Todos nós estamos sujeitos ao erro, mesmo fazendo as coisas certinhas. Imagina quando arriscamos a fazer elas de uma forma errada. Pois é, que o caixote em que se meteu a 400 metros do disco com Stradivarius, tenha acendido uma luz no fundo do cérebro de Dettori. Não comprometeu o resultado da carreira, mas esteve bem perto de compromete-lo. E ai o que aconteceria? A casa iria ruir. Viria abaixo. E porque? Afinal, sobrando como sua montaria parecia estar, acredito que vir por fora, seria a solução plausível. Imaginem se Stradivarius perde a chab+nce de vencer pela quarta vez a Goodwood Cup? Mas vamos a aquilo que reservei para discutir com vocês, nesta nota.
O stayer hoje é um cavalo desmerecido no mercado. Eu diria que de forma injusta. Uma pena, mas é a mais pura realidade. Até o St. Leger, um dia importante carreira como o fechamento da mais importante tríplice coroa no mundo, perdeu a sua utilidade. Hoje nem mais é disputado sequer pelo ganhador do Derby. Camelot e Nijinsky, creio que foram os últimos a fazê-lo.
Pois bem e o St. Leger se trata de uma carreira disputada em 2,800 metros. Imaginem a Gold Cup, que o é em 4,000 metros? Confesso que de meu tempo, dei muito valor a cavalos como Ardross, Le Moss, Sagaro e Yeats, estes dois últimos respectivamente ganhadores de três e quatro disputas das mesmas. Mas levados a reprodução, realmente não foram capazes de luzir, como o que deles era esperado. O que se dizer então de Stradivarius, ganhador de três Gold Cups?
Primeiro ele me trouxe de volta a me interessar pelas provas de alto fundo. Segundo, que ele me provou que mesmo em distâncias mortas, algu~em pode provar brilhantismo e muita classe. Ele não é um galopador. Gosta de ganhar e faz uma tremenda força para fazê-lo.
Para mim como a peça de cordas, elaborada pela família italiana Stradivari, da qual origina-se seu nome, ele também é uma obra de arte. Ele certamente tem um pedigree mais moderno que os antecessores ganhadores de fundo citados acima. Trata-se de um filho de Sea the Stars, que pode e deve ser considerado um dos cinco mais importantes reprodutores do momento, numa neta de Pawneese, que vi ganhar in loco no ano de 1976, um dos King Georges mais disputados de todos os tempos. Ela, que era treinada pelo argentino Angel Penna, já havia feito história ao conseguir ganhar Diana e o Oaks, teve que enfrentar naquela eventualidade, a outros quatro vencedores clássicos. E simplesmente não deu bola para nenhum deles.
A mãe de Stradivarius, possui igualmente uma estrutura genética moderna e com excepcional stamina, formada por Bering (French Derby e segundo no Arco para Dancing Brave), Sadler´s Wells (pai de Galileo e Montjeu, ambos ganhadores do King George), Carvin (3º no French Derby) e Le Haar (igualmente 3º no French Derby), logo a stamina me parecia o objetivo a ser encontrado que elaborou a este pedigree. Cruza-la com um ganhador do Derby e do Arco, filho de um sprint-flyer, parecia a mais racional solução. E a meu ver foi uma cruza bem sucedida.
Arriscaria eu com Stradivarius na reprodução? Talvez não na Inglaterra, mas certamente no hemisfério sul.
Waldmeister
Eu não acho que nossas experiencias com Waldmeister e Henri le Balafre tenham sido ruins. Para mim foram excepcionais. Waldmeister foi segundo colocado na Gold Cup e ganhador dos também 4,000 metros do Prix du Cadran, enquanto Henri foi ganhador dos 3,100 metros do Prix Royal Oak. Portanto, dois bons stayers, mas longe do calibre de um Stradivarius. A despeito de sua irregularidade na forma de produzir, acredito que Nedawi, um ganhador dos 2,800 metros do St. Leger, se tornou num dos mais importantes transmissores de stamina no Brasil. A se esquecer apenas Shangamuzzo, um ganhador eventual da Gold Cup que por aqui chegou em 1980, vindo direto das pistas, e nada produziu de realmente útil, além de dois ganhadores de graduação 2 e Felicitation, igualmente vencedor desta carreira - inclusive batendo a Hyperion - que já aqui chegou velho e fracassado, no ano de 1945.
Nedawi
Não há o menor resquício de dúvida que Stradivarius está em outro patamar que todos os anteriormente citados, que pintaram no Brasil. Mas, algo me diz, que ele terminará seus dias como outros grandes stayers como os citados, Yeats, Ardross, Sagaro e Le Moss, servindo na produção de cavalos para o mercado de steeplechase. O que certamente será uma pena.
Penso que talvez um esforço maior de nossa parte algo possa ser feito neste sentido. O de trazer um stayer de alta classe.


