O GARANHÃO DO RIACHUELO X LURDINHA BATALHÃO
SEGUNDA PARTE
O tempo passou e o garanhão do Riachuelo não se deu por vencido. Estava para nascer uma mulher que fosse capaz de rejeitá-lo, ainda mais uma reconhecida como Lurdinha Batalhão, que já havia passado o rolo, de São Conrado a Copacabana. E os amigos como sempre o atiçando. Não era para menos, pois, a roda de apostas comia solta: come ou não come?
Até que um dia, ela pareceu ceder. Foram a um motel na Avenida Niemayer e quando Lurdinha se pôs nua, Ricardão sentiu, o porque ela era reconhecida como uma musa. Mas quando foi a sua vez de tirar a roupa e seu “aparelhamento sexual” se fez presente, já pronto para o uso e abuso, Lurdinha chiou: com este ai - e apontou acintosamente para o dito cujo - só casando. Recolheu suas roupas e se mandou.
No dia seguinte a história se espalhou do Leblon ao Riachuelo, não havia outro assunto nos bares e nas esquinas. O Ricardão negara fogo. Porque aquela história de obrigatoriedade de casamento parecia desculpa, de quem não queria dar o braço torcer. Ainda mais se tratando da Lurdinha, que não perdoava cristão. Ademais ela, para jogar mais lenha na fogueira, não confirmava nem "desconfirmava". Apenas sorria.
A coisa mexeu tanto com o Ricardão que em menos de um mês estava ele de terno, gravata e cercado pelos amigos, na Igrejinha da Gávea, esperando pela entrada da noiva, a Lurdinha. Casaram e por quase três meses foram felizes. Aqueles que apostaram no primeiro pulo de cerca de Ricardão, nos primeiros seis meses de casamento, começaram a ficar apreensivos. A fonte secara. Seria isto possível? Ledo engano. Foi só a loura do 302 dar mole, que o Ricardão voltou a lida e depois dela veio a mulata do 604 e aquela nordestina do 802. Lurdinha, que todas as tardes invariavelmente malhava das 15 as 19 horas, não seria capaz de sacar nada, na visão do garanhão do Riachuelo.
Mas Lurdinha, que de boba nada tinha, ao cruzar com a loura do 302 pela primeira vez no elevador, sentiu cheiro de sangue no ar. Aquele sorriso matreiro, dizia tudo. Tinha caroço naquele angu. E não tardou a levantar a lista. De um dia para outro largou o Ricardão sem direito a defesa ou meia discussão. Que aquele galo fosse cantar em outro galinheiro. Não era mulher de posar de corna, principalmente para os vizinhos. Colocou um advogado no caso e pediu por seu divórcio.
E Bebeto sentiu por pouco tempo a falta da mulher. Para ser mais preciso 48 horas. Foi aquele banho de banheira, que delimitou o divisor de águas. Trouxe para si a certeza da liberdade que necessitava.
Ele estava nu, andando pelo apartamento coisa que ficara proibida desde a entrada de Lurdinha em sua parada. Pensou, não precisava mais baixar a tampa do sanitário toda vez que urinava. Peidava a hora que queria. Era aquela sensação de liberdade de fazer o que quisesse, perdida depois de Lurdinha pintara no pedaço. Agora voltara a ser capaz a fazer qualquer coisa. A saída de cena de Lurdinha, o fizera um novo homem. Imediatamente assumiu-se como dono de seu nariz. E isto o fez sentir-se maior, livre, pronto para qualquer outra.
Que a Lurdinha e aquele seu advogado do divórcio do 501 fossem catar coquinhos em Caruaru. Ele vivera a maior parte de sua vida sozinho e acabara de decidir que viveria o resto da mesma forma, pois, se existe uma coisa que o homem preza, é a sua liberdade. Mais que sua honra, ou paixão futebolística.
Lembrou que Lurdinha não o deixava tomar banho de banheira, pois, a bagunça era imensa. Então ele resolveu encher a banheira, e nela mergulhar, quando a água se mostrou morna e gostosa. Como havia derrubado uma garrafa inteira de espuma, quando sentou no interior da banheira, foi água para todos os lados. Olhou a bagunça, soltou uma gostosa gargalhada e soltou um sonoro foda-se! A empregada amanhã secaria o banheiro. Aliás, aquela baiana não era de se jogar fora…
Acabado o longo banho de imersão, foi molhado mesmo pegar a sua toalha que esquecera sobre a cama. Enxugou-se e jogou a toalha no chão. Era seu brado de independência. A empregada se encarregaria de limpar no dia seguinte.
Pegou o maço de cigarro e se recusou ir para a varanda fumar lá fora. Uma das imposições de Lurdinha, a falecida, foi quando a campaínha inesperadamente soou estridente. Ele odiava aquele barulho. A trocaria, o quanto antes.
Foi até a porta e nem de dignou a olhar pelo olho mágico de sua porta. A escancarou e tomou um susto era Lurdinha, com roupa de ginática e com a cara de poucos amigos.
- Lurdinha?
- Sim. Pensava ser quem? Sua mãe?
- Mas o que...
Ela não deixou que ele terminasse a pergunta e caminhando até o banheiro, constatou o lago que se formara no mesmo.O que está acontecendo aqui?
- Acabo de tomar um banho de quase meia hora. daqueles que você se recusava a me deixar tomar. Algum problema, querida?
Ela o olhou com aquele olhar próprio do Lula para com Sergio Moro e complementou: - Aqui não vejo nenhum problema, mas você acaba de alagar o 501.
- 501? Mas este não é o apartamento daquele seu advogadozinho de merda?
- Sim este é só dele. È NOSSO apartamento, seu corno. Ou você achava que eu precisava malhar cinco horas por dia, para manter este corpinho?
E assim a nação guarani teve finalmente a sua revanche.