Um pais que demonstra maior apreço por Paulo Coelho que por Machado de Assis, merece a sorte que tem. Um pais que elege um torneiro mecânico para a presidência da republica, e deixa ele decidir que sua sucessora irá ser uma anta de cordas vocais, se mantém vivo, por obra e graça do Espirito Santo. Logo, pouco temos a reclamar, pois, somos responsáveis pela sorte que a nós é ministrada.
É muito importante se avaliar as causas, e assumir seus erros.
O turfe em si, é uma escola neste setor, pois, o que você faz aqui hoje, reflete seu resultado em dois ou três anos. E ai você passa a ter ciência que errou ou acertou. No caso dos agentes, torna-se mais simples enveredar pelo caminho de se adquirir reprodutores, pois, são cinco a seis anos de espera. E até lá, quem sabe, uma cobra o pica e você tem a oportunidade de adquirir outro.
Este fim de semana, Galileo, que considero um dos mais importantes reprodutores de todos os tempos, teve uma participação brilhante no setor europeu. Seis de seus filhos triunfaram em provas de grupo: Shale ganhou o Moyglare Stud stakes (Gr.1), Magical o Irish Champion stakes (Gr,1), Mogul o Grand Prix de Paris (Gr.1), Search for a Song o Irish St. Leger (Gr.1), Anthony Van Dick o Prix Foy (Gr.2) e Tiger Mott o Kilterman stakes (Gr.3). Seu filho, o derby winner Australia, compareceu com Galileo Chrome ganhador do St. Leger stakes (Gr.1) e Cayenne Pepper responsável pelo Blandford Stakes (Gr.2). O que seria isto senão dominância?
Luto para que as pessoas no turfe brasileiro se mantenham com uma mente aberta. Livre de dogmas e predileções. Completamente imune a modismos. Temos que analisar de forma fria, o que acontece e tentar adaptar para a nossa realidade o que for possível. Trouxemos dois Galileos de porte em sistema de shuttle, e creio que os resultados foram favoráveis.
O inédito Roderic O´Connor gerou a oito individuais ganhadores de grupo de 93 produtos registrado. O que para mim foi sinônimo de sucesso, pois perfazer um percentual clássico de 8,6% não é uma coisa muito simples de se alcançar. Não seria um risco valido se tentar fazer de Voador Magee, Emperor Roderic ou El Shaklan um reprodutor?
Soldier of Fortune foi responsável por cinco individuais ganhadores de grupo em 100 produtos registrados, alcançado assim o percentual clássico de 5%, o que a meu parecer estaria ainda assim, acima do razoável. Será que pelo menos Olympic Hollywood não mereceria uma chance no breeding-shed?
Galileo já provou ser algo bem acima das expectativas. Ele não me parece um reprodutor normal. Extrapola as raias da razão e assim surfar em sua onda, tendo com isto que se utilizar de netos seus nacionais, que demonstraram capacidade locomotora em pista, não me parece ser um ato de heroísmo e sim de lucidez.
O mesmo acredito que pudesse ser feito em relação ais filhos de Danehill, que aqui aportaram. Amigoni, não obteve um índice de classicismo sequer razoável, pois de seus 416 registrados, apenas 12 atingiram com sucesso a esfera de grupos. Isto determina um indecência de classicismo menor que 3%.
Holy Roman Emperor e Rock of Gibraltar, trazidos a preço de ouro, conseguiram respectivamente cinco e quatro individuais ganhadores de provas de grupo. Holy com 107 produtos registrados atingiu o percentual de 4,67% e Rock com 110 produtos registrados ficou com o percentual clássico de 3,63. O que em outras palavras reflete que os Galileos aqui, funcionaram melhor que os Danehills. Mas mesmo assim não valeria a pena arriscarmos em Maraton ou Gibraltar Point?
Há de se convir, que quanto mais perto do grande chefe de ração, maiores serão as suas chances de êxito. Logo, o risco de utilização dos nacionais Voador Magee, Emperor Roderic, El Shaklan, Olympic Hollywood, Maraton ou Gibraltar Point, parece-me muito menor, do que se tentar inventar com outras importações, que nem sempre irão produzir o efeito desejado. Pois seria como tentar comparar Machado de Assis com Paulo Coelho.



