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terça-feira, 14 de outubro de 2014

PONTO CEGO: QUANDO NEM FREUD EXPLICA

TEM GENTE QUE ACREDITA 
QUE FREUD EXPLICA TUDO.
O PORQUE QUE A GATA MIA,
A RAZÃO QUE A VACA MUGE
POR QUE A ARGENTINA SEMPRE
TREME CONTRA O ESCRETE BRASILEIRO
E ATE POR QUE EXISTE TANTA
GENTE QUE AINDA ACREDITA NO PT
MESMO DEPOIS DE TANTA CORRUPÇÃO.

CÍNICA INVERDADE? 

Nelson Rodrigues tinha a sua resposta. Para o grande dramaturgo, o Brasil sempre vacilou entre o obtuso pessimismo e a esperança mais frenética. E eu acho esta explanação mais convincente do que alguma que Freud pudesse dar. O lúgubre da questão passa a estar nas pessoas não tentarem descobrir o por que, e se descobrem e discordam, não tentar mudar aquilo que parece sem nexo, gratuito ou até mesmo pernicioso. Este seria o complexo de vira-lata que o Nelson atribuía a nos e contra o qual tanto lutava por intermédio de seus textos? Acredito que sim.

O brasileiro não teme a inflação, a falta de escrúpulo nos aumentos dos impostos, as variações cambiais, o estagio inamovível de nossa economia, ao estimulo pusilanimidade de nossos governantes, e faz piada de tudo. Mas em compensação teme o rapa, o gato preto, o despacho da esquina, a praga da vizinha e passar por baixo de uma escada. Outrossim, a maior característica entre nos, me parece temer a justificar aquilo que pode ser justificável, precisando-se apenas de uma vontade de faze-lo.

Mas coisas acontecem e como para tudo, na sua grande maioria das vezes, nem sempre haverá de existir uma razão. Eu afoitamente no caso de Dearest Son, diria ser o Rasmussen factor no estilo formula 1 em Cajazeira. Da mesma forma que décadas atrás um grande milheiro, a nível internacional, filho de Xasco em mãe Al Mabsoot, o era também na égua Zula. Seu nome, Indaial. E que para meu deleite, num passado recente, em um filho de Impression em mãe Clackson que o era em La Farnesina. Seu nome Gloria de Campeão.

Quem foi Cajazeira? Confesso que não tenho a mais vaga ideia. Quem foi Zula? Menos ainda. La Farnesina, pelo menos eu sabia. Mas creio que para aqueles que não acreditam na formula das duplicações femininas, para o melhoramento da performance de um determinado cavalo de corrida, que estes três exemplos aqui, o convença a pelo menos pensar no assunto. E um adendo, quando você reconhece a égua a ser duplicada, em vez de seis carreiras em nove, em Cidade Jardim, ou uma milha internacional na Gavea, você pode até sonhar em ganhar a Dubai Cup, nos Emirados Arabes. Pode ser até que você não ache divertido. Mas garanto a vocês, que é bastante lucrativo

O criador de Dearest Song apresentou aqui mesmo, a defesa de sua escolha. Havia coerência em tudo que defendeu. Logo, qual a surpresa? Pode ser até que a mãe de Dearest Song, coberta com um reprodutor de sucesso indiscutível, venha a produzir a algo ainda melhor. Talvez, mas digo que não existe certeza. Edu Lafré por Tighnon Lafre não correu ainda e Sensato por Inexplicable, apenas colocou-se em sua primeira saída. Sabe o que estes dois últimos tem em comum? Ambos não trazem em seus pedigrees o Rasmussen factor em Cajazeira. 


Agora extrapolem este tudo Freud explicava, e esperem por uma solução de divã que negue a validade da melhoria genética que precisariamos fazes em nossa lides. Esta nem Sigismund tentaria explicar. Pergunta, o que nos fez cair de a um tempo produzir mais de 8000 animais e hoje menos de 3000? Posso afirmar com a experiência que tenho e o conhecimento de causa que adquiri em termos internacionais, que hoje criamos melhor e com material geneticamente inferior. No tempo dos 8,000, o cavalo brasileiro era um Puro Sangue Brasileiro. Hoje ele tem que ser visto como um Puro Sangue Ingles e esta mudanca de PSB para PSI, nos fez sermos por um breve periodo, respeitados nos Estados Unidos.

Tenho consciência que Freud não explica tudo. E quando tenta, se complica. O caso de Dearest Son, de Indaial e mesmo o acontecido comigo em relação a seleção de um cavalo chamado Gloria de Campeão não acredito que estejam entre os casos que Freud possa  explicar. Mas sim dentro, de uma razão genética, que prevê que se certos animais tem a capacidade de gerar algo - independentemente do algo que este seja - quando duplicados em um mesmo pedigree, lhe aumentam as chances de chegar, onde você pensa chegar. Como disse esta maneira de pensar não lhe garante sucesso, mas pelo menos lhe aumenta a probabilidade. O que para mim ja se trata de um must. Pois, qualquer vantagem que você consiga fora de pista, ela se faz, num futuro a médio prazo, presente dentro da mesma. 

Conversando na social de Cidade Jardim, com o presidente da ABCPCC, o Sergio Coutinho Nogueira, ouvi dele algo que me convenceu. Cada um deve ter a consciencia de ter que melhorar seus planteis, mas aquelas éguas que sobram, deveriam ir para criadores menores, pois, para ele, embora um cavalo de corrida, seja um produto de três fatores, campanha, fisico e pedigree, tendo apenas dois destes requisitos, em alta escala, quando colocados a venda por um grande haras, podem reforcar o plantel daquele que possui éguas que nem dois requisitos tem. Acho o raciocino lógico, pois, além de mantermos um numero condizente de produtos,  muitas vezes, esta  égua coberta de uma forma inteligente, pode vir a gerar outro Dearest Son. Melhor do que perde-las, como em alguns casos as temos perdido, para o vizinho Uruguai.

Logo, não preciso de Freud, para explicar absolutamente nada. O ponto é simples. Sair atrás e ter a capacidade de reconhecer o diferenciado, quando este for colocado em sua frente. Disse isto mais de uma vez e volto a repetir.