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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

PAPO DE BOTEQUIM: MINHA ASNEIRA MAIOR

Já fui obrigado a ouvir asneiras dos mais distintos tamanhos e ditas com as mais diversas desfaçatez. Faz parte do jogo. Principalmente numa atividade que a percebo como gasosa, onde tendo-se cordas vocais, se diz o que quiser, assume-se a presidência, e em nosso caso, leva-se três a quatro anos para se descobrir o tamanho da aberração.

Um treinador, na época líder de estatísticas, uma vez me veio com esta. Que todo cavalo de corrida corria na grama, pois desde o seu primeiro dia de vida pisava nela em seu haras de origem. Abismei-me com pobreza di falatório... e juro que me deu vontade de completar que provavelmente corriam também na areia, pois, todos descendiam de cavalos árabes nascidos e desenvolvidos no deserto. Ainda bem que em nossa atividade, os piquetes não são asfaltados, nem se mantem cavalos em piscinas...

Todo cavalo tem seu equilíbrio, baseado em seu desenho e em seu centro de gravidade. Um bom jockey, é por exemplo, não só aqueles com a melhor tocada ou a melhor noção do percurso. É para mim aquele, que também melhor se adapta ao centro de gravidade de seu pupilo. Querem um exemplo? O Juvenal. 

Um bom treinador, é aquele que sabe explorar ao máximo as características daquele que treina. E o grande proprietário aquele que paga as contas em dia e deixa os verdadeiros profissionais exercerem suas funções com liberdade. Como se vê, embora tremendamente complexa, a formula de se tentar chegar a um denominador comum, é ainda simples. Feijão com arroz...

Contudo, quem desacreditar que existam segmentos melhor adaptados a este ou aquele tipo de piso, tenderão a morrer afogados, no oceano de suas convicções. Não é atoa que existem tribos e famílias que melhor se adaptam a grama ou a areia. Ou a ambas. E até aqueles que até o estado em que se encontra a pista, influi em seu rendimento.

E é ai que a porquinha torce o seu rabinho?

Rendimento é a maior procura nesta atividade. Quanto maior, melhor, pois, vivemos num mercado em que aquele que faz uma distância em menor tempo, ainda chega a frente e é considerado o vencedor. Cabe ao selecionador, imaginar por pedigree, fisico e postura, quais seriam os animais que poderiam ter mais rendimento. E aos profissionais que o seguem nos elos posteriores da corrente, como treina-los, mante-los e pilota-los, tendo em vista, o que demonstram em seus treinos matinais.

No Brasil, treina-se na areia e na grande maioria das vezes, testa-se no mais alto nível, na grama. Nã Europa, treina-se na grama e corre-se na grama e nos Estados Unidos treina-se no dirt e os principais testes de qualidade, verificam-se no mesmo tipo de piso. Como se vê, já somos sui-generis por natureza...

Grandes tribos com os A. P. Indy, Deputy Ministers, Mr. Prospectors e In Reality apresentam muito maior rendimento no dirt. Já os Mill Reef e os Royal Chargeers melhor se adaptam a grama. E existem os Northern Dancers que a tudo se adaptam. Até o asfalto.

Não foram poucas vezes as que me equivoquei, contuso, o maior sentido de minhas equivocações, veio quando o brilho de um, ofuscou o de outro. Explico-me. Quando estava morando em chantilly, me apaixonei por um cavalo Hurricane Run, quer para mim, era o cavalo talhado para ganhar um Arco e um King George. provas aliás que ele ganhou. Mas estamos nos reportando ao derby francês e a outro cavalo que ignorei por ter uma feia cabeça e por me parecer inferior a aquele que venerava, naquele exato momento.

Shamardal estreou em Ayr, quebrando seu maiden de 1,200metros por 8 corpos e eu não me dei conta do fato. Cinco semanas depois, ele voltou em Goodwood ganhando os 1,400 metros do Vintage Stakes (Gr.2) por quase três copos de Wilko, que venceria a Breeders Cup Juvenile. E eu continuei a ignorar.

80 dias se passaram, e ele agora no radar da Darley por mesma distância bateu a Oratório que vinha de ter ganho o Lagardere (Gr.1) em Longchamp, nos 1,400m do Dewhurst stakes (Gr.1).

Pois bem, sai Mark Johnston entra Saaed Bin Suror, a Farley assume, Shamardal volta em Dubai e faz um corrida bem abaixo de seus padrões, no Derby y local, chegando na nona colocação, em sua primeira investida no dirt. E eu que não o havia dado a ele o devido credito, simplesmente o risquei do mapa.

Lego engano...

Pois 50 dias depois, ele estava de volta, desta feita em Longchamp, onde venceu a milha da Poule dessa dês Poulains (Gr.1) de forma não tão brilhante e chegou cotado aos 2,100 metros do Derby francês. Cotados para outros e não para mim, que acreditava que Hurricane Run, iria dividir a raia. Big Mistake! Shamardal ganhou, com seu rival tirando muito nos metros derradeiros, mas incapaz de igualar sua linha, so conseguindo 5 metros depois do disco.

Voltei a pé para minha moradia, ciente que naquela geração não havia apenas um grande cavalo, Hurricane Run, mas possivelmente dois, contando com Shamardal. E eles provaram minha perspectiva e Shamardal venceu em York - pois Ascot estava em obras - a milha do St. James Palace Stakes (Gr,1), sua última apresentação.

Senti-me um retardado mental, a só descobrir quem era Shamardal no ocaso de sua penúltima carreira. Eu que tantas vezes me irritei com asneiras havia cometido uma. Afinal, estamos falando de um cavalo que na grama manteve-se invicto, dos 1,200 aos 2,100 metros e talvez um dos dados mais importantes de tudo: nesta pista ninguém foi sequer capaz de colocar uma cabeça, à sua frente. O que isto sugere? Que era um cavalo com aquela gana de vencer,

Hoje diria que é um reprodutor consagrado e por intermédio de seu filho, também derby winner francês, Lope de Vega, torna-se um sire of sireassumido. E eu já burro velho nesta atividade, aprendi nova lição. Nunca se deixe trair pela paixão que um cavalo lhe emana e que o faz ignorar e não dar o devido valor que seu rival merece.

Hurricane Run, era um elemento dotado de extrema habilidade na milha e meia, mas como a maioria dos Montjeus, morreu na praia em em se tratando de breeding-shed e Shamardal, se não fossem Galileo e Dubawi, estaria reinando no pedaço.