vejo um cavalo de corrida, desequilibrado. Hoje os japoneses estão tentando terminar a Sagrada Família. Um erro que não deveria ser cometido, pois, estão conseguindo piorar ainda mais seu aspecto. De obra de arte, vai passa a Inferno vivo. Gaudi havia deixado desenhos que os efeitos da Guerra Espanhola, fizeram desaparecer. Hoje a coisa é feita na dedução do que seria. O mesmo acontece quando no haras um cavalo de proporções odiosas surge e se tenta harmonizá-lo com nutricionistas, casqueiros e cirurgias cosméticas. Você acaba criando um Frankestein ou quem sabe apenas amenizando um Darth Vader. Deixe-o como está, e quem sabe com sorte, algo se sucede, pois, Deus é pai de todos.

Cavalo que nasce bom, pode passar por diversos estágios, mas acaba nas mesmas proporções que nasceu, pois, quando o fez, já tinha 25% do que seria em seu final. Como numa fotografia, você como criador, tenta apenas amplia-lo. Agora não basta tão somente olhar. Tem que ver e entender. Uma má criação pode deteriora-lo, um mal manejo quem sabe até enlouquece-lo e uma má correção, certamente entortá-lo. São os chamados erros humanos, que profissionais competentes dificilmente o fazem. Mas você tem que examinar o indivíduo, antes que se inicie sua preparação para as vendas, pois, como é de domínio publico, um bom maquiador, faz de qualquer um, um ser melhor apresentável. 

Parênteses. Não falo de apresentação de cavalos. Fotografo cavalos para depois em casa estudar com mais detalhes e é dificil mante-los na posição correta. Difícil é, impossível nunca. Os cavalos preparados no Vendaval, param como profissionais e se mantém atentos ao comando de quem os segura. Isto facilita em muito o trabalho dos profissionais e creio que quem sai ganhando são seus donos, pois, podem ter a certeza que seus animais tiveram todas as chances de serem examinados. Fecho parênteses.

Explico-me melhor no que penso ser a maquiagem. Seria como tentar colocar ângulos retos em uma obra de Gaudi ou argamassas em paredes que são escamadas. Como diria minha vó Adelina, a ode fica pior que o soneto.