Devem ser mais de 30 anos. Lembro-me que não estava casado. Era uma coluna do Nelson Rodrigues onde ele preconizava que o apelido não só corrigia, como desmistificava o nome do cidadão. E ai apresentava aquela sua infindável lista de aberrações encabeçada por um Nero que tinha pavor ao vislumbrar uma caixa de fósforo, e chamava pelos bombeiros. Seguida de um Napoleão que tremia ao simplesmente ver uma espingarda de chumbinho. Um São Francisco de Assis, que assaltava não sei o que, e assim por diante.
Pois bem, eu concordo com o Nelson e vou explicar por que. Mas antes vou contar por que me lembrei desta crônica. Outro dia, assistindo a um jogo em minha casa, em que o Fluminense levou um enfiada, um amigo inglês que adora futebol, e principalmente o jogado pelos brasileiros, sentado a meu lado, quando viu na substituição entrar um elemento gordinho, sem as medidas mínimas exigidas para um jogador de futebol. Foi ai que eu lembrei da crônica do Nelson. Pois a mesma foi em função de comentar sobre Ademar, dono também de uma bela de uma barriga, mas que em campo era o Pantera, e fazia jus ao apelido. Resumindo, para o Nelson quem fora das quatro linhas comia e acumulava gordura era o Ademar, mas quem dentro do campo comia a bola, era o Pantera. Confirmava-se a tese do Nelson, e com o passar do tempo, a historia voltava a se repetir no Fluminense, com o simpático Walter.
Eu não acredito que nome possa fazer um cavalo correr mais ou menos, mas estes nomes curtos, de cinco ou seis letras, parecem ter uma conexão com os diferenciados. Como também os que homenageiam a grandes personalidades. Tesio, uma homem apaixonado pelas artes, usou por demais os nomes de grandes pintores e escultores. A Coolmore de grandes estadistas, navegadores, guerreiros, poetas, e tem funcionado muito bem, se bem que contando com os serviços de Danehill, Sadlers Wells, Galileo e Montjeu, ate Dilma e Lula seriam craques.
Empolga-me nomes como Frankel, Nashwan, Ribot... E ontem um, batizado como Show, fazendo jus a seu nome, deu um show, ganhando um clássico de 2,400 metros, preparatório para o Derby paulista. Show deu um show, premiando a uma haras que se não me engano a pouco liquidou, e de uma família de criadores que por décadas - em todas as suas ramificações - igualmente deu show com suas belas maquinas de correr.
Nomes, que soam como apelidos, provaram ontem em Cidade Jardim, que igualmente funcionam, principalmente quando a mãe é uma ganhadora do Diana e do OSAF, e o pai um lídimo vencedor do Grande Premio Brasil.
Outrossim, é humano projetar um pouco de si, em um filho ou mesmo em um cavalo de corrida. E assim,
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