Não comparo divindades. Mas uma comparação parece inevitável em se tratando de Lester Piggott e Frankie Dettori. Dois profissionais, que para mim, foram os melhores que vi atuar até o presente momento.
Um cético e meticuloso. Outro explosivo e vibrante. Mas ambos com um posicionamento encima de cavalo, quase que perfeito e uma noção de percurso, inigualáveis. Ambos sofreram em suas carreiras altos e baixos. Prisões por evasões de divisas, contratos quebrados, roubo de montarias, queda de aviões, uso de drogas, desligamentos profissionais tempestuosos. Enfim, coisas que normalmente acontecem com gente que alcança a fama no patamar que estes dois jóqueis atingiram.
Lester conseguiu ser um nome mais forte que o próprio Derby. Frankie é hoje sinônimo de sucesso absoluto. A vitória de Lester com Royal Academy que assisti em Belmont Park, em uma Breeders Cup Mile, pouco depois de libertado da prisão, deverá ser cantada em poesias e versos, décadas avante. As sete vitórias de Frankie que compunham o cardápio de um dos dias de meeting de Setembro em Ascot no ano de 1996, é uma data que nunca mais será esquecida e dificilmente igualada.
Coisas somente atingidas por seres superiores, dotados de uma divindade, incomum. No Brasil vi grandes jóckeys atuar, dos quais destaco o Juvenal, como o maior de todos. Se levado ao exterior no prime de seu atletismo, fatalmente obteria sucesso como Moreira está hoje tendo.
Mas iguais a Piggott e Dettori acho difícil que eu poder ver novamente.